Por uma questão de estética e saúde, muitos mergulhadores utilizam o aparelho ortodôntico para corrigir o posicionamento dos dentes, e com isso, surgem algumas dúvidas se a utilização desses aparelhos causam algum tipo de dificuldade para mergulhar.
O aparelho utilizado na maioria dos casos, possui pequenas peças metálicas denominadas “brackets”, que são fixados nos dentes por uma resina especial, permitindo a fixação por meses (ou até anos) nos dentes do mergulhador e, até o término do tratamento com os dentes alinhados.
Esses brackets utilizam metais de alta resistência como o aço inox e titânio, que são resistentes à água salgada e não havendo qualquer possibilidade de ferrugem e oxidação.
Hoje no mercado também encontramos brackets fabricados em porcelana e que chamam menos a atenção, por não se destacarem como o modelo metálico, porém, são mais caros e menos resistentes.
Quando um mergulhador utiliza um aparelho ortodôntico, o principal problema que ele pode ter é com o contato do bocal, do segundo estágio do regulador de mergulho. Alguns modelos possuem uma anatomia especialmente desenhada para deixar o regulador mais estável na boca do mergulhador, possuindo um prolongamento para haver um contato maior na área superior da boca.
Esse prolongamento superior pode acabar tendo contato direto com os brackets, dificultando a colocação do segundo estágio na boca do mergulhador, ou até, impedindo o uso do segundo estágio em alguns casos mais raros.

Bocal moldável
Uma solução para o caso acima, é substituir o bocal do segundo estágio por um modelo com mordedores mais extensos. Isso trará mais benefícios ao mergulhador, como:
- Mais espaço para o encaixe dos dentes;
- Uma mordida melhor e mais firme pelo mergulhador;
- Permitir que o bracket se encaixe perfeitamente;
- Elimina possíveis dificuldades que o mergulhador venha a ter.
Outra possibilidade é utilizar um bocal moldável, que como o próprio nome diz, ele se molda ao formato dos dentes do mergulhador.
Como aspectos negativos, o custo do bocal moldável é mais elevado e mais complicado de ser encontrado no Brasil. Além disso, com o passar dos tempos, ele deverá perder a função, pois com a movimentação dos dentes, esse tipo de bocal deixará de ter o encaixe perfeito como antes, e você será obrigado a fazer a substituição por um novo, para obter um novo molde.
A calma faz a diferença
Um cuidado importante que o mergulhador deve ter ao utilizar um aparelho ortodôntico, é com a colocação do segundo estágio na boca antes de mergulhar.
Colocá-lo com pressa, poderá fazer com que o mergulhador morda o bocal de forma incorreta, aumentando as chances de algum bracket se soltar de algum dente, obrigando ao mergulhador o imediato retorno ao dentista para a recolocação do bracket que se desprendeu.
Imagine estar no exterior em uma viagem de mergulho e algum desses brackets se soltarem por um descuido ?

A dica fundamental é que o mergulhador deve utilizar um regulador com bocal adequado, colocando-o lentamente na boca, e obviamente, ir frequentemente ao dentista para monitorar o andamento do tratamento.
Colaboração: Dr. José Maurício Rodrigues

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



