Embarcação de alumínio para mergulho

Em muitos locais do Brasil, nem sempre encontramos operadoras de mergulho disponíveis e que possibilitem o mergulho em determinados pontos. Pior que isso, muitas vezes nem embarcações encontramos para que possamos alugá-las.

Mas o que fazer numa situação com essa ?

A solução é levar um barco até um local que esteja o mais próximo do ponto de mergulho e sair em direção ao mesmo, e essa foi a solução que eu e alguns amigos adotamos para a execução de alguns mergulhos em um determinado naufrágio ponto na costa sul fluminense, precisamente, entre as cidades de Paraty e Ubatuba, num paredão rochoso.

Durante muito tempo, comentava sobre o naufrágio com alguns amigos, e alguns deles sempre diziam que gostariam de conhecer o tal naufrágio, porém, como a localização desse naufrágio é meio ‘ingrata”, pois está distante das operadoras de Paraty e Ubatuba, e quando conseguíamos um barco que nos levasse até ele, o preço na época era exorbitante, dificultando a operação em si.

Após algumas pesquisas, adotamos o uso de duas embarcações de alumínio, que está longe dos melhores mundos, mas que nos permitiria sair de uma praia mais próxima e executar nossos mergulhos.

Como não há uma empresa por trás de todo o processo, mergulhar com uma embarcação de alumínio é sempre um processo trabalhoso, exigindo um estudo sobre o local, condições climáticas e treinamento por parte dos marinheiros responsáveis pela navegação e espera enquanto mergulhávamos.

Não é um processo para qualquer mergulhador. Para se fazer isso, boa experiência em mergulho e conhecimentos em navegação são imprescindíveis.

E como tudo na vida, o uso de embarcações de alumínio para a execução de mergulhos em mar, possui pontos positivos e negativos, que devem ser analisados atentamente, para tentar evitar surpresas indesejadas.

Vejamos abaixo:

  • Devemos ter em mente, que esse tipo de embarcação não é a ideal para mergulhos. Eles podem ser um “quebra-gralho” para casos especiais e que não ofereçam risco ao mergulhador;
  • Como não é uma embarcação voltada para o mergulho, barcos de alumínio não possuem estabilidade, havendo inclusive, a possibilidade da mesma virar durante a navegação, conforme o tipo de ondulação. Nesse caso, deve-se tomar cuidado com a localidade onde o mergulho será realizado e principalmente, que a navegação seja próxima da zona costeira, permitindo uma natação até as pedras numa eventual situação de emergência;
  • A criação de um tipo de sinalização para o caso da embarcação virar (emborcar) não pode ser descartada. Nesse caso, o que deve ser feito no mínimo, é ter um cabo com comprimento maior que a profundidade do local onde a navegação será realizada, tendo uma boia em sua extremidade. Isso facilitará o encontro da embarcação no caso de um resgate;
  • Deve haver uma pessoa em terra munida de rádio e celular, para um possível contato. Independente disso, marque um horário de retorno;
  • O uso de uma embarcação de alumínio deve ser a última hipótese em um plano de mergulho, isso, se realmente as condições de navegação no local pretendido foram favoráveis para a execução desse mergulho. No nosso caso, a navegação era tranquila em 80% do trajeto e 20% podendo ser complicada, devido ao fato do local receber pequenas ondulações provenientes de alto-mar. Nesse caso, uma análise dos dias que antecedem a operação de mergulho é imprescindível, e o mergulho só deve ser realizado se as condições estiverem 100% favoráveis;
  • Use somente cilindros S80 e nada diferente disso. A entrada e saída da água são muito mais complexas quando se usa esse tipo de embarcação;
  • Fique atento ao peso dos equipamentos e número de tripulantes. A embarcação deverá estar leve e com boa velocidade de cruzeiro;
  • O marinheiro deverá ser treinado e saber como será a operação;
  • Tenha no mínimo um rádio VHF e um celular à bordo, além do equipamento de sinalização.

Tenha em mente, que a utilização de embarcações de alumínio só devem ser usadas em última hipótese, isso, se as condições do local onde se pretende mergulhar forem favoráveis e se os mergulhadores forem experientes.

Jamais cogite utilizar embarcações de alumínio em locais distantes da costa.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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