Com frequência vejo alguns mergulhadores e divemasters iniciando o mergulho indo direto para o fundo arenoso, e isso nem sempre é uma boa.
Em algumas ocasiões durante o mergulho, encontramos o que chamamos de Termoclina, que é uma camada de água com variação de temperatura, iniciando numa determinada profundidade indo em direção ao fundo.
Ela pode ser facilmente percebida pelo mergulhador, pois durante a descida ocorre uma variação brusca de temperatura, e o mergulhador sente que a água se torna gelada de uma hora pra outra.
Quando encontramos esse tipo de situação, muitas vezes o recomendável é evitar descer ainda mais, pois se a temperatura for muito baixa, normalmente ocorrerá um acúmulo de vida marinha na camada com temperatura mais alta, ou seja, mais quente e na área mais rasa.
Na faixa com temperatura mais gélida, você encontrará menos peixes e a visibilidade tende a estar reduzida, e com isso, além de um aproveitamento menor do mergulho, não teremos tanta coisa para apreciar, porque a vida marinha simplesmente foi para profundidades menores.
Além disso, mergulhando em uma profundidade maior, haverá também um consumo maior de gás, e consequentemente uma diminuição do tempo de fundo, além do aumento de esforço físico e a possibilidade de sensação de frio. Resumindo, não é uma boa ir para o fundo sob uma termoclina.
Infelizmente não é raro presenciar um divemaster levando seus clientes para as áreas mais profundas sob a condição de termoclina, e muitas vezes isso tem um propósito: Terminar o mergulho mais cedo para que ele trabalhe menos.
Além de não ser profissional e ser antiético, é uma falta de visão deste “profissional”, pois como ele depende dos clientes para receber seu pagamento, ele precisa ter clientes satisfeitos, felizes em realizar o mergulho e que tenham o desejo de retornar ao destino para mergulhar novamente, pois assim, o capital gira e todos saem felizes. Mas se o cliente sai desolado do mergulho por ter passado frio e não ter visto nada, qual a probabilidade dele querer voltar a mergulhar neste ponto, falar bem e divulgar o destino aos amigos ?
Procure ficar atento. Se você perceber que há uma termoclina, saia dela e mantenha-se na área onde a temperatura é mais alta, pois certamente você irá aproveitar muito mais o mergulho e terá uma chance maior de avistar mais seres marinhos e conseguir belas imagens.
Se está em um mergulho guiado, faça sinal ao divemaster e peça para ir para a faixa onde a água está mais quente. Se ele insistir em continuar na água gelada sem um propósito específico, a minha dica é: Insista em subir ou reclame.
Você está pagando pelo mergulho e deseja curtir o momento, afinal de contas, você provavelmente veio de longe para ter um bom mergulho.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



