No ano passado publiquei um artigo relatando as possibilidades do Rebocador Eduardo ser o naufrágio localizado nas proximidades da Ilha dos Porcos, em Arraial do Cabo-RJ.
Como esse naufrágio não foi identificado, acabou recebendo na época o nome de Canal dos Porcos, pelos mergulhadores que confirmaram a presença dele no local.
Voltando ao naufrágio do Rebocador Eduardo, antes do incidente, ele começou a ter problemas de alagamento durante o reboque e acabou sendo levado em direção à Praia do Forno, mas acabou naufragando antes chegar à praia.
Agora, durante uma recente pesquisa em antigos documentos, encontrei informações sobre outro naufrágio ocorrido naquela região, o Marambi.
Segundo o documento, tratava-se de um pequeno vapor com casco de madeira e que transportava na ocasião aproximadamente 100 toneladas de carga diversa.
Ele havia saído da cidade do Rio de Janeiro e seguia em direção à São João da Barra, que fica localizada mais ao norte do Estado do Rio de Janeiro.
Na altura de Arraial do Cabo a tripulação detectou o surgimento de um alagamento na embarcação e o capitão passou a rumar em direção à costa até ficar sem motor por causa da água que alcançou os compartimentos inferiores.
Após duas horas flutando sem destino (à matroca) e sendo levados pelo mar, a tripulação do Vapor Poti que navegava nas adjacências, percebeu o problema do Marambi e foi em direção deles para ajudá-los.
Após toda a faina (procedimentos), iniciaram o reboque do Marambi em direção à Praia do Forno, mesma situação ocorrida com o Rebocador Eduardo anos depois.
Segundo o antigo documento, quando estavam distante 2 milhas do Boqueirão de Arraial de Cabo, o Marambi acabou naufragando.

Visualizando a carta náutica acima, as duas milhas do Boqueirão de Arraial do Cabo são compatíveis com a área onde se encontra o naufrágio Canal dos Porcos, que anteriormente cheguei a cogitar na possibilidade de ser o Rebocador Eduardo.
Agora com as informações encontradas sobre o vapor Marambi, o mistério aumenta sobre a origem do naufrágio “Canal dos Porcos”, que até o momento, não foi possível ser identificado em razão da profundidade em que se encontra (47m), e principalmente, pelas condições de mergulho naquele local.
Todos os mergulhadores que estiveram no local do naufrágio do “Canal dos Porcos”, acabaram encontrando baixíssima visibilidade.
Numa ocasião em que estive com o Antônio Couto, ex-proprietário da operadora Deep Trip, chegamos a encontrar 2m de visibilidade no fundo e condições ideais de mergulho, mas como não tínhamos a marca precisa, porque ela não estava liberada, infelizmente acabamos não encontrando o naufrágio em nossa primeira tentativa de mergulho por lá.
Agora, é esperar que algum mergulhador técnico se disponha a retornar ao local e tentar colher mais dados e imagens do naufrágio para que ele finalmente seja identificado e acabe com todo esse mistério, afinal de contas, não podemos descartar a possibilidade dele ser um terceiro naufrágio até então desconhecido.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



