Projeto vai criar estratégias para proteção do peixe Mero

Proteger uma espécie em extinção e toda a biodiversidade envolvida é o objetivo do projeto “Meros – estratégias para a conservação de ambientes costeiros e marinhos do Brasil” financiado pelo Programa Petrobrás Ambiental, que começa oficialmente suas atividades neste semestre.

O Mero, Epinephelus itajara, conhecido como o “senhor das pedras” ou “gigante do mar” é uma espécie de peixe de grande porte, da família Serranidae, a mesma da Garoupa e do Badejo. Além de ambientes costeiros e marinhos do Brasil, o peixe é encontrado em águas tropicais e subtropicais oceano Atlântico – por todo Golfo do México e Caribe, do Pacífico do Golfo da Califórnia (EUA) até o Peru.

O biólogo e coordenador do projeto no Estado de São Paulo, Clodoaldo Gazzetta, destaca que os Meros são altamente vulneráveis, porque começam a se reproduzir tardiamente, depois dos sete anos.Somado a isso, o habito de formação de agregados reprodutivos, quando vários indivíduos se reúnem para acasalamento, facilita a caça predatória e o desaparecimento da espécie naquela região.

Estes fatores aliados a falta de informações consistentes sobre sua biologia, foram decisivos para inclusão do Mero na lista vermelha das espécies ameaçadas de extinção da IUCN (Internacional Union for Conservation Nature) como espécie Criticamente Ameaçada.

Justamente para procurar conhecer e proteger a espécie é que começou a trajetória de um grupo de ambientalistas e pesquisadores de quatro pontos diferentes do país – São Paulo, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina.

Em 2001, foi lançada a primeira iniciativa para preservação da espécie, o projeto “Meros do Brasil”, uma parceria da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e a ONG de Proteção a Vida Marinha – Vidamar, que mobilizou esforços na proteção e conservação do peixe, em Santa Catarina.

Depois disso, o responsável técnico e coordenador do projeto no Estado de Santa Catarina, Mauricio Hostim, explica que outras iniciativas independentes surgiram na busca de informações para preservação do peixe e para a criação de um plano de manejo nacional, que reduzisse e controlasse a pressão pesqueira mantendo um estoque populacional sustentável.

Na mesma linha, também se juntaram às iniciativas o Ircos (Instituto Recifes Costeiros), em Pernambuco, a Ecomar (Associação de Estudos Costeiros e Marinhos dos Abrolhos), na Bahia, e o Instituto Ambiental Vidágua, em São Paulo.

Os esforços isolados, que começaram há pelo menos seis anos, resultaram na edição, pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), da portaria 121 de 20 de setembro de 2002, que proibiu a pesca e comercialização do Mero por um período de cinco anos, em todo o território brasileiro. Com isso, o Mero se tornou o primeiro peixe marinho da história do Brasil a receber um mecanismo legal de proteção. O fato proporcionou aos pesquisadores mais tempo para a divulgação e coleta de informações sobre a biologia da espécie, locais de agregação, reprodução, alimentação e padrões de migração.

O Gerente Executivo do projeto, Oceanólogo Paulo Beckenkamp ressalta que além das ações de pesquisa e conservação, serão investigadas as alternativas sustentáveis de geração de renda, tendo o Mero como foco central. Ele destaca atividades como o eco-turismo de base comunitária, o artesanato, as manifestações culturais de comunidades ribeirinhas e de pescadores. “A valorização e implementação destas atividades constituem-se um compromisso social assumido pelo projeto em todas as suas áreas focais”, complementa.

O cenário que a equipe vai trabalhar não é nada usual. O oceanólogo explica que são formações de costões rochosos, recifes de corais, manguezais e estruturas submersas como pontes, plataformas e naufrágios, bem como em fundos de pedras onde a espécie ocorre com mais frequência. “Aliás, é da associação de pedras que deriva o nome científico deste peixe fantástico – Epinephelus itajara. Itajara está em tupi-guarani. Ita significa pedra e jara significa senhor, portanto, o senhor das pedras, ser vivo que merece o nosso mais profundo respeito e admiração”.

O projeto vem ganhando mais adeptos a cada dia, contando com apoio de instituições governamentais e não governamentais, como a Universidade Federal de Pernambuco, Cepene / IBAMA (Centros de Pesquisa e Extensão Pesqueira das regiões Nordeste), Movimento Cultural Arte Manha, Cepsul / IBAMA (Centros de Pesquisa e Extensão Pesqueira das regiões Sudeste e Sul), Cepnor / IBAMA (Centros de Pesquisa e Extensão Pesqueira das regiões Norte) Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e ONG-Ignis.

As ações do projeto serão norteadas por três linhas de atuação. A primeira delas é a Pesquisa e Conservação, visando obter informações sobre a bioecologia e interação com a pesca, e com isso, propor alternativas sustentáveis a geração de renda, utilizando a espécie como símbolo da conservação marinha. Em seguida, está a Gestão Ambiental, que pretende articular os resultados provenientes da atividade de campo inserindo-os no escopo político/ambiental do Brasil, valorizando o conhecimento tradicional das comunidades pesqueiras e inserindo-as nos processos de tomada de decisão ligados ao manejo das áreas naturais e dos recursos pesqueiros.

Para complementar os trabalhos, estão as atividades de educação e comunicação ambiental, que visam inserir a proposta no cotidiano dos moradores locais, promovendo a sensibilização quanto a conservação dos ambientes marinhos e costeiros e sua biodiversidade, apontando os benefícios à coletividade.

As ações serão realizadas, simultaneamente, nos quatro Estados de abrangência, durante dois anos, e seu produto final será a criação de uma rede nacional de conservação dos Meros e a elaboração de um plano de ação e conservação da espécie que terá como embasamento as informações agregadas e a definição de políticas específicas para a preservação do peixe e, consequentemente, de seu habitat.

Mais informações podem ser obtidas juntamente ao Meros do Brasil, através do site www.merosdobrasil.org.

Por: Katarini Miguel

* Este projeto é patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.

Redação

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