Válvulas J e K – Provavelmente você não sabe por que são chamadas assim

Se você perguntar ao instrutor de mergulho porque as válvulas se chamam “J ou K”, provavelmente vai escutar a seguinte resposta:

 

Válvula J é a válvula com reserva e a Válvula K é sem reserva
Isso até é verdade, mas você sabe por que elas se chamam J e K ?

 

Alguns chegam a afirmar que a válvula J (com reserva) teria esse nome em razão do formato da haste metálica de acionamento da reserva ser parecida com a letra “J”, mas o nome não veio disso.

Antigamente na relação de preços de equipamentos de mergulho da Aqualung para distribuidores, os itens eram listados por letras, e a válvula com reserva era o item J na listagem.

Já a válvula sem reserva, era o item K na lista.

Com o tempo, os vendedores passaram a chamá-las de válvulas J e K, e o mercado acabou adotando o nome sem saber por que se chamavam assim.

 

 

Mas o que são válvulas J ?

No passado quando o manômetro de imersão não existia no mercado, o mergulhador só tinha uma ideia razoável da quantidade de gás no cilindro através do cálculo entre tempo de fundo X consumo médio e profundidade, ou seja, não havia uma precisão.

Com o uso da válvula J, quando a pressão caía e alcançava certo patamar, algo em torno dos 500 a 750 PSI, a pressão fornecida ao segundo estágio do regulador diminuía bastante, fazendo com que o mergulhador percebesse que estava ficando difícil respirar, e consequentemente, alertando-o que o gás do cilindro atingira o “limite de segurança” adotado naquela época.

Com isso, o mergulhador acessava uma haste metálica para puxá-la para baixo, e ao fazer isso, a haste acionava um mecanismo presente na válvula J que acabava permitindo que o restante do gás saísse sem a restrição de “alerta ao mergulhador”, e com isso, a respiração voltava ao normal, permitindo que o mergulhador retornasse até a superfície respirando normalmente e ciente de que a pressão gás no cilindro de mergulho já estava baixa.

Com o uso do manômetro, esse tipo de válvula foi substituída pelo modelo “K” (sem reserva), tornando o mergulho muito mais seguro e preciso.

Colaboração: Miguel Lopes e Vagner Marretti

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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