Muitos mergulhadores preferem não investir em uma caixa estanque fabricada em alumínio, em razão do custo superior e pela quantidade de acessórios envolvidos para um perfeito desempenho, e acabam comprando as caixas acrílicas da Nikon, Canon ou Made in China.
As caixas estanques em acrílico desses fabricantes necessitam de manutenção ainda mais frequente, e explico.
Por serem fabricadas com material de qualidade e acabamento inferior, é muito comum que as partes metálicas dos botões de acionamento acabem oxidando mais rapidamente, aumentando as chances de alagamento do compartimento, e por isso, não é raro ver algum mergulhador chateado porque perdeu sua câmera durante o mergulho.
Normalmente os alagamentos são causados pela falta de manutenção, e mesmo sendo fabricadas por marcas bem conhecidas, essas caixas precisam de atenção maior para que não ocorram imprevistos.
Com frequência maior, é preciso desmontar toda a caixa, remover todos os botões de acionamento e realizar a limpeza completa de todo o compartimento, removendo oxidações e resíduos que grudam em diversas partes da caixa.

Remoção básica de resíduos
Também é muito como ver mergulhadores colocando nos o-rings da caixa estanque a pasta de silicone em excesso, sendo uma ação desnecessária e que aumenta as chances de um alagamento.
Para lubrificar um o-ring, basta passar uma fina camada de silicone, deixando o o-ring escorregadio e sem sobras dessa pasta.
Sobras de silicone contribuem para que pequenos resíduos grudem, como o próprio sal, e eventualmente, dificultam a movimentação do o-ring na sede, permitindo a entrada de água para o interior da caixa estanque. Ou ainda, atraindo cristais de sal que irão contribuir para que o o-ring tenha pequenos rasgos imperceptíveis ao olho humano.
Realizar a manutenção dessas caixas acrílicas requer conhecimento, técnica e algumas ferramentas especiais para realizar a desmontagem com segurança e sem danificar suas partes, caso contrário, você poderá perder sua caixa, pois os fabricantes não comercializam peças sobressalentes e você não conseguirá adquirir peça sobressalente no mercado, podendo ficar com a caixa parada em casa e sem uso.
Em São Paulo, o Clube do Mergulhador realiza a manutenção dessas caixas, sendo uma bora recomendação para a saúde de sua caixa estanque. O telefone deles é (11) 99528-6889.
O básico ajuda na manutenção
Não deixe sua caixa estanque em compartimentos e baldes com outras caixas estanques na embarcação, pois com a movimentação do barco, uma caixa poderá bater contra outra e, consequentemente, arranhar o vidro por onde a lente capta a imagem.
Além disso, o nível de salinidade poderá atrapalhar mais do que ajudar, por causa da água já contaminada.
Após o mergulho, lave sua caixa estanque com água doce e ao retornar para casa, lave novamente com água doce e a deixe imersa em um balde com água doce por 1h, para tentar evitar que o sal endureça nas saliências do equipamento.
Ao guardá-la, remova o o-ring principal e deixe-a aberta. Manter uma caixa estanque fechada com o o-ring principal em sua sede, contribuirá para a deformação dele e diminuirá a vida útil da sua caixa estanque.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



