Shark Arena – Mergulhando com os tubarões das Bahamas

Mergulhadores no Shark Arena - Foto: Stuart Cove´s

Quem me conhece sempre soube que mergulhar com tubarões não era muito minha praia, mas recebi um convite especial do governo das Bahamas, juntamente com a American Airlines para conhecer a estrutura que Nassau oferecia aos mergulhadores, e dentre as atividades, um mergulho com alimentação dos tubarões (shark feeding). Logicamente não poderia deixar de ir e conhecer de perto, um dos mergulhos mais famosos em todo o mundo.

Estrutura

Nassau é a principal ilha das Bahamas, tendo como operadora principal a Stuart Cove’s, que atua há anos na ilha, e principalmente, com a execução dos mergulhos com os tubarões, sendo uma das mais respeitadas no mundo no assunto.

Quando chegamos na operadora pela manhã, encontramos nossa embarcação já totalmente pronta para receber os mergulhadores e parte da equipe da operadora finalizava os preparativos referentes aos alimentos que seriam oferecidos aos tubarões. Notamos que há toda uma logística na preparação desses alimentos para que o mergulho transcorra como o planejado.

Montamos os equipamentos e a embarcação partiu em direção ao local onde a alimentação dos tubarões é realizada. O ponto é conhecido como Shark Arena (Arena dos Tubarões em português) e recebeu esse nome em virtude da grande quantidade de tubarões que aparecem por lá para conseguir algum pedaço de alimento.

Durante a navegação, um guia dá algumas informações de conduta durante o mergulho, afinal de contas, estamos mergulhando com tubarões e há alguns procedimentos básicos para a segurança de todos.

Operadora Stuart Cove´s – Foto: Clécio Mayrink

Caindo na água

Chegando ao ponto de mergulho, melhor dizendo, no Shark Arena, à medida que nos preparamos, alguns tubarões vão se aproximando da embarcação, exibindo suas galhas para fora d´água.

Pessoas que possuem certo receio desse tipo de mergulho, costumam ficar mais apreensivas, pois nos lembramos dos filmes hollywoodianos com tubarões, onde a todo o momento, os tubarões estão lá para atacar seres humanos, o que não é o caso.

Aos poucos, o grupo vai caindo na água e segue diretamente para o fundo, formando um círculo de mergulhadores, seguindo a orientação dada pelos guias.

O Shark Arena é na verdade um círculo no fundo arenoso, onde os mergulhadores ficam parados e assistindo os tubarões sendo alimentados.

O guia responsável pela alimentação desce com uma caixa de alumínio com todos os alimentos, utilizando uma roupa prateada e fabricada com micro anéis de aço inox para sua proteção contra eventuais mordidas. Muitas vezes a mordida do tubarão no alimento pode pegar alguma parte da mão do guia, daí a necessidade dessa proteção extra.

Assim que os alimentos chegam, os tubarões logo sabem e começam a nadar em volta do guia, que inicia logo em seguida o Shark Feeding, a alimentação dos tubarões.

Os tubarões focam no “entregador” dos alimentos e ficam por ali circulando, enquanto isso, ficamos ali assistindo e admirando os animais, que muitas vezes, passam entre os mergulhadores chegando a esbarrar e não estando nem aí para nós.

Em nosso mergulho havia cerca de 30 a 40 tubarões de recife, o chamado Silk, sendo o mais comum encontrado nos mares.

Após longos minutos, os alimentos acabam e o guia que fazia a entrega se distancia do local, sendo seguido pelos tubarões que ainda ficam na esperança de haver algum alimento disponível.

Nesse instante outro guia leva os mergulhadores para o lado oposto e seguimos conhecendo as belezas naturais do local. Nesse momento só avistamos um tubarão que passava nas proximidades e que foi embora posteriormente.

Cristian Dimitrius alimentando os tubarões – Foto: Stuart Cove´s

Impressões que ficaram

A primeira impressão que ficou certamente é a de que os tubarões não estavam nem aí para os mergulhadores, pois não fazemos parte da cadeia alimentar deles.

Certamente é admirável o trabalho que a equipe do Stuart Cove´s realizada. A operação é muito bem realizada e segura. A logística perfeita e redonda.

Quem possui algum receio sobre tubarões, acaba perdendo após um mergulho como esse, e chega à conclusão que eles não oferecem o risco que a mídia tenta passar.

Valeu à pena ?  Sem dúvidas. É uma experiência diferente e que valeu muito.

Você consegue admirar ainda mais o animal e consegue ver de perto a dinâmica deles, que chega a ser invejável e surpreendente.

Hoje os tubarões estão protegidos por lei nas Bahamas e até onde sei, é o melhor local para mergulhar com eles nesse formato de mergulho.

Nosso editor – Foto: Stuart Cove´s

A recomendação para fazer um mergulho desses é sem dúvidas com o pessoal do Stuart Cove´s, que além de serem profissionais sérios, são reconhecidos mundialmente pelo trabalho, segurança e experiência no assunto. Além disso há guias que falam português.

Os mergulhos ocorrem durante todo o ano e devem ser agendados com antecedência. Fique atento somente com a época dos furacões no Caribe, pois as operações poderão ser canceladas por motivos óbvios.

O site do Stuart Cove´s é www.stuartcove.com

Clecio Mayrink

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount).

É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008.

Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.