O mundo lamentou a morte de Rob Stewartm cinegrafista e ambientalista responsável pela produção do filme Sharkwater.
Na época, vários meios de comunicação noticiaram a morte do mergulhador com uma narrativa de que Peter Sotis era o culpado pela morte de Rob Stewart, e muitos afirmavam que Sotis era um mergulhador técnico experiente e que havia levado outro mergulhador técnico relativamente “inexperiente” para um local o qual ele não estava qualificado.
Pouco tempo depois, os pais de Rob Stewart ingressaram com uma ação no tribunal de justiça americano, sob a alegação de que Sotis, a operadora Horizon Divers, a tripulação do barco e o fabricante do rebreather seriam os culpados pelo incidente e morte de Steawart.
“O aluno confiou sua vida ao instrutor de mergulho, que o levou a um terceiro mergulho sem precedentes aos 75m de profundidade”, disse o advogado, Michael Haggard, em uma entrevista coletiva em Miami. Ele também sugeriu que as paradas descompressivas haviam sido reduzidas pelo instrutor de mergulho e, que Stewart, não estava preparado para realizar aquele tipo de mergulho e a grande quantidade em um mesmo dia, e Stewart, por falta de experiência, teria concordado com o planejamento do instrutor.
Recentemente dois documentos de defesa foram arquivados no caso Stewart e que oferecem informações sobre as qualificações de Stewart como mergulhador técnico.
Stewart possuía várias certificações como:
- Instrutor de mergulho pela PADI e TDI
- Instrutor de Rebreather Draeger Dolphin
- Instrutor Trimix
- Instrutor avançado de Trimix
- Instrutor de limite estendido
- Instrutor Blender
- Instrutor avançado em naufrágios
- Instrutor de procedimentos de descompressão
- Instrutor avançado em Nitrox
- Instrutor especialista em equipamentos
É indiscutível que algumas das certificações que Stewart possuía, permitiriam o uso de misturas para mergulhos profundos com procedimentos para descompressão e indiscutivelmente era qualificado como mergulhador técnico.
Não há dúvidas de que Stewart possuía conhecimento sobre os mergulhos realizados naquele dia, os riscos e compreendia totalmente as implicações de ajustar seu fator de gradiente e mistura de gás para encurtar os tempos de descompressão.
Os críticos contestaram que a experiência de Stewart estava relacionada ao mergulho em circuito aberto, não a rebreathers. Embora esse seja um argumento válido, Stewart realizou quase 50 mergulhos e um ano de treinamento em sua unidade de rebreather rEvo, e grande parte da teoria do mergulho profundo é a mesma, independentemente do aparelho que o mergulhador utiliza. Avaliar os riscos da doença descompressiva é uma lição básica no mergulho profundo.
Após essas novas revelações e em uma reviravolta interessante, os advogados da rEvo sugeriram agora que, se alguém foi negligente, foi a Sharkwater Productions, que estava produzindo uma filmagem, bem como o companheiro de Stewart, Brock Cahill, que organizou o mergulho com a Horizon, preparou o treinamento com Sotis e com a Add Helium, além de negociar os rebreathers com rEvo.
De acordo com os documentos do tribunal, a produtora Sharkwater deveria ter seguido os padrões canadenses e americanos para conduzir um mergulho seguro durante as filmagens, e eles afirmam que a Sharkwater Productions não fez isso.
Outras revelações
Novos documentos também alegam que Stewart não revelou uma condição médica preexistente – uma predisposição para desmaiar e ele nunca mencionou em sua liberação médica quando começou a treinar. De acordo com o processo judicial, “Robert Stewart, no todo ou em parte, causou a lesão, o incidente e os danos alegados, por não divulgar intencionalmente as condições médicas pré-existentes que o tornaram impróprio para a operação de mergulho comercial em que estava envolvido. Ele não informou em três questionários médicos separados entregue para serem preenchidos por ele e enviados ao Sotis e a operadora Add Helium.
O documento do tribunal sugere que se a empresa soubesse sobre uma predisposição para desmaiar, a Sotis e a Add Helium não teriam aceito Stewart como aluno.
As consequências do processo continuam. A empresa Add Helium de Sotis faliu e Sotis diz que deixou a indústria do mergulho para sempre. O caso está se arrastando para o final de seu quarto ano.
Sotis acabou sendo preso posteriormente pela receita federal americana e pela exportação ilegal de itens proibidos para Líbia. Ele foi acusado de contrabando, formação de quadrilha para violar e tentativa de violação civil e militar sem a necessária licença do Departamento de Comércio.
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