Naufrágio Recreio

Nome Anterior: Carl Hoepcke

Data: 25/02/1971

GPS: 23º 59,149′ S / 46º 18,581′ W

Localização: Ponta da Praia – Praia de Santos

Profundidade (m): 0

Visibilidade (m): 

Motivo: Encalhou na praia devido ao mau tempo

Estado: Desmantelado

Carga

Tipo: Cargueiro

Nacionalidade:

Dimensões (m)62 x 11

Deslocamento (t)1.132

Armador

Estaleiro

PropulsãoDiesel

FabricaçãoAlemanha – 1927

Notas: Na noite de 24 de fevereiro de 1971, uma tempestade de verão tornou o mar que banha a cidade agitado demais e fez romper os cabos que prendiam um pequeno navio recreativo, que fora transformado em boate, batizado com o nome Recreio.

Impossibilitado de reagir, já que não tinha mais motores, o peculiar navio, velho conhecido dos moradores de Santos, atravessou toda a baía à deriva, com três atônitos funcionários a bordo, até encalhar na beira da praia, onde imediatamente virou atração turística.

Meio século depois, restos do navio – que antes de virar boate, foi um transatlântico chamado Carl Hoepcke, particularmente famoso em Florianópolis, onde transportava passageiros para os demais portos brasileiros – ainda podem ser vistos nas marés mais baixas, parcialmente soterrados na beira mar e levemente sinalizados, para que os banhistas menos avisados não se machuquem nos seus ferros retorcidos.

Nos dias subsequentes, diversas tentativas de arrancar o navio espetado na areia foram feitas. Todas em vão. O Recreio, de 62 metros de comprimento, não se movia nem quando puxado por mais de um rebocador ao mesmo tempo. A cada tentativa, chegava mais gente para acompanhar os esforços, que nunca deram em nada. Com isso, o exótico navio que não navegava e só abrigava festas e baladas, voltou a ficar famoso na cidade. Mas, agora, por um motivo bem mais prosaico: recusava-se a sair da praia.

Temendo pela segurança dos banhistas, já que o navio estava cravado no exato local onde crianças brincavam na beira d´água, e frequentemente invadido por curiosos e usuários de drogas, a Prefeitura de Santos passou a pressionar o dono do barco, o engenheiro naval russo, radicado na cidade, Wladimir Grieves, para que o tirasse de lá, de qualquer maneira. E o foi o que ele fez.

O máximo que a dinamite conseguiu foi fragilizar a estrutura do navio, que, ao ser puxado, rasgou, feito uma folha de papel. A parte de cima saiu inteira (e foi removida com a ajuda de boias), mas a de baixo continuou teimosamente travada na areia. E não houve quem a tirasse de lá.

Com o passar do tempo, a ação das marés acabou por encobrir o que restou do Recreio, até que ele sumiu por completo na areia, para alívio do dono do navio, da Prefeitura da cidade e dos banhistas da praia, que, até então, viviam se machucando nos escombros submersos.

No início da década passada, a dragagem do canal de acesso ao porto de Santos gerou uma alteração no fluxo de areia levado pelas marés para as praias da cidade e fez aflorar, de novo, os escombros do teimoso navio.

Resignada, a Prefeitura se limitou a colocar estacas em torno das ferragens, e uma placa alertando para o perigo de tomar banho de mar naquele local. Mas o problema permanece, meio século depois do encalhe.

Quando foi construído, em 1926, e batizado com o nome do empresário alemão-catarinense que o encomendara para o transporte de carga e passageiros de Santa Catarina, o Recreio, então chamado Carl Hoepcke, era o principal meio de ligação entre Florianópolis e o resto do país – uma espécie de transatlântico da ilha, com acomodações de Primeira Classe, e motivo de orgulho para os moradores da cidade.

Sempre que chegava ou saia do porto catarinense, as pessoas iam para a margem saudá-lo. Foi assim por mais de 30 anos, até que um incêndio, em 1956, na partida do mesmo porto de Santos, decretou a sua aposentadoria como meio de transporte. Ele, então, foi vendido para uma empresa de transporte de carga do Pará, e rebatizado Pacaembu.

No lugar da casa de máquinas, Grieves mandou construir uma piscina, a chaminé virou caixa-d’água e a torre de comando foi transformada em mirante. Todos os fins de semana, animadas turmas de turistas e moradores de Santos passaram a lotar o navio, já permanentemente ancorado em frente à cidade.

 

Galeria de Imagens

Possui algum conteúdo relacionado ao mergulho e acha que pode ser interessante dividir com outros mergulhadores ?

Envie um conteúdo para a principal revista eletrônica sobre mergulho do Brasil.

Veja também:

Naufrágio descoberto a 2.500 metros e reescreve a história

O naufrágio conhecido como “Camarat 4” revelou novas pistas sobre o comércio marítimo da Renascença.

Mergulhadores americanos encontram moedas centenárias

Equipe resgatou dezenas de moedas de ouro e prata, de naufrágios espanhóis do século 18 e tesouro pode valer até 1 milhão de dólares.

Naufrágio Britannic recebe a visita de mergulhadores

O imponente transatlântico HMHS Britannic, no Mar Egeu, naufragou após colidir com uma mina durante a guerra e, contrário o que a maioria dos...

Um navio grego do século IV aC encontrado em Chipre

Um dos naufrágios mais famosos do Mar Mediterrâneo, teve sua cronologia revista com avançadas tecnologias.
Saiba quando publicamos

Compartilhe

Publicidade