Recentemente publiquei um artigo comentando sobre o mergulho em rios, lagos, e principalmente, em cachoeiras. O artigo passa algumas dicas sobre como realizar um mergulho nesses locais com mais segurança.
Sem dúvidas, muitos desses locais permitem a realização de bons mergulhos, trazendo boas aventuras aos mergulhadores e permitindo ter boas experiências.
E por causa desse artigo, algumas pessoas enviaram mensagens me questionando onde poderiam realizar esse tipo de mergulho.
Recentemente estive com minha família tirando alguns dias para conhecer as belezas naturais da região de Capitólio-MG, que é banhada pelo Rio Verde, o mesmo rio que virou referência entre os mergulhadores recreativos e técnicos frequentadores da região de Rifaina-SP. Na verdade, ele é mais conhecido como Represa de Furnas, sendo um rio artificial criado na década de 60.
O rio em si, possui boas águas e com uma excelente transparência para o mergulho durante a maioria dos meses do ano, tanto que Rifaina acabou virando uma febre entre vários mergulhadores que vão até lá conhecer o local e ter diferentes experiências com o mergulho de água doce, até porque, não é apenas mergulhar em um rio, mas conhecer as diversas estruturas que permaneceram embaixo d’água com a abertura das barragens.
No caso de Capitólio, já existe operadora de mergulho realizando saídas frequentes pela região, levando os mergulhadores em diversos pontos no Rio Verde. A cidade de Capitólio, que se tornou referência no turismo, está distante 30Km das principais cachoeiras da região, e se tornou a base de muitos turistas que visitam a região.
Como o Rio Verde é realmente enorme, assim como a quantidade de cachoeiras e pontos turísticos, tive a oportunidade de conhecer algumas cachoeiras e realizar um snorkeling com meu filho para apreciar o ambiente local.

Mergulhando nas Cachoeiras
Há várias cachoeiras contendo lagos, e a primeira delas, foi meu ponto de partida para observar como meu filho se comportava na água doce. Com reduzidas dimensões e baixa profundidade, decidi visitar a cachoeira da Lagoa Azul, que apesar do nome, não tem nada de azul. Após uma longa descida caminhando até o local, encontramos um pequeno lago com uma água bem transparente, permitindo enxergar facilmente todo o fundo, e que em dias ensolarados, acabam tendo um brilho e visual belíssimo, tendo o Rio Verde ao fundo para contrastar.
A primeira experiência foi boa, meu filho pôde ver diversos cardumes nadando pelo lago e ver os efeitos da queda da água da cachoeira.
No segundo dia, fomos até a chamada Trilha do Sol, um complexo que abriga três cachoeiras, sendo necessária algumas horas para conhecê-las e muita caminhada. Nesse local é importante levar poucos equipamentos, porque a caminhada é dificultada pelas pedras durante todo o trajeto.
A primeira cachoeira visitada do complexo foi a “No limite”, pois realmente o acesso não é tão fácil quando nos aproximamos da cachoeira, mas encaramos a trilha e fomos até lá. De cima, já mostrava o que iríamos ver.
Trata-se de um rio que em dado momento, cruza dois enormes paredões de pedras, tendo uma profundidade máxima de 5m, sendo possível realizar um snorkeling com tranquilidade, pois não há correnteza e a água é bem transparente. O uso de uma boa lanterna pode fazer diferença, permitindo ao mergulhador observar melhor a vida subaquática local entre as pedras.
De lá caminhamos até o Poço Dourado (que não é possível mergulhar) e na sequência, fomos até a Cachoeira do Grito. Essa última possui uma profundidade máxima em torno dos 5m, e ao meu ver, menos segura em razão da visibilidade.
No terceiro dia conhecemos o complexo de cachoeiras denominada Capivara. Ao estacionarmos o veículo próximo da trilha, é preciso descer até a área aberta da cachoeira, sendo um passeio realmente muito bacana.
Após alcançar a área principal, você pode continuar e descer uma pequena encosta à esquerda para mergulhar num lago formado pela cachoeira, ou então, seguir a trilha que beira o rio até a cachoeira da Capivara, distante 900m da trilha inicial. Ao longo do caminho, você pode ir parando para contemplar as belezas naturais do local.
Chegando à cachoeira da Capivara, você encontrará um lago com dimensões maiores, onde a profundidade alcança os 12m. Notei que a água por lá era mais escura e mais fria. Segundo um guia local, conforme a água vai cruzando o rio nas áreas onde a profundidade é mais baixa, a água vai ganhando temperatura, daí o motivo das águas um pouco mais aquecidas nas proximidades da área da trilha de chegada.

Algumas dicas
- Caminhar nesses locais, certamente significa que você irá molhar seus pés, porém, não dá pra caminhar de chinelo. Procure ir com uma sapatilha emborrachada, que permita caminhar e pisar sob pedras.
- Leve o mínimo possível de equipamentos e não mergulhe sem a presença de um dos guias normalmente encontrados nesses complexos. Além de monitorarem os locais, eles evitarão que você corra o risco de estar na água e ocorrer alguma tromba d’água.
- O uso de uma roupa de neoprene ajuda bastante. Uma roupa simples de 5mm já é mais do que o suficiente.
- Como as cachoeiras estão em áreas privadas, são cobradas taxas de visitação (R$ 40 a 60 – 2022) por visitante, pois na maioria dos casos, há diversos guias ao longo dos percursos orientando e dando apoio ao turista.
- Vi muita gente afirmando que era necessário levar dinheiro e que ninguém aceitava cartões de crédito. Em todos os casos, os pagamentos foram feitos com cartão de crédito.
- O uso de repelente também é recomendado, principalmente após às 15h.
- Comer em Capitólio não é uma tarefa fácil para os mais exigentes. O restaurante Salvatore na minha opinião é o melhor, principalmente quanto as pizzas.
Quanto ao mergulho autônomo, infelizmente não consegui realizá-lo, em razão de alguns contratempos, mas prometo um novo artigo relatando como é mergulhar por lá usando o scuba e descendo em locais mais profundos.
A região de Capitólio possui inúmeras cachoeiras, requerendo um bom tempo por lá para conseguir conhecê-las por completo.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



