Os estaleiros ingleses fabricaram a maior parte dos grandes navios nos últimos séculos, e talvez por isso, a grande maioria dos naufrágios ocorridos em nossa costa, tenha sido fabricados por eles.
Mais precisamente na Escócia, encontrávamos a maior parte dos grandes estaleiros, e até os dias atuais, ainda há muitos deles por lá e em plena atividade.
No ano de 2013 tive a oportunidade de conhecer a região de Dumbarton, próximo à Glasgow, onde encontra-se o Scottish Maritime Museum, um dos dois principais museus sobre a construção de embarcações (Irvine é o outro), sendo uma grande referência para os amantes de naufrágios, e para aqueles que pretendem se aprofundar no assunto em detalhes.
O local é um verdadeiro centro de informações, onde há inclusive, uma escola sobre o assunto. Encontramos por lá um tanque de testes onde é possível visualizar o tipo de ondulação provocada por cada tipo de embarcação, mostrando o arrasto e outros aspectos importantes para os estudos quanto ao desempenho da embarcação e coisas do tipo.
Além do grande banco de informações e registros dos navios fabricados por lá, encontramos outras áreas com maquetes, fotos, vídeos e diversos tipos de equipamentos para o desenvolvimento naval, além de um conteúdo variado sobre embarcações, possibilitando, por exemplo, conhecer as diferentes formas de bico de proa, tipos de eixos, hélices, e por aí vai.
Há muita informação sobre a construção de navios, e para quem gosta de mergulhar em naufrágios, é uma boa referência para que possa ampliar o conhecimento, onde certamente, o ajudará no reconhecimento das partes das embarcações durante o mergulho.
Dependendo da curiosidade, é possível conhecer o museu em uma manhã, mas se você for um daqueles aficionados que gostam de ver em detalhes, é melhor preparar um dia inteiro.
Como mencionei, o museu está localizado em Dumbarton, nas proximidades do Rio Clyde, principal rio por onde os antigos navios a vapor saíam dos estaleiros rumo ao oceano. O local está distante 1h da capital da Escócia, a cidade de Edimburgo, sendo uma viagem muito bacana em vários aspectos.
É uma pena que o museu fique tão distante e fora da rota dos principais destinos dos brasileiros, porque realmente vale muito a pena fazer uma visita por lá. Pra quem gosta de fazer pesquisas sobre naufrágios, seria primordial conhecer a história local e os dois museus citados acima, porque o volume de informações que eles detém, é imenso.
Mais informações no site do museu: www.scottishmaritimemuseum.org
Dica importante… ao sair do museu e for pegar a via principal, não esqueça de virar para a esquerda. Não faça como eu, que acabou deixando alguns idosos desesperados, ao me ver quase entrando na contramão. Lembre-se que as vias do Reino Unido são invertidas.
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Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



