Algumas vezes, configurar o foco adequado em dado instante pode ser um desafio, e frequentemente você estará por muito tempo pressionando com o dedo o obturador da câmera pela metade, tentando obter o foco automático da câmera.
A maioria dos fotógrafos subaquáticos não conhece ou acha ser desconfortável o conceito de foco usando o botão traseiro (Back Button Focus).
Todas (ou quase todas) as câmeras chegam configuradas como padrão, o foco automático, que normalmente é acionado quando você pressiona o botão do obturador pela metade.
Ao invés vez do mergulhador pressionar o botão do obturador até a metade para iniciar o foco automático, ele pode pressionar um botão personalizado na parte traseira da câmera, que realizará a focagem.

Configurando o Back Button Focus
O Back Button Focus normalmente é encontrado nas câmeras do tipo DSLR da Canon e Nikon de nível médio a profissional, mas se a sua câmera não possuir um botão designado AF-ON”, muitas vezes, é possível usar outros controles como Fn1 ou AE-L / AF-L, para personalizar as configurações do menu, para que a câmera tenha a função AF-ON.
Ao personalizar os botões de função da câmera, o foco do botão traseiro também passa a funcionar em muitas câmeras mirrorless e, em alguns casos, também em câmeras compactas.
Depois de identificar como ativar o Back Button Focus em sua câmera, o próximo passo é remover a função de foco automático ao pressionar o obturador pela metade.
Essa configuração é encontrada em diferentes menus das câmeras, dependendo da marca e do modelo da câmera. Tecnicamente, se a sua câmera possuir um botão AF-ON, você pode usar este e o botão do obturador até a metade para ativar o foco automático, mas para fazer pleno uso da técnica, você deve desabilitar a função de foco de “meia pressão” do botão do obturador, para que não haja interferência entre ambos os botões.
Existem outras configurações que complementarão o uso do foco pelo Back Button Focus.
Fotografar no modo de foco automático contínuo (AI Servo para Canon / AF-C para Nikon), acompanha constantemente o objeto fotografado, mesmo enquanto ele se move. Isso é vantajoso quando usamos o Back Button Focus, principalmente se a sua caixa permitir travar o botão AF-ON. Deste forma, sua câmera estará constantemente rastreando o foco do objeso desejato, de modo que tudo o que você precisa fazer, será pressionar o obturador quando desejar capturar o momento perfeito.
Por esse motivo, também sugerimos mudar de “Prioridade de foco” (Focus Priority) para “Prioridade de liberação” (Release Priority) nas configurações de foco automático. Isso priorizará a câmera para disparar na resposta do obturador, em vez de esperar quando o foco perfeito for alcançado.
Se sua câmera oferece rastreamento de foco 3D (Nikon), é melhor usá-lo. Este modo usa informações do sensor e dados de cores para rastrear objetos em movimento com mais precisão, sendo muito útil para cenas de ação em ritmo acelerado.

Por que o Back Button Focus deve ser usado ?
O Back Button Focus é uma escolha pessoal e requer prática para uso, e uma boa forma de treino, é tentar fotografar um objeto escondido ou em movimento rápido. Como a distância do assunto não mudou, você poderá disparar várias fotos com foco imediatamente. Não há necessidade de pressionar o obturador até a metade ou perder tempo realizando foco toda vez que o assunto emerge.
Outro motivo para usar o Back Button Focus, quando você não consegue sentir o obturador focando quando o botão é pressionado pela metade. Muitas caixas DSLR melhoraram a sensibilidade de dois toques, mas isso pode ser limitado, principalmente usando luvas e com água mais frias.
Usando com lente grande angular
O rastreamento pela câmera de um objeto que se deseja fotografar, melhorou bastante nas versões recentes das câmeras DSLR. Apesar do foco do botão traseiro não ser tão conveniente para fotografar cenas estáticas, ele pode facilitar o enquadramento e a captura de objetos em movimento.
Talvez o melhor uso do botão traseiro para fotografia subaquática grande angular, seja para fotografar no modo de disparo contínuo, como no mergulho com tubarões ou leões marinhos curiosos. Você simplesmente segura o AF-ON e dispara uma sequência de fotos (Burst).
Esse tipo de fotografia em sequência (Burst), é melhor ainda em situações de luz natural.
Se estiver fotografando um leão-marinho próximo da superfície, você pode pressionar o botão AF-ON e disparar 10 fotos em um segundo para não perder um único momento sem o atraso da reciclagem de seus flashes. Alguns modelos de caixas estanques possuem inclusive, um controle que trava do AF-ON.

Back Button Focus na macro fotografia
Embaixo d’água não temos o luxo de ter nossos os seres marinhos “posando” pra que possamos ficar realizando fotografias, mas com o botão AF-ON pode facilitar fotografar os peixes mais tímidos. Muitas vezes ficamos tentando obter foco quando se consegue, o peixe já foi embora do quadro, ou pior, o obturador ainda está tentando lutar para encontrar o foco. Isso é de deixar qualquer um louco de raiva.
Uma dica é acionar o botão AF-ON (com AF de ponto único ou multiponto) para que a câmera focalize o assunto uma única vez, depois solte o botão e a câmera permanecerá travada com o foco no mesmo ponto. A partir daí, se o objeto surgir novamente, tudo o que você precisa fazer é apenas disparar o obturador. Não haverá atrasos com tentativas de foco.
Você também pode usar o AF-ON na super macro. Fotografar em super macro com dioptrias, pode resultar em um plano de foco muito raso, e mesmo quando parece que a câmera focou corretamente, a imagem obtida pode ficar um pouco desfocada. Nesse caso, basta manter pressionado o AF-ON (com um único ponto de foco) para obter um foco aproximado. Em seguida, solte o botão AF-ON e mantenha a câmera na mesma posição.
Com o modo de disparo definido como “contínuo”, balance suavemente a câmera para frente e para trás, apenas alguns centímetros, disparando uma sequência de imagens. A maioria estará fora de foco, mas você provavelmente conseguirá pelo menos uma foto mais nítida do que tentasse obter usando o foco automático da sua câmera.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



