Um grupo com 17 mergulhadores acabou sendo resgatado no último sábado, depois da embarcação de mergulho naufragar ao largo do Cabo Espichel, em Sesimbra.
Segundo a Autoridade Marítima Nacional (AMN), o alerta foi dado às 11:15h e o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa (MRCC Lisboa) foi informado que uma embarcação havia naufragado com 17 pessoas a bordo.
Os 17 mergulhadores acabaram sendo resgatados por uma embarcação que passava nas proximidades, sendo transportados posteriormente até a base a Estação Salva-Vidas, no porto de Sesimbra.
“Felizmente ninguém se machucou e não foi necessário prestar assistência médica às vítimas, que se encontravam “bem fisicamente”, disse um dos coordenadores do resgate.
As causas do naufrágio estão serão apuradas
Relato de um mergulhador
Por intermédio de uma colaboradora, conseguimos contato com um mergulhador (R.P.R) que foi um dos 17 náufragos.
Segundo ele, haviam acabado de retornar do segundo mergulho e quando iam subir na embarcação, ela começou a afundar rapidamente e foi tudo muito rápido.
Veja abaixo seu relato:
“Costuma-se dizer que há sempre uma primeira vez para tudo. Felizmente não é verdade: isso poupa-nos a muitas más experiências.
Eu, por exemplo, nunca passei fome e sinto-me grato por isso, até porque poderá haver uma primeira vez…
Hoje tive uma boa e uma má experiência. Acordei às 6:45, saí às 7:45, estavam 3ºC, fui para Sesimbra. Fizemos um mergulho muito agradável na Catrapona. Havia quem mergulhasse por estes lados há mais de 20 anos sem lá ter ido. Nunca tinha mergulhado tão longe de terra (uns 750m) e tão fundo (43.5 m).
Fui com colegas de mergulho com quem gosto de estar. Vi coisas que nunca tinha visto antes, nomeadamente uma salpa enorme. Isto foi a boa experiência. Já no barco e quando já só faltava subir a bordo um mergulhador, naufragámos. Foi tudo muito rápido, coisa de minutos, mas houve tempo de lançar as balsas salva-vidas e sairmos do barco em segurança. Não houve mortos nem feridos. Nunca imaginei que fosse tão triste ver naufragar um barco, vê-lo a afundar lentamente e com ele levar a esperança, ver a tristeza da tripulação.
Perdi equipamento. Todos perdemos. O centro de mergulho mais que todos, perdeu o barco. Mas mesmo nesta tristeza há aspetos bons. Não houve mortos nem feridos. Tínhamos todos os meios salva-vidas necessários (balsa, rádio e quem soubesse usar). A tripulação cuidou de nós. Os mergulhadores entreajudaram-se.
O comandante foi o último a abandonar a embarcação. O pessoal de terra acolheu-nos bem. Tudo foi sereno, apesar de tudo.
Obrigado Ricardo, Mariana e Samuel. Foram fantásticos. E claro, obrigado à Tiziana e ao ISN – Instituto de Socorros a Náufragos. Para a semana volto a mergulhar, com o equipamento que me restou. Sou um privilegiado.”
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