Rebreather – Mergulho aos 70m

No dia 29 de março de 2009, realizamos um mergulho na Laje do Cotovelo, local pelágico inexplorado pelos mergulhadores e localizada cerca de 22 milhas de Salvador, bem próximo a beira da plataforma continental.

Nossa equipe foi constituída por Bruno Fagundes, eu (László Mocsári), Peter Tofter e Eurípedes Vieira.

Os dois primeiros foram os mergulhadores de fundo que usavam cada, um rebreather Megalodon APECS 2.5, e os dois seguintes, atuaram com safety divers de circuito aberto.

O plano era realizar um mergulho em dois níveis, 60 e 70m, com tempo total de fundo de 50 minutos.

Utilizamos a mistura como diluente o trimix 10/50 (on board) e um set point de 1.2 de PPO2. Como bailout cada um levou 2 S80, um com trimix 14/30 e o outro com EAN 50.

Para a descompressão utilizamos 3 computadores VR3 e tabelas rodadas no V-Planner.

Pedra-Cotovelo

A marca do local foi passada por Marcel Brito, que foi 6 vezes campeão brasileiro, Sul Americano e Pan Americano de Pesca Submarina, hoje, proprietário da Fish Company, empresa dedicada a pescas de aventura. Este é um dos pontos operados por ele nas suas saídas com pescadores.

Carta-CotoveloO local é constituído, conforme foi possível visualizar através das imagens da ecossonda, de uma parede com dois platôs: um com 60m e outro com 70m de profundidade.

Previamente ao mergulho, fizemos uma breve varredura da área com a ecossonda guiada pelo GPS. Confirmamos que se tratava de uma parede. Planejamos fazer o fundeio na região onde esta parede era mais íngreme e que tivesse o maior desnível. Fundeamos no platô dos 60m e na primeira tentativa a nossa garatéia unhou.

A limpidez da água era extrema. Demoramos cerca de 10 minutos para descer, devido ao longo cabo de fundeio (200m).

Ao chegarmos ao fundo, notamos uma leve correnteza, checamos o ferro, onde passamos a carretilha. Bem próximo, estava a parede.

Algumas ciobas nos recepcionaram, fomos até a parede e descemos. No pé da parede haviam algumas pedras com 6-7m de altura por 10-15 m de diâmetro em suas bases. No mergulho atingimos a marca dos 73 metros de profundidade, e nadamos ao longo de toda parede com cerca de 150m de comprimento.

Não haviam “locas”, mas vimos barracuda, arraia, ciobas e cavalas wahoo, todos grandes e alguns com dimensões impressionantes.

Botton-TimerApós 50 min de mergulho, já estávamos de volta ao ferro para iniciarmos a nossa longa subida de 3 horas a superfície. Dos 40m de profundidade, no cabo de descompressão, já avistávamos a embarcação na superfície e os mergulhadores de apoio.

Foi um mergulho dentro do planejado, sereno, tranqüilo, sem desconfortos, água apresentando uma temperatura de 24ºC no fundo e 29º na superfície.

Retornarmos com os nossos stages de bailout intactos, diga-se de passagem, há quase um ano mergulhamos com este mesmo gás nos stages, pois até então, nunca foi necessário usá-los.

Infelizmente não tiramos fotos do fundo, pois a nossa máquina não aguentava tal pressão.

Foi o máximo !

László Mocsári
Médico Anestesiologista e Intensivista, com formação em Medicina Hiperbárica. É instrutor de mergulho PADI e SSI, mergulhador de rebreathers e sócio da operadora Bahia Scuba em Salvador-BA.