Uso de Cilindros Condenados – Um perigo iminente

Apesar de diversos sites, fóruns, operadoras e mergulhadores comentarem sobre os perigos que um cilindro condenado por causar, infelizmente alguns poucos, continuam utilizando estes para recarga e mergulho.

Temendo a ocorrência de acidentes, a Luxfer anunciou o problema na liga de metal 6351-T6 utilizada na fabricação de cilindros de mergulho, pois a mesma apresenta trincas e rachaduras por esforço sustentado, também conhecido como SLC, ao redor do gargalo. Nos Estados Unidos as estações de recarga não estão realizando recarga nestes cilindros.

Recomendações:

  • Não faça Inspeção ou Teste Hidrostático em cilindros fabricados até 1989, devido à liga de alumínio utilizada (6371-T6);
  • Caso encontre um cilindro desses, este deve ser removido de serviço;
  • Somente recarregar um cilindro com liga 6351-T6, se o proprietário apresentar um relatório ou laudo do Teste Hidrostático e  inspeção eletrônica por corrente Eddy em dia;

Veja abaixo o aviso dado pela NIOSH e Luxfer sobre os problemas nesta liga:

AVISO DA NIOSH E LUXFER DE DEZEMBRO DE 1999 SOBRE FALHAS EM CILINDROS DE ALUMÍNIO E COMPOSITE

O Instituto Nacional para a Saúde Ocupacional (NIOSH-USA) deseja informar aos usuários de cilindros de alta pressão fabricados em alumínio e composite, que a liga de alumínio 6351-T6 é suscetível a rachaduras,devido à carga na área do pescoço e coroa, sendo chamado de SLC – Sustained Load Cracking ou “Trinca / Rachadura por Esforço Sustentado”.

Essas trincas não são detectadas durante a inspeção anual do cilindro, o que pode acarretar na ruptura catastrófica do mesmo, especialmente durante a recarga. Tais rupturas podem resultar em sérios ferimentos, morte ou destruição de propriedade.

Até o ano de 1999 nos Estados Unidos, ocorreram 12 casos de ruptura de cilindros fabricados com a liga 6351-T6. Onze rupturas ocorreram durante a recarga, seis destas envolveram cilindros de máscara autônoma, enquanto os outros cilindros, eram de mergulho, oxigênio, medicinal e CO 2.

Cilindros04Análises de laboratório determinaram que a maioria destes cilindros falharam devido à SLC, porém em alguns casos, danos mecânicos externos também estavam presentes. No caso acima, todos os seis cilindros de SCBA foram fabricados pela Luxfer – EUA.

A mais recente ruptura / falha de cilindro de SCBA pesquisada e analisada, ocorreu em Summerfield, Carolina do Norte, em uma base de bombeiros em maio de 1999. Não foram reportados ferimentos, mas a estação de recarga onde o cilindro estava, sofreu danos consideráveis. O cilindro fabricado pela Luxfer sob Exceção – DOT-E6498 em junho de 1977. Análises subsequentes revelaram que as rachaduras da região do pescoço já existiam a mais de 8 (oito) anos. A investigação determinou ainda que o cilindro vazava antes de falhar.

No Seminário da Luxfer na DEMA de 2001, nos Estados Unidos, muitas questões foram respondidas pela Luxfer sobre “Rachaduras por Esforço Sustentado (SLC)” em cilindros de alumínio fabricados com liga 6351-T6.

  • O SLC é um fenômeno metalúrgico que se desenvolve ocasionalmente em cilindros com liga 6351-T6, devido ao stress que o cilindro sofre durante o longo período de tempo que fica recarregado;
  • O SLC não é um defeito de fabricação, mas sim, um fenômeno inerente ao próprio material utilizado. Extensivas pesquisas conduzidas pela Luxfer e por laboratórios externos, demonstraram que a trinca nos cilindros pode aumentar lentamente. Elas podem levar 6 (seis) ou mais anos para crescerem o suficiente e causarem vazamento no cilindro;
  • De uma população de 1.073.000 cilindros de mergulho fabricados com a liga 6351-T6, apenas 1,25% apresentou SLC até o momento, ou seja 13.412 cilindros;
  • Estima-se que existam 30 milhões de cilindros fabricados com a liga 6351-T6. Se juntarmos todas as companhias fabricantes, juntamente com a Luxfer. Experts da indústria de cilindros, acreditam que menos de 1% destes apresentarão SLC;
  • A Luxfer fabricou cilindros com liga 6351-T6 nos Estados Unidos até o ano de 1989. Após esta data a Luxfer, assim como outras companhias, descontinuaram a fabricação de cilindros com esta liga;
  • A especificação DOT para cilindros suspeitos é DOT-3AL. Até 1989 a liga de alumínio 6351-T6 foi usada na fabricação de cilindros identificados pelos números DOT:- DOT-6498
    – DOT-7042
    – DOT-8207
    – DOT-8364
    – DOT-8422E para os cilindros de composite os números de identificação são:

    – DOT-E 7235
    – DOT-E 8023
    – DOT-E 8115

  • A Luxfer recomenda que todos os cilindros de alumínio e composite sejam submetidos a Testes Não Destrutivos, como Inspeção Visual Externa, Inspeção Visual Interna e também Eletrônica anualmente, principalmente os fabricados em liga 6351-T6;
  • Estes cilindros devem ser submetidos a Teste Ultrasônico, Corrente Eddy ou qualquer outra forma de Ensaio Não Destrutivo (END) entre os Testes Hidrostáticos requeridos para cada tipo de cilindro.

Resumo

Como forma de proteção, não faça recargas nos seguintes casos:

  • Os cilindros fabricados com os seguintes números DOT 6498, 7042, 8207, 8364, 8422, DOT-E 7235, DOT-E 8023 e DOT-E 8115;
  • Cilindro com o teste hidrostático vencido
  • Cilindro com Teste Hidrostático sem identificação da oficina ou sem laudo;
  • Cilindro com o Re-Teste Hidrostático gravado “Vist Mês / Ano”;
  • Cilindro com pintura nova total ou parcial, sem o laudo da oficina que a fez;
  • Cilindro com marcas de danos mecânicos;
  • Cilindro com alguma deformação;
  • Cilindro ou acessórios com marcas de exposição ao calor ou ao fogo;
  • Cilindro com sinais de oxidação;
  • Cilindro que tenha sido derrubado, envolvido em algum acidente ou que sofreu impacto;
  • Cilindro que se sabe que deveria estar cheio mas foi encontrado vazio;
  • Cilindro com trincas;
  • Cilindro que apresente sinais de armazenagem, transporte ou uso incorreto.

Detectando rachaduras nos cilindros

Infelizmente, existem apenas duas empresas de mergulho no Brasil, com a capacidade de realização de testes para a detecção de rachaduras e fissuras nos cilindros citados acima. O equipamento utilizado, é o Visual Edge.

Aliado à isso, não é incomum encontrarmos cilindros com torneiras amassadas por quedas. Quando um cilindro cai acidentalmente, este deveria ser desmontado, inspecionado e retestado, pois uma simples queda no chão, poderá facilitar o aparecimento de fissuras microscópicas, que pode aumentar e virar uma rachadura. Apesar de raro, um bom exemplo de que isso pode ocorrer, é o caso dos mosquetões utilizados pelos profissionais de escalada. Uma simples queda de um mosquetão no chão, normalmente este é condenado e jogado fora, justamente por facilitar o aparecimento de fissuras. E fica a questão: E porque isso não poderia ocorrer com um cilindro de mergulho ?

Colaboração

  • Marco Aurélio M. Fernandes – Marcão
  • Miguel Lopes
Clecio Mayrink
Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em 1987 pela CMAS e realizou Dive Master em 1990 pela PADI. Hoje é mergulhador Técnico Trimix (Mergulho Profundo) e de cavernas (Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount). É juiz internacional de apneia pela AIDA e foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008. Produziu documentários sobre as Bahamas, Bonaire, Galápagos e Laje de Santos, visitando mais de 30 países. Foi o idealizador do site Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP), atuou como consultor para a ONU, UNESCO, além de diversos órgãos públicos no Brasil.