Neste Dia Internacional da Mulher, entrevistamos a Cláudia Facin, mergulhadora desde 1996, e que além de instrutora de mergulho há anos, conhece como poucos a região de Paraty, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro.
Ela comenta sobre seu ingresso no mergulho a sua carreira como profissional deste mercado.
Como você ingressou no mergulho ?
Fiz meu curso básico em 1996, na Scuba Natação com o Alexandre Espinosa. Em 98 (já Dive Master), por conta de uma fusão na empresa em que trabalhava, resolvi que era a hora certa de mudar de área. Era gerente de comunicações em uma multinacional e fui para a Bahia construir um barco de mergulho com 18 metros de comprimento, que era o Anequim.
Com o barco pronto em 2000, estabelecemos nossa operação em Paraty. Operei com ele por 12 anos na Anequim Mergulho, antes de vendê-lo para a By Fish, de Arraial do Cabo.
Após a venda da operadora, fiquei afastada do mercado profissional por um ano até voltar a trabalhar como instrutora chefe em grandes operadoras da região.
Quando você decidiu começar a trabalhar no mercado do mergulho brasileiro e foi muito difícil no início ?
Sim, o início foi muito complicado. A construção da embarcação custou muito mais do que o esperado e foram tempos bem difíceis, inclusive, contando com ajuda de meus pais, vendendo nossos veículos, por exemplo. Enfim, os três primeiros anos foram realmente complicados, mas acredito que isso seja um problema comum de todas as pequenas empresas no Brasil e, especialmente, no mercado do mergulho.
Éramos pequenos empresários e não conseguimos nenhum suporte ou ajuda financeira de órgãos oficiais e, isso nos obrigou a vender muitos bens para poder investir em uma nova operadora. Os anos seguintes foram mais fáceis de serem administrados, até por que na época já estávamos construindo um nome como operadora.
Você teria ideia de quantos alunos formou em todo esse tempo ?
Nossa, (risos), realmente não tenho… Foram muitos e passei por três credenciadoras diferentes ao longo desse período. Meu trabalho como instrutora sempre foi realizado em Paraty. Nosso maior foco sempre foi o batismo (Discover Scuba) e as saídas de mergulho.
Tem ideia da quantidade de mergulhos realizados ?
Agora ficou mais difícil ainda !
Bem, tenho dias de operação onde chego a realizar 6 ou 7 mergulhos em um único dia, então, nossa média é bem alta.
Por estarmos em uma cidade turística, nossas saídas também ocorrem durante a semana, e com alto tráfego de estrangeiros (mesmo na baixa temporada durante a semana), em média realizo entre 200 e 300 mergulhos por ano. Levando em consideração que já se passaram mais de 20 anos, é possível ter uma noção.
Por que você escolheu a cidade de Paraty para ministrar os cursos e operações ?
Já frequentava a cidade de Paraty antes de me tornar profissional. Quando a embarcação Anequim ficou pronta, foi minha primeira opção.
A cidade oferece vários atrativos turísticos e possui um trânsito bom de turistas, mesmo na baixa temporada. Além disso, a vida noturna e o centro histórico de Paraty sempre foram atrativos para os mergulhadores, ao contrário de alguns lugares onde não se tem muita opção após a realização das atividades. Aqui em Paraty, até mesmo sair da operação e ir para a praia é uma opção. As operações fazem uma saída por dia e os pontos não são tão distantes assim, então é uma opção interessante para os mergulhadores que viajam em família.
Além disso, Paraty é uma localidade onde o mergulho quase nunca aborta. Nem mesmo nos piores cenários de vento e frente fria, pois a baía é muito abrigada e oferece pontos seguros, mesmo em condições de vento sudoeste. Isso é uma vantagem para as escolas de mergulho que frequentam a região, pois a certeza quanto a realização do check-out, garante o movimento e o cronograma de cursos das escolas, sem mencionar as águas calmas, claras e sem correnteza.
Qual a sua visão sobre o percentual de mulheres ingressando no mercado ?
Quando comecei, já tínhamos mulheres no mercado, mas o número em relação à quantidade de homens, era bem menor que hoje em dia. Era necessário se impor no trabalho, provar que conseguíamos carregar cilindros, rebocar mergulhadores, não enjoar, não ter frescura (risos), entender de motor, de compressor, compra de óleo, raspar fundo de barco, tinta tóxica e etc.
No fim, as pessoas realmente nos admiram e respeitam. E isso não tem preço.
Que recomendação daria para as mulheres que cogitam ingressar no mercado de mergulho ?
Na realidade são várias recomendações.
Em primeiro lugar, levem muito a sério a formação de vocês.
Existe hoje um bom mercado para mulheres instrutoras, fotógrafas e Dive Masters, e obviamente ainda somos avaliadas nas operações, mas temos uma grande quantidade de instrutoras atuando e dando verdadeiro exemplo de profissionalismo.
Agora, quanto ao lado feminino, preparem-se… unhas, cabelos e maquiagem deixam de existir (risos), é preciso amar a profissão com força (rsrsrs).
Possui algum conteúdo relacionado ao mergulho e acha que pode ser interessante dividir com outros mergulhadores ?
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