Hidroides podem causar lesões nas mãos do mergulhador e, certamente você já teve contato com eles e não sabia.
É importante conhecer o problema e evitar a possibilidade de contato.
Para entender melhor sobre o assunto, vejamos um exemplo ocorrido com um mergulhador que acabou passando por consequências mais sérias:
Relato
Cinco dias após chegar de uma viagem de mergulho, as palmas de um mergulhador estavam coçando e ficaram avermelhadas.
Ele esteve atento durante o mergulho, tendo cuidado onde colocava as mãos, mas acabou usando o cabo da embarcação para realizar as paradas de segurança.
Talvez você concorde que realizar a parada de segurança usando o cabo da embarcação, seja uma boa alternativa, mas no caso deste mergulhador em questão, tudo indica que esse cabo foi a fonte do ferimento.
Os organismos da família dos hidroides colonizam os cabos de amarração e dão picadas semelhantes às das águas-vivas. Alguns outros organismos possuem nematocistos, que é uma estrutura presente nos cnidócitos dos animais. Funciona como um gatilho, que ao ser pressionado ou tocado, vai se prender no tecido da presa e liberar uma sustância urticante com capacidade de paralisar um animal.
Após o contato com estes seres, não é incomum o início tardio dos sintomas. Alguns mergulhadores apresentam sintomas iniciais óbvios, que desaparecem algum tempo depois, mas em alguns casos, pode haver uma nova manifestação dos sintomas dias depois.
Os dermatologistas referem-se a isso como uma reação de hipersensibilidade retardada, e o creme tópico de hidrocortisona é um primeiro tratamento razoável.
Se os sintomas não melhorarem dentro de 48h após o tratamento ou se continuarem a piorar, você deve consultar um médico.
Um tratamento mais definitivo é um uso de esteroides orais, como a prednisona, por exemplo.
A melhor forma de evitar o contato com os hidroides, é não tocar em nada ou simplesmente utilizar um par de luvas de qualidade.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



