Realizei recentemente uma viagem para passar as férias com a família, e levando em consideração que o destino era banhado pelo mar caribenho e com aquela água maravilhosa, não poderia deixar de fazer pelo menos uns dois dias de mergulho.
Mas como viajar levando “quase nada” em equipamentos ?
Isso é praticamente impossível para um mergulhador, pois quase sempre acabamos levando muita coisa na bagagem.
Pra piorar, nossa ANAC permitiu as alterações nas regras de bagagens, o que complicou ainda mais o que já era complicado.
Acabei fazendo uma análise e, contrariado, decidi não levar o colete equilibrador, optando pelo aluguel do equipamento diretamente na operadora de mergulho.
No caso do regulador, optei pela configuração mais simples possível, e adotei o transmissor do computador no lugar no manômetro, eliminando assim, uma das mangueiras.

Quanto ao Octopus, decidi utilizar um modelo integrado na mangueira do colete. A mesma mangueira que fornece o gás para o colete, também fornece para o Octopus. Dessa forma, menos outra mangueira.
Quanto as nadadeiras, atualmente encontramos no mercado a nadadeira HyFlex Switch da Tusa, que permite desmontar a pala da calçadeira, possibilitando guardar a nadadeira em uma mala pequena, cabendo no compartimento superior de bagagens do avião, não sendo preciso fazer o despacho dela no check-in, eliminado a possibilidade de furtos ou extravios.
Para transportar os equipamentos até a operadora de mergulho, utilizei uma mochila de apneísta, normalmente utilizada pelos praticantes do snorkeling.
Ela bolsa é mais fina e comprida na altura, permitindo levar as nadadeiras com facilidade, possuindo um acabamento drenante, que permite que a água escorra durante o retorno do mergulho. Como planejava regressar dos mergulhos e ir para a praia encontrar os familiares, o dreno ajudaria na secagem dos equipamentos antes de retornar ao hotel.
Resultado Final
No final o resultado foi satisfatório, pois consegui viajar com uma mala pequena e sem dores de cabeça com agentes aeroportuários perturbando com tamanho e peso da bagagem.
Foi possível levar o regulador com octopus, transmissor do computador de mergulho, nadadeiras, máscara, marking bag, spool, roupa e botas na mochila.
Pelo menos pra mim, certamente não é o ideal, pois tenho preferência de sempre usar todo o meu equipamento, mas se a viagem não é voltada 100% para mergulho, pode ser uma opção para viajar levando poucos equipamentos e evitar a possibilidade de alguns inconvenientes.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



