Recentemente a administração da maior feira de mergulho do mundo, o DEMA Show, realizou uma pesquisa no mercado para decidir se iria abrir ou não, o acesso ao público em geral.
A maioria dos participantes respondeu que não deveria abrir e que o evento deve permanecer fechado ao público.
Foram mais de 1.000 participantes e, que segundo o informativo, dentre as perguntas da pesquisa, algumas delas permitiam saber se quem estava respondendo era de fato um profissional do mercado ou não, permitindo a administração a realizar uma triagem.
Com as respostas em mãos e uma análise final da administração, ficou decidido manter a liberação de acesso somente para os profissionais do mercado de mergulho.
Um tiro no pé ?
De uns anos pra cá, é notória a preocupação do mercado mundial com a diminuição de praticantes da atividade do mergulho, tanto, que a cada edição do DEMA, diversas reuniões andam acontecendo, com intuito de criar novas diretrizes e trazer novas ideias, a fim de promover um aumento do número de praticantes.
Também é visível a diminuição de participantes em cada edição do DEMA Show, mostrando claramente o corte nos gastos com as feiras que visam a divulgação dos novos equipamentos, cursos, turismo, serviços, dentre outros.
Pelo menos pra mim, continuo tendo a imagem de uma administração antiquada, desprovida de informação e, que não consegue acompanhar o desenvolvimento do mercado, que com o avanço da internet, não sabe pra onde correr e conseguir novos praticantes.
Um exemplo disso, é que recentemente um dos mais famosos fabricantes de equipamentos de mergulho andou substituindo desde o presidente aos cargos mais baixos, porque as pessoas estavam há décadas realizando o mesmo trabalho e processo, sem passar por atualizações e/ou conseguir compreender como as coisas mudaram ao longo das últimas décadas, e as substituições já deram resultados.
A visão antiquada do tipo “nosso equipamento é um dos melhores e não precisamos anunciar e divulgar, porque todos conhecem nossa marca e vão atrás dos nossos produtos”, já não existe mais.
Hoje encontramos muitos fabricantes de equipamentos de mergulho em todo o mundo e com produtos de qualidade e conseguindo atender em qualquer lugar do planeta, mas apesar das estatísticas, algumas cabeças antigas continuam acreditando que ter um evento fechado, ainda é o melhor para a divulgação da atividade.
Fica a pergunta: Será ?

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



