Mara Rosa – Mergulhando em Goiás

Sempre ouvi falar dos mergulhos no Estado de Goiás, e provavelmente, o mais famoso deles entre os mergulhadores recreativos, seja Mara Rosa.

Também conhecido pelo nome de “Lago Azul”, esse nome não é por qualquer razão. A pedreira de Mara Rosa possui uma água com azul intenso, onde antigamente era extraído o ouro.

Com o passar dos tempos, essa extração ficou inviável, as máquinas foram retiradas e, por haver um lençol freático no subsolo, aos poucos a pedreira foi inundando até ficar totalmente alagada e se tornando um ponto turístico local.

Ela está dentro de uma área privada, contudo, o acesso é permitido pelo proprietário, sendo muito frequentada pelos moradores da região e pelos mergulhadores que viram no lago, um excelente local para a recreação, realização de cursos de mergulho e treinamento para mergulho técnico.

Este ano fui até o local a convite do instrutor de mergulho Michel Med, da escola e operadora Dive Water, de Brasília, sendo uma das principais referências do país, pelo profissionalismo reconhecido ao longo de todos esses anos.

Mara Rosa está ao norte do Estado de Goiás e distante aproximadamente 340Km da capital Brasília, sendo um percurso realizado em 4h de carro.

Ao chegarmos à cidade, nossa primeira parada foi na Pousada Flávio’s (que é já é uma referência entre os mergulhadores), onde realizamos o check-in e deixamos as malas nos quartos, para ir mergulhar depois.

Mara Rosa em si é uma cidade pacata, com grande tranquilidade e onde certamente você conseguirá descansar muito bem com o silêncio do local.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

O mergulho

Saímos da pousada seguimos em direção da pedreira, que fica distante 15Km do centro de Mara Rosa, passando por um trecho de estrada de terra. O acesso até pedreira é bom, e no local que se torna a base de mergulho, possui amplo espaço para estacionamento, segurança e montagem dos equipamentos.

Ao chegar ao local e ver o grande lago e o azul intenso da água é de impressionar.

A pedreira possui aproximadamente 227m de comprimento por 135 de largura, onde a profundidade máxima ultrapassa os 72m.

Durante o mergulho, nos deparamos com alguns veículos no fundo do grande lago e que se tornaram um atrativo para os mergulhadores. A antiga estrada utilizada pelos grandes caminhões de minério, também serve como referência visual aos mergulhadores, permitindo a realização de um mergulho multinível com tranquilidade.

No fundo do lago encontramos outros atrativos, como um altar, onde os mergulhadores acabam passando e registrando algumas imagens.

Aliás, por não haver correntes como ocorre 3m alguns mergulhos realizados no mar, mergulhar em Mara Rosa é muito tranquilo, pois há boa visibilidade e temperatura elevada dentro e fora d’água. Uma roupa de neoprene comum ou semi-seca, permitirá ao mergulhador ter uma boa experiência, pois a temperatura média da água gira em torno dos 25 e 32ºC.

Aos 48m de profundidade há um conduto que era utilizado pelos caminhões de minério, e que permite ao mergulhador de caverna entrar no ambiente com teto, sendo um bom local para treinamentos. A outra saída está aos 60m de profundidade, exigindo equipamentos e habilidades adequadas para este tipo de mergulho.

No local há outras entradas permitindo o mergulhador entrar em ambientes com teto, havendo inclusive um cabeamento, mas é preciso ter em mente que esse mergulho é fundo e não deve ser realizado por mergulhadores sem experiência e equipamentos para tal.

Sem dúvidas Mara Rosa promove excelentes mergulhos, sendo ótimo para a realização de cursos e treinamentos em geral.

A água azulada gera boas imagens de um mergulho muito tranquilo e fácil de ser realizado.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Serviços

Infelizmente a cidade de Mara Rosa não possui estrutura de mergulho, e a melhor opção é visitar o local utilizando uma operação promovida por alguma escola / operadora.

Minha recomendação é a Dive Water, de Brasília, que já atua há muitos anos no mercado e possui toda a infraestrutura, equipamentos e sistema de recarga para os mergulhadores, chegando inclusive, a utilizar um pequeno caminhão para transportar todos os equipamentos para o local e realizar as recargas mais complexas com misturas de gases em uma área apropriada da pousada, onde os mergulhadores ficam hospedados.

A operadora também possui grande quantidade de cilindros e gases para atender os mergulhadores técnicos.

Por ser uma cidade pequena, Mara Rosa não possui diversidade em opções de estadia. Na ocasião, ficamos muito bem hospedados na Pousada Flávio’s (Telefone: 62 3366-1834), que é uma pousada com muitos quartos confortáveis e um atendimento impecável, além de prover toda a alimentação dos mergulhadores com uma comida caseira sensacional.

Na própria pousada o mergulhador tem atendimento 24h, podendo a qualquer momento, comprar petiscos, bebidas e outras necessidades como pilhas e coisas do tipo.

Entre os meses de dezembro à fevereiro, o mergulho fica mais prejudicado em razão das chuvas, diminuindo as condições de visibilidade.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Agradecimentos

Meus agradecimentos ao Michel Med, Renata Dutra e equipe da escola / operadora Dive Water, pelo convite, receptividade e todo o apoio dado para conhecer o local.

A Neusa, proprietária da Pousada Flávio’s, pelo ótimo atendimento, nos fazendo sentir em casa.

Não posso esquecer dos amigos e clientes do Michel que participaram da viagem, tornando o final de semana muito animado, bacana e agradável.

 

Nota

No início de 2026, Mara Rosa foi fechada após uma limitar do Ministério Público do Estado de Goiás, em razão de problemas administrativos. Leia mais aqui.

 

Galeria de Imagens

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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