No mergulho comercial, há alguns riscos que o mergulhador e sua equipe, devem ter o conhecimento teórico, para mitigar os riscos.
Nesse tipo de mergulho, há um risco enorme denominado Pressão Diferencial, também conhecido como Delta P.
Isso ocorre quando a água se move de uma área de alta pressão para uma de baixa pressão. Esse risco não existe quando não há fluxo de água, mas uma vez iniciado um fluxo, ocorrem forças de extremo grau, geralmente muito substanciais, colocando o mergulhador comercial sob risco.
Existem inúmeras situações em que podem ocorrer o fluxo de água entre tubulações e, isso pode ocorrer, por exemplo, com uma simples abertura de uma válvula, corte em um vazio ou partida de uma bomba.
Quando o fluxo de água passa através de uma abertura, qualquer mergulhador que se aproxime do lado de alta pressão, poderá ser atraído e preso na abertura por onde passa este fluxo.
Lesões graves ou letais ocorrem frequentemente nessas condições e a diferença de altura entre dois corpos d’água em níveis diferentes, pode gerar uma força de sucção através de qualquer orifício ou abertura na barreira entre eles.
Quanto maior for a diferença de altura ou maior for a abertura na barreira, maior e mais perigosa será a força de sucção. No entanto, forças de sucção muito substanciais e também podem ser criadas quando há uma pequena diferença entre os níveis de água e há uma abertura relativamente grande, o que pode ser letal mesmo em profundidades baixas de 3 metros ou menos.
Procedimentos adequados de avaliação de risco devem ser realizados antes do início das operações de mergulho.
Em qualquer operação de mergulho onde possa existir um risco potencial de Delta P, alguns procedimentos de isolamento e bloqueio / etiquetagem devem ser implementados, sendo sempre importante haver um isolamento duplo sempre que possível.
Cuidados extras devem sempre ser tomados em torno de:
- Bombas, admissões, válvulas e drenos.
- Barragens, eclusas, comportas e açudes.
- Rachaduras / vazios em tubos ou mangueiras.
- Hélices, propulsores dentro e ao redor de embarcações.
- Grandes equipamentos de movimentação subaquática.
- Risco de falha de instalações ou máquinas.
- Tubulações submersas ou estruturas vazias vedadas à pressão atmosférica ou pressões superiores ou inferiores à pressão da água circundante.
Cálculo da força devido ao Delta P
Força = Pressão X Área

- Força (Força quilograma) = Diferença entre os níveis X Densidade da Água X Área
- Densidade da Água = 1025 kg/m3 (Água do mar) ou 1000 kg/m3 (Água doce)
- Área = N x (diâmetros / 2) 2
- Força = 3.5 x 1025 x π x (0.3/2) = 254 kgf
Relação da velocidade da água com a distância do perigo
Os mergulhadores acabam correndo risco devido ao fluxo, sucção ou turbulência da água.
A área de água em rápido movimento ao redor dessas entradas (seja produzida pela operação ou falha de instalações e máquinas) é chamada de Zona de Perigo de Pressão Diferencial (DPDZ).
Os mergulhadores geralmente não conseguem detectar a presença de perigos de pressão diferencial ao seu redor quando submersos na água e, quando identificam o problema, já é tarde demais.

Conforme o gráfico acima, um mergulhador que está se movendo do ponto A para o B, não sentirá a mudança na vazão da água, mas ao se mover a mesma distância, 300 mm, de B para C, o mergulhador experimentaria um aumento exponencialmente grande na velocidade da vazão e será puxado.
Os mergulhadores não devem operar em correntes de água superiores a 0.5 m/s (1 nó).
As tabelas abaixo são uma referência de força e fluxo através de vários diâmetros de tubos em diferentes profundidades.
Força de pressão diferencial através de uma tubulação (kgf)

Velocidade do fluxo de água através de um tubo (m/s)

Vídeo explicativo sobre o problema

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



