Com a disseminação do mergulho no país, acabou havendo um aumento considerável de profissionais na área, e com isso, aumentaram também alguns problemas.
Um deles e talvez o pior, são as pessoas desqualificadas para atuarem como guias e instrutores de mergulho. Esse tipo de problema está ocorrendo com maior frequência em cidades turísticas com algumas lojas à beira da praia oferecendo serviços de batismo e rápidos cursos de mergulho, sem possuir estrutura básica adequada para tal.
Tempo X Segurança
O turista viaja querendo aproveitar cada minuto da viagem, pois ele sabe que não tem muito tempo pra perder, e com nessa “correria”, acaba sendo convencido através de um bate-papo rápido na beira da praia, de que é possível mergulhar de forma rápida e com “toda a segurança” possível, e é justamente aí que mora o perigo.
Muitas dessas empresas não se preocupam com o aspecto segurança, conseguindo assim, preços mais atraentes que as escolas e operadoras de mergulho mais comprometidas com a atividade, e infelizmente muitos clientes acabam mordendo a isca e se colocando sua vida em risco por desconhecer os pontos básicos da segurança no mergulho.
Preços mais baixos, formação precária e treinamento são deixados de lado, aumentando consideravelmente a possibilidade de acidentes com os turistas.
Aspectos praticados por algumas empresas de praia
- Explicam o “básico do básico”;
- Normalmente usam material de baixa qualidade e performance;
- Não possuem treinamento de primeiros socorros ou sem formação em mergulho;
- Rotatividade é o objetivo;
- Podem espantar possíveis futuros mergulhadores;
- Algumas turistas acabam sofrendo “cantadas” dos guias, ou pior, até abuso sexual, como ocorreu em Maragogi alguns anos atrás;
- Uma pessoa guiando turistas em excesso e sem conseguir dar a atenção necessária a todos, como ocorreu recentemente e tendo como resultado a morte da turista argentina.

Denunciar é a melhor opção
Quando uma empresa de beira de praia está praticando a atividade de forma ilegal e/ou colocando os turistas em risco de morte, o melhor a ser feito é denunciar o problema as autoridades competentes e aos escritórios das certificadoras de mergulho, caso a empresa envolvida esteja utilizando a bandeira de alguma delas.
Nós mergulhadores não podemos permitir que esse tipo de empresa atuando de forma perigosa continue colocando em risco o turista desavisado.
Não havendo a fiscalização no local, uma possibilidade é realizar a denúncia diretamente ao Ministério Público do Estado, alertando para o problema.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



