Podemos dizer que o pior período da pandemia da COVID-19 passou e, aos poucos, o mundo se levanta dessa catástrofe mundial que interferiu na vida de todos, impedindo todos de mergulhar e viajar por todos os cantos do mundo.
Obviamente, as companhias aéreas também sofreram com o problema e tiveram que se readequar com novas situações e problemas que surgiram, e posso até afirmar, que no passado era “muito legal” viajar de avião, mas de uns tempos pra cá, voar se tornou uma coisa chata, cansativa e até irritante algumas vezes.
Iniciando a viagem, ou drama…
No início do ano iria para um determinado destino no Brasil com a companhia LATAM, utilizando os pontos do programa de milhas Multiplus, e começaram as dúvidas, problemas, demoras e coisas do tipo. Isso porque ao que parece, a Multiplus teria acabado (ou não ?), e confesso que ainda não descobri o que de fato aconteceu com o programa de milhagem.
No passado possuía um login e senha para cada um deles, sendo um para a TAM e outro para o Multiplus. Ora tinha que entrar com o login de números, ora com e-mail ou CPF, enfim, uma zona completa. Pra piorar, ainda existia a senha de emissão de bilhete.
Recentemente percebi que entrava no site da Multiplus para buscar passagens por pontos, mas a emissão final passou a ser feita diretamente pelo site da nova TAM, que passou a ser chamada de LATAM.
Com o site na tela, a senha não entrava, e por algum motivo que sabe lá Deus porque, tive que resetar a senha, porque algo aconteceu e minha senha não estava batendo. Após vários “resets”, finalmente conseguir entrar com a nova senha, busco as passagens, seleciono os voos e quando vou para a outra tela, o site solicite o login novamente. E assim, foram inúmeras tentativas até a hora em que desisti ao receber a tela de “site fora do ar, volte mais tarde”.
Após três dias, finalmente consegui emitir os bilhetes e pagar uma “taxa extra” para bagagem despachada de 23kg, afinal de contas, ser fotógrafo subaquático e conseguir levar tudo em uma bagagem de 10Kg é humanamente impossível.
Com a piora da pandemia, tive que alterar a data da viagem por alguns meses e lá se foi uns bons minutos para encontrar um número de contato no site da LATAM, pois eles não facilitam que você chegue até eles, e claro, se podem atrapalhar, é melhor não é ?
Após 1h aguardando, finalmente chego num atendente e consigo postergar a viagem, depois de 50min ao telefone.
No aeroporto – A saga continua
Com o voo saindo às 6h da manhã, decidi chegar duas horas antes (4h da manhã), e apesar do aeroporto de Congonhas só liberar decolagens a partir das 6h da manhã, o saguão principal já estava lotado, com filas enormes para emissão do cartão de embarque e guichês de atendimento com apenas dois atendentes para o despacho de bagagem.
Ao fazer check-in on-line no dia anterior ainda em casa, o sistema da LATAM não reconheceu o pagamento da bagagem extra, então, tive que pedir ajuda no aeroporto antes do embarque, e assim, tive que entrar em uma fila para uma nova emissão de cartão de embarque e depois, novamente em outra fila para despacho de bagagem.
Acha que acabou ?
Não, o atendente não encontra no sistema a bagagem acompanhada com status de paga, mostro comprovante e tudo mais, e ele decide liberar no sistema utilizando a opção “outros”, afirmando que fez a liberação por decisão própria. Como assim ???
Também não entendi, e assim fui para a área de embarque.
Chegando lá, escuto a equipe da LATAM informando que o voo estava lotado e que as bagagens de mão com até 10Kg deveriam ser despachadas, pois não haveria espaço nos bagageiros superiores dentro da cabine. Ora, porque já não perguntam isso lá embaixo e deixam pra perguntar na hora do embarque ?
Resumindo, tumulto com dezenas de pessoas despachando bagagens de mão com muito mais quilos do que os atuais 10Kg permitidos na última hora.
Chegando próximo ao horário, surgiu aquela multidão de gente querendo entrar como se fosse o último bote do Titanic a zarpar, e pra tentar melhorar esse caos, a LATAM está usando o procedimento de “Grupos de Embarque”.
Já vi outras companhias usando este procedimento em voos internacionais, mas não em um voo nacional aqui no Brasil, e assim chamaram as pessoas com bilhetes informando Grupo 1, Grupo 2, Grupo 3, mas quando chegou ao Grupo 4, já havia uma mistura de grupos, uma zona, um caos, gente querendo passar na frente, pessoas se empurrando e coisas do tipo, como se o avião fosse fechar as portas e sair correndo.
Já dentro do avião percebo uma novidade negativa, pelo menos pra mim…
Alguns dos primeiros bagageiros superiores estão com um adesivo denominado “LATAM+ Exclusivo”, que direcionado as pessoas que pagaram “uma taxa a mais”, para embarcar primeiro e poder colocar sua bagagem de mão nesses locais.
Ou seja, quem pagar mais leva, e assim, piorando aquela imagem que viajar de avião é muito legal…

Depois do caos, somos informados que não haverá serviço de bordo, apenas o fornecimento de copos de água, pois a pessoa não pode baixar a máscara para comer ou beber. Confesso que fiquei em dúvida, pois se uma pessoa ficar com fome, ela não poderá comer ?
Não deveriam informar isso previamente ?
Como está essa questão nos voos de longa duração ?
Meu voo em si durou 2:30h, e já foi uma tortura ter que viajar o tempo todo usando máscara contra Covid-19, mas felizmente consegui chegar ileso ao destino.
Após o pouso e chegada ao finger, novo procedimento de desembarque em grupos sendo informado pelas aeromoças, e saem as primeiras três fileiras, depois as fileiras 6 a 9, e assim por diante, até o momento em que as pessoas começam a perder a paciência e começam a se levantar e a sair todos ao mesmo tempo, afinal, somos brasileiros.
Dicas
Não deixe pra resolver um problema com a passagem em cima da hora. Procure um atendimento antes ou chegue mais cedo que o recomendado ao aeroporto.
Pegue conexões longas. Os procedimentos estão lentos e chegar em cima da hora a um aeroporto para pegar outro voo, haverá grande chance de perdê-lo.
Procure levar o mínimo de objetos, pois está cada vez mais caro viajar de avião em razão das taxas. Quando paguei a bagagem despachada, foram R$ 150 para uma bagagem com até 23Kg, contido, quando viajei, mudaram o processo e criaram uma taxa para até 15 e 23Kg, onde obviamente, a taxa de 23Kg ficou bem mais cara.
Aquele papo de baixar os valores das passagens já foi por água abaixo e ainda por cima entubaram esse custo de taxa extra de bagagem despachada. Algo que era óbvio para todos, inclusive, para quem acredita em Papai Noel.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



