A PADI deve ser chamada perante um júri no Estado americano de Montana, pela morte da mergulhadora adolescente Linnea Mills, em novembro de 2020. Um juiz anulou a negação de responsabilidade da PADI pelas ações do centro de mergulho e dos instrutores envolvidos no incidente.
O incidente, foi parcialmente capturado em vídeo por um estagiário, levando a um processo por negligência no valor de US$ 12 milhões, aberto pelos pais de Mills e outros dois mergulhadores contra os proprietários da operadora Gull Dive, David e Jeannine Olson, além dos instrutores Debbie Snow e Seth Liston, além da própria PADI.
A agência foi acusada de negligência na supervisão de uma empresa-membro, e agora, a juíza distrital do condado de Missoula, Leslie Halligan, negou sua alegação de que não deveria ser incluída como réu.
Mills, de apenas 18 anos , estava no segundo mergulho de um curso avançado da PADI em Lake MacDonald, no Glacier National Park, localizado ao norte de sua cidade natal de Missoula, Montana.
Por ser uma Open Water Diver (Mergulhador Básico), não tinha experiência anterior de mergulho em águas frias. Ela alugou o equipamento de mergulho e uma roupa seca da Gull Dive para o primeiro mergulho do curso em outro lago de montanha, mas não recebeu instruções pré-mergulho, principalmente em relação a roupa seca. A temperatura do ar estava abaixo de zero, e outro estagiário havia emprestado a Mills, sua roupa seca para ajudá-la no aquecimento.
A Gull Dive aconselhou Mills a comprar uma roupa seca para seu segundo mergulho alguns dias depois e, ela comprou uma roupa de segunda mão que estava sem a válvula de inflagem. Além dela não sabia que precisava de um, os instrutores não verificaram seu equipamento antes de sair com ela para o Lago MacDonald.
O curso seria ministrado por Liston, descrito como tendo “pouco mais experiência” do que seu aluno, juntamente com o instrutor recém-certificado Snow, que não estava qualificado para ministrar mergulhos com roupa seca ou em altitude, sendo importante ressaltar, que Lake MacDonald está sob altitude de 960m.
No local de mergulho, juntaram-se a eles dois outros trainees, Bob Gentry e um jovem de 14 anos conhecido como EG, ambos recém-formados em curso de roupa seca.
Quando os instrutores perceberam que o suprimento de ar de Mills não poderia ser conectado ao seu traje seco, ela foi instruída a usar seu colete para controle de flutuabilidade. Foram adicionados 20Kg de lastro nos bolsos da roupa seca e do colete de Mills, ao invés de um cinto de lastro removível, e há o indicativo de que nenhum briefing foi dado.
Eles entraram na na água às 17h já com pouca luz, Snow levou Mills e EG a 5m por cerca de 5min. Snow trouxe EG de volta porque ele estava desconfortável, não percebendo quanto gás já havia expelido para fora da roupa seca de Mills. Ela voltou e, com Liston, levou Mills, Gentry e outro aluno aos 18m de profundidade..
Afirma-se que a filmagem da câmera GoPro montada no peito de Gentry, mostrou Mills em pé sob uma rocha, lutando para respirar, mas com o excesso lastro para subir, foi incapaz de chamar a atenção de seu instrutor Snow, mas sinalizou para Gentry pedindo ajuda, no entanto, enquanto ele nadava, Mills desequilibrou e começou a afundar rapidamente. Gentry só conseguiu alcançá-la aos 26m de profundidade.
Ela estava mostrando sinais de estar sendo esmagada por seu traje e ele passou meio minuto tentando sem sucesso, localizar e liberar o lastro para interromper a descida. Na sequência, teria ficado sem gás. Gentry tentou compartilhar seu gás, mas correndo o risco de também ficar sem, foi forçado a deixá-la aos 32m e fazer uma rápida subida.
Não havia apoio de superfície e quando Snow finalmente emergiu, retornou brevemente para procurar Mills, mas não conseguiu encontrá-la. Em um segundo mergulho, encontrou o corpo de Mills aos a 39m, quando foi trazido à tona.
No processo, Jeannine Olsen disse ao legista que um mergulhador testemunhou Mills entrar em pânico antes de cair passivamente no leito do lago, mas não mostrou nenhum sinal de dificuldades aos 12m. Ela também afirma que dissera a Gentry, que desde então se tornou amigo da família Mills, para dizer que ele foi o responsável pela fatalidade. Afirma ainda que o médico legista não notou os hematomas causados pelo aperto da roupa seca.
O National Park Service teria conduzido uma investigação interna, porque o Gull Dive não havia sido autorizado a operar no parque, de acordo com o jornal Missoula Current, que publicou o relatório original sobre o processo. Uma ação legal anterior sobre outra fatalidade em 2019 estava em andamento contra a Gull Dive, mas como a escola de mergulho não relatou o incidente à PADI, Mills e sua família não sabiam disso.
A PADI apresentou um documento negando a responsabilidade indireta pela morte de Mills, argumentando que a Gull Dive e seus instrutores não eram agentes e nem empregados da agência. Ele argumentou que o formulário de isenção de responsabilidade assinado pela Mills antes do mergulho deveria ter deixado claro que a PADI não poderia ser responsabilizada se algo desse errado.
Mas o juiz observou que a PADI exerceu algum controle sobre a Gull Dive e seus instrutores em virtude da frase em seus acordos de adesão: “Exceto quando disposto de outra forma neste acordo de adesão…” e porque a Gull Dive e os instrutores estavam contratualmente obrigados a seguir as regras da PADI, além das normas e instruções.
Além disso, um instrutor poderia ser um agente “ostensivo” da PADI se Mills acreditasse que aquele instrutor representaria a PADI por causa das alegações da PADI.
O juiz achou que caberia ao júri decidir até que ponto a PADI poderia ser responsabilizada pela morte de Mills.
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