Regras de ouro para uma penetração segura em naufrágios

1 – Trabalhe em equipe. Conte com mergulhadores qualificados em mergulho em naufrágios.

2 – Faça uma pesquisa detalhada, coletando informações de diferentes fontes, motivo do afundamento, posição do navio no fundo, condições atuais do naufrágio e etc.

3 – Tenha a certeza de que a carga, se eventualmente ainda não resgatada, não oferece risco aos mergulhadores, como por exemplo, produtos químicos perigosos ou material bélico.

4 – Identifique a localização do naufrágio e extraia as marcas GPS com precisão.

5 – Procure se informar com outros mergulhadores e pescadores da região sobre as as condições ambientais (profundidade, temperatura da água, correntes predominantes, visibilidade, tipo de fundo, ventos, marés…)

6 – Respeite o nível de penetração de acordo com o nível de habilidade e treinamento de cada mergulhador.

7 – Configure os equipamentos minimizando risco de enrosco e de arrasto, além de escolher a mistura de gás ideal de acordo com o nível de penetração desejado.

8 – Proteja as mangueiras e utilize-as com medidas específicas.

9 – Tenha um plano de emergência adaptado a região.

10 – Procure usar conexão DIN

11 – Use faca

12 – Tenha pelo menos três lanternas.

13 – Sempre que possível, utilizem down-line (cabo entre seu barco e o naufrágio).

14 – Utilizem Jon Line para descompressão e/ou parada de segurança no Down Line.

15 – Mapeie o exterior do naufrágio antes de penetrar.

16 – Dê atenção especial à classificação estrutural, estabilidade da seção a ser penetrada bem como sua arquitetura.

17 – Tome cuidado os seres marinhos.

18 – Domine as técnicas de carretilha com proficiência.

19 – Jamais deixe o cabo guia no interior do naufrágio após uma penetração.

20 – Respeite a regra dos terços.

21 – Domine a utilização dos sinais manuais.

22 – Minimize o risco de silt dentro do naufrágio alterando o batimento de perna fazendo uso da batida de meio ciclo.

23 – Deixe as misturas descompressivas, se for o caso, junto ao ponto de penetração ou por onde se pretende sair.

24 – Pratique parada de descompressão no lift bag ou Deco Marker.

25 – Mantenha aptidão física compatível com as exigências da atividade.

26 – Mantenha o exame médico e imunizações em dia. Vacina contra tétano é essencial.

27 – Dominem o uso de tabelas e computadores, bem como as técnicas de paradas de segurança e descompressão.

28 – Tenham sempre disponível um kit de Primeiros Socorros e O2.

29 – A sua segurança depende exclusivamente da sua atitude e experiência. Seja profilático e não se submeta a riscos desnecessários.

30 – Planeje seu mergulho e mergulhe dentro do planejado.

31 – Evite equipamentos desnecessários: Se você não precisa, não leve.

32 – Não faça mergulhos profundos com ar comprimido.

33 – Faça treinamento técnico se você pretende ultrapassar os limites descompressivos.

34 – Calcule seu consumo de ar na profundidade com ampla margem de segurança.

35 – Lembrem-se dos detalhes: eles são essenciais e fazem a diferença.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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