Muito provavelmente a grande maioria dos mergulhadores quando encontram um buraco, acaba dando aquela olhadinha pra saber o que tem dentro. Mais provável ainda, quando a coisa é um grande salão.
Era década de 80, eu como todo jovem, sempre curioso e sem muita noção de limites, acabei escutando a história da Gruta do Acaiá, na Ilha Grande. O assunto surgiu pelo Jamanta, apelido de um dos percursores do mergulho no país, que era proprietário de uma pousada em Angra dos Reis e de algumas embarcações que transportava os mergulhadores aos pontos de mergulho daquela região.
Então, decidimos conhecer o local usando dos barcos do Jamanta, uma antiga baleeira com navegação lenta e que foi cruzando o mar de Angra até alcançar a Ilha Grande… Como demorava !Chegamos ao local e encontramos uma parede rochosa bem arredondada com a água clara, e já era possível ver de cima, uma faixa mais escura alguns metros abaixo, e logo depois o Jamanta apontou dizendo: é ali !

O mergulho
A Gruta do Acaiá sempre foi um ponto muito divulgado no passado, mas com o excesso de “zelo”, hoje em dia, poucos vão até o local mergulhar. Alguns, inclusive, chegam a afirmar que é um local perigoso !
Pura bobagem… o único aspecto em que devemos ter cuidado, é não mergulhar por lá em dias de mar agitado, pois obviamente, as ondulações sacodem o mergulhador, criando um risco desnecessário. Tirando isso, o resto é pura exagero.
A gruta em si é pequena, e quando o mergulhador chega bem à frente da fenda, vemos uma reentrância com uma escuridão na sua frente. Vamos entrando com cuidado até percebermos que o chão começa a inclinar para cima e em dado momento, enxergamos um “espelhado” acima. Esse espelhado nada mais é do que o ar acima do nível do mar.

A pequena gruta leva ao interior de algumas rochas, e quando emergimos, vemos um salão de rochas, sendo possível retirar o regulador e respirar o ar local, pois há uma passagem para a gruta pela floresta, havendo inclusive, uma pequena escada de acesso. Portanto, você pode respirar com tranquilidade, pois não há risco de intoxicação (Saiba mais aqui).
Como o local se tornou um ponto turístico, muitos turistas acabam entrando na Gruta do Acaiá por terra, sendo comum encontrarmos turistas se deliciando com a paisagem diferenciada que o local proporciona.

Olhando de dentro em direção à saída da gruta pelo mar, enxergamos uma água extremamente clara, por causa da luz oriunda do exterior da gruta, dando uma belíssima visão do local.
É um mergulho relativamente rápido, pois levamos menos de 2 minutos desde o início da entrada do conduto, até alcançar o interior da Gruta do Acaiá, mas certamente, um mergulho diferente e que todos deveriam conhecer.
Ao sair da pequena gruta, você poderá seguir para um dos lados do costão e apreciar a vida marinha do local em um mergulho extremamente raso, não passando dos 10m de profundidade. A entrada da gruta fica aos 7m de profundidade apenas.
Dicas
O GPS da Gruta do Acaiá é 23° 10,041′ S / 44° 22,267′ W.
Procure ir em dias ensolarados. O visual é muito mais bonito em dias abertos.
Agradecimentos Frezza Mergulho e Cedeira Dive pela oportunidade.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



