Apesar de simples, o snorkel é um equipamento que auxilia o mergulhador autônomo enquanto se encontra na superfície, permitindo nadar e respirar até o local onde se pretende descer, evitando a utilização do gás do cilindro de mergulho, nadar até a embarcação pela superfície após o término do mergulho autônomo e auxiliar num possível resgate de um mergulhador.
No caso dos apneístas e praticantes de caça submarina, é um equipamento fundamental, porque permite que o mergulhador descanse na superfície e consiga respirar entre uma imersão e outra, mantendo a cabeça na água com a visão para o fundo, e sem forçar o pescoço.
O avanço da tecnologia
A tecnologia e o design do snorkel mudaram bastante nos últimos anos, e os fabricantes levaram esse humilde dispositivo de respiração para novos patamares, com intuito de aprimorar o mergulho de snorkeling ou como apoio ao mergulho autônomo.
Atualmente encontramos diversos modelos nas lojas, mas não se engane, pois existem diferenças entre eles.
Visualmente falando, todos são muito parecidos, mas a diferença começa no preço, pois um snorkel básico pode custar alguns reais, e os mais avançados, podendo chegar próximo dos R$ 200.
O snorkel utilizado atualmente é mais leve, tem um desempenho melhor, permite a fixação mais fácil na máscara de mergulho. Alguns modelos possuem em sua parte dobrável, possibilitando ao mergulhador dobrar e guardar o snorkel em um dos bolsos do colete equilibrador, gerando mais conforto.
Os melhores modelos são fabricados com o bocal em silicone, normalmente bem macio e sem machucar os lábios do mergulhador. Além disso, utilizam “mordedores” melhores, mantendo o snorkel bem fixado na boca do mergulhador, apenas com uma leve mordida.
Sistema de Drenagem da Água / Válvula de exaustão
No Brasil o sistema de drenagem da água acabou sendo apelidado por “válvula”. No exterior alguns o chamam de “snorkel seco” (Dry Snorkel).
Como todos sabem, quando o mergulhador abaixa a cabeça na água e o snorkel entra por inteiro, ele acaba alagando. No caso do snorkel tradicional, o mergulhador precisa expelir o ar nos pulmões para expulsar a água do interior do snorkel. Com o sistema de drenagem, a água é expelida mais facilmente pela parte superior e inferior, além de um esforço menor.
A válvula também serve para a eliminação de pequenos resíduos de água que venham a ficar no interior do snorkel, aspecto comum quanto o mergulhador encontra-se na superfície e o mar está com ondulações maiores.
Como aspecto positivo, a válvula facilita a expulsão da água, mas na opinião do mergulhador recordista mundial em apneia, Ricardo Bahia, o snorkel com válvula não é recomendável para praticantes de apneia esportiva ou caça-submarina, porque normalmente esse tipo de snorkel possui um diâmetro maior, e tendo a válvula, há um arrasto maior do snorkel na água, diminuindo assim, a performance do apneísta.
Por esse motivo, a grande maioria dos apneístas acaba utilizando o snorkel sem válvula.

Quebra ondas
Alguns modelos de snorkel possuem um mecanismo topo, e isso tem um objetivo.
Alguns denominaram esse dispositivo como “Quebra Ondas ou Válvula de Boia”, e tem com objetivo evitar (ou diminuir) a entrada de água no snorkel quando o mergulhador está com a cabeça na superfície da água, mas com o topo do snorkel abaixo da linha de flutuação.
Uma desvantagem do snorkel com válvula, é que em geral, eles utilizam algumas “partes móveis” internamente, abrindo margem para a diminuição de eficiência, caso tenham contato com areia da praia. Apesar disso, raramente algum problema desse tipo ocorre com snorkels de boa qualidade.
Que modelo devo comprar ?
A escolha é sempre pessoal e de acordo com o tipo de atividade desejada.
No caso dos mergulhadores autônomos, ou seja, que mergulhando respirando embaixo d’água, o uso do snorkel com válvula é muito recomendado, pois ele trará mais benefícios em comparação com o snorkel comum.
No mercado encontramos até um tipo de snorkel que possibilita dobrá-lo e guardá-lo no bolso do colete equilibrador, facilitando o transporte durante o mergulho.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.




