300 ânforas são encontradas com conteúdo e inscrições

Mergulhadores finalizaram a recuperação de conteúdo de um naufrágio mercante romano, na ilha de Maiorca.

Os especialistas acreditam que este naufrágio seja uma das embarcações antigas mais bem preservadas e significativas no Mediterrâneo.

Muitas das 300 ânforas de barro encontradas a bordo retêm vestígios de seu conteúdo e inscrições pintadas.

O naufrágio do século III ou IV d.C. foi preservado na areia, estando apenas 2m de profundidade, nas proximidades da movimentada praia de Ca’n Pastilla, na Baía de Palm, ficando intocado por cerca de 1700 anos.

Mergulhadores locais vinham dizendo às autoridades, que há décadas suspeitavam que algo pudesse estar enterrado nas proximidades, mas foi um casal que detectou alguns fragmentos de ânfora em julho de 2019, levando finalmente os arqueólogos marítimos a agir.

Agora exposto na zona de ondas, o naufrágio pode estar sob risco de danos, por causa das tempestades e saques, sendo isolado.

Atualmente o local passou a fazer parte do projeto Arqueomallornauta, administrado pela autoridade regional do Consell de Mallorca e arqueólogos marítimos do universidades das Ilhas Baleares, Barcelona e Cádiz.

 

Foto: Arqueomallornauta / Consell de Mallorca / Universities of the Balearic Islands, Barcelona & Cadiz

 

A pandemia interferiu, mas a escavação finalmente foi iniciada em novembro de 2021, com uma equipe de oito mergulhadores trabalhando para localizar e levantar as ânforas e outros itens para conservação e análise. A fase submarina da operação foi concluída no final de fevereiro. As 300 ânforas levariam vinho, azeitonas, azeite ou molho de peixe, e 100 delas foram encontradas completas e com inscrições pintadas e, em alguns casos, sinais cristãos em seus selos.

Também foram recuperados dois sapatos intactos, um de couro e o outro no estilo espadrille, de corda de esparto, uma panela, uma lamparina a óleo com o símbolo da deusa Diana e e uma furadeira de madeira. Agora conhecido como o naufrágio “Ses Fontanelles”, acredita-se que o navio tenha ancorado no local, possivelmente enquanto fazia uma travessia da Espanha, mas acabou naufragando por causa de uma tempestade, fazendo-o bater contra as rochas.

Os especialistas dizem que a descoberta destaca o valor das ilhas Baleares como ponto de parada para os comerciantes na época romana.

A embarcação tinha 12m de comprimento. O casco ainda não foi levantado, mas características como anteparas de carga estão intactas e as madeiras permanecem firmes ao toque. O exame da madeira sugere que o navio foi construído na região espanhola de Cartagena.

 

Foto: Arqueomallornauta / Consell de Mallorca / Universities of the Balearic Islands, Barcelona & Cadiz

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