Com certa frequência tenho visto diversos anúncios de equipamentos usados à venda nas redes sociais, e na maioria das vezes, fico me perguntando, que motivo levou o proprietário a tentar vender um equipamento com valores tão altos.
Boa parte dos anúncios se refere a equipamentos de mergulho bem antigos, tendo entre até mesmo, 10 e 15 anos de uso.
Eventualmente, vejo cilindros e reguladores com 20 ou 30 anos de uso, e as pessoas cobrando valores surreais nos anúncios.
Equipamentos de mergulho são resistentes sim, mas não são eternos. Reguladores, por exemplo, precisam passar por uma manutenção anual e com o passar dos anos, não é só uma questão de trocar o chamado “kit” da manutenção, mas, substituir o regulador inteiro, por não haver mais peças disponíveis no mercado. Sem falar, com as diferenças de desempenho do produto em si, que vão sendo alternadas ao longo dos anos.
No outro dia vi um sujeito vendendo um regulador da década de 90 por R$ 2.500, e fiquei me perguntando, o que passa na cabeça dessa pessoa…
É preciso haver bom senso e saber cobrar um valor condizente com o que se tem em mãos, e saber, é claro, quando é a hora de aposentar o equipamento.
Achar que o equipamento vale “muito” por ter sido pouco usado, é uma visão errada da coisa toda. É preciso levar em consideração o que está sendo vendido, tempo de uso e o quanto o produto vale de fato. Muitas vezes, não vale mais nada por estar ultrapassado. Um bom exemplo disso são as lanternas de mergulho. No passado, lanternas com lâmpada de Kripton ou halógenas foram amplamente comercializadas. Depois, vieram as HID’s, e por fim, as de led.
Eu mesmo ainda possuo duas excelentes lanternas com lâmpadas HID que ainda uso e gosto bastante, mas nem por isso pensaria em vendê-las com um preço alto, porque tenho em mente o seu tempo de uso, e principalmente, por não serem mais a última geração em sistemas de luz disponível no mercado.
Se você pensa em vender algum equipamento antigo, procure pedir um valor justo e condizente com a real situação do produto.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



