Sempre fui preocupado com a segurança dos equipamentos de mergulho, tendo em vista a violência no país, alto custo e muitas vezes, dificuldades na aquisição de alguns produtos por serem importados, então, penso que não podemos facilitar as possibilidades de um furto ou roubo.
Algum tempo atrás, cheguei a comentar aqui no Brasil Mergulho, sobre o uso de GPS para o rastreamento do veículo ou da bagagem com os materiais de mergulho, e como as coisas sempre evoluem, uma nova moda em geolocalização acabou surgindo, e vem ajudando bastante em termos de segurança.
A nova onda dos Tags
Um dos grandes problemas do monitoramento pelos pequenos dispositivos GPS é a bateria do dispositivo, pois ao usuário precisava sempre manter a bateria recarregada para que ele funcionasse, contudo, normalmente dura apenas um dia.
Outro aspecto, é a necessidade de chip de telefonia celular com dados, pois esses dispositivos de localização, necessitam do acesso a Internet para enviar os dados de localização do dispositivo para os servidores. Logo, havia um custo mensal para que o serviço funcionasse, pois o uso de cartão pré-pago não funciona pra esse tipo de uso.
Algumas dificuldades na compreensão de utilização desses dispositivos, também afetavam alguns usuários, pois nem sempre as coisas eram tão simples e em alguns casos, os manuais continham instruções somente em inglês ou mandarim.
Mas recentemente a Apple e a Samsung decidiram lançar a nova onda dos Tag’s, inovando muito no aspecto rastreamento.
O Tag nada mais é, do que um micro circuito eletrônico capaz de se conectar com aparelhos da própria marca, permitindo o envio da localização para um servidor de dados e mapas, usando a internet compartilhada do telefone celular.
Por exemplo, o SmartTag da Samsung fica em stand by até perceber que há um celular compatível nas proximidades, daí ele se conecta e envia sua localização para o servidor da de dados da Samsung, da mesma forma que o AirTag da Apple, ao encontrar um iPhone nas proximidades.
Os dados da localização são enviados pela internet compartilhada e o proprietário do telefone nem fica sabendo que seu aparelho se conectou com algum dispositivo desconhecido. As informações de geolocalização são registradas no servidor, que pode ser acessado pelo proprietário do tag, conseguindo assim, obter a localização do tag.
Um bom exemplo do quanto essa tecnologia pode ajudar, é o caso de um turista inglês que teve sua mala extraviada e que acabou indo parar em um depósito de malas na China, e a companhia aérea não conseguia fazer a localização da bagagem. O turista havia deixado um tag na bagagem, e em dado momento ele se conectou com algum telefone e informou sua localização, o que permitiu a recuperação da bagagem pela companhia aérea posteriormente.

Mas… e a bateria ?
Em ambos os casos, a bateria utilizada é a CR2032 (Tipo moeda), que apesar do pequeno tamanho, ela pode durar até 1 ano, e você não precisa se preocupar com a necessidade de ficar recarregando o dispositivo todos os dias.
Essa bateria é extremamente barata e durável, podendo ser facilmente trocada pelo usuário, inclusive.
No próprio aplicativo de gerenciamento do tag, é possível observar o nível de carga da bateria.
Na prática
Algum tempo atrás adquiri um SmartTag da Samsung, pra usar com meu aparelho da linha Galaxy. No caso da Samsung, há dois modelos de tag’s, sendo a principal diferença entre eles, o nível de precisão durante a localização.
O modelo mais caro emite um sinal adicional, permitindo a localização com precisão de centímetros dentro de ambientes mais restritos.
Como aspecto negativo, além do preço ser praticamente o dobro do tag comum, tem o aspecto bateria, pois a tecnologia adicional faz o tag consumir mais energia, fazendo com que a bateria dure torno de 6 meses.
Como mencionei, adquiri o SmartTag simples e fiz alguns testes. Ele realmente funciona, pois conseguiu mostrar a localização do meu veículo todas as vezes que observei o mapa.
Através de um aplicativo da Samsung, foi possível visualizar a localização do tag no mapa ou quando ele foi visto a última vez, quando em dado momento ele conseguiu se conectar com o celular de alguém e enviar sua localização aos servidores da Samsung.
É importante ressaltar, que você pode ter a localização em tempo quase real, mas necessariamente isso não é garantido, pela dependência de um celular compatível nas proximidades, mas você pode configurar para receber um alerta, toda vez que o tag enviar sua localização para o servidor de dados.
Também é possível configurar para que o tag emita um alarme acústico, facilitando o reencontro de algum objeto perdido, como por exemplo, as chaves do carro.
No meu caso, passei a usar o tag em bagagens, mochilas e mala com equipamentos de mergulho, e quando viajo de carro, deixo escondido em seu interior, com objetivo de localizar o veículo mais rapidamente.
O custo desses tag’s gira entre R$ 150 a 350, podem ser facilmente adquiridos em sites de comprar aqui no Brasil.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



