O mergulho na Represa de Paraibuna, no Estado de São Paulo, sempre me chamou a atenção, e acabou gerando a curiosidade de saber como eram os mergulhos por lá.
Com o fechamento da famosa pedreira de Salto de Pirapora, a Represa de Paraibuna acabou se tornando um novo espaço para o treinamento dos mergulhadores, pois o acesso é relativamente fácil, não há correnteza e a necessidade quanto ao uso de embarcações para mergulhar no local.
Recentemente o Vagner Marretti, da Scuba Repair, me convidou para visitar Paraibuna, juntamente com alguns mergulhadores que pretendiam treinar naquele local, e assim, fomos.
Num domingo ensolarado e, pegamos a estrada em direção a pequena cidade de Paraibuna-SP, distante 160 Km aproximadamente da capital, podendo ser alcançada facilmente pela Rodovia Ayrton Senna, e na sequência, pela Rodovia dos Tamoios, numa viagem que dura em média 2h de carro.
Ao chegar a cidade, realizamos uma breve parada em uma padaria na rua principal, para aguardar os demais mergulhadores que viriam de outras cidades próximas, e após um rápido café da manhã, nos dirigimos até o Ponto da Balsa, um dos locais de onde parte uma balsa para a travessia da Represa de Paraibuna, local também, onde os mergulhos são realizados.

Represa de Paraibuna
A Represa de Paraibuna foi idealizada na década de 70 em razão do elevado crescimento populacional e para o atendimento sócioeconômico regional.
Ela é utilizada para a geração de energia elétrica, mas a principal finalidade dessa represa, é regular a vazão do Rio Paraíba do Sul, sendo um importante reservatório de água responsável pelo abastecimento de várias cidades do Vale do Paraíba e do Estado do Rio de Janeiro.
A represa de Paraibuna tem uma característica que a difere da maioria das represas existentes no país, pois normalmente uma represa é feita pelo represamento de um rio, já a represa de Paraibuna, foi construída com represamento dos Rios Paraibuna e Paraitinga, além de seus afluentes, Rio Lourenço Velho e Rio do Peixe.
Por ser um paraíso de água limpa, a represa de Paraibuna chegou a ganhar o referendo da ECO-92 como a represa mais bem conservada ecologicamente do Brasil.

Ponto da Balsa e dos mergulhos
Do centro da cidade de Paraibuna até o Ponto da Balsa, são aproximadamente 10 Km de estrada, sendo a maior parte estrada de terra, passando qualquer tipo de veículo.
Chegando ao local, avistamos uma rampa de acesso a represa, que normalmente é utilizada pelos proprietários de pequenas embarcações que passam o dia curtindo as belezas da região, para descer suas embarcações.
Carros estacionados, é hora de colocar a lona no chão para montar os equipamentos. Uma boia foi amarrada a um galho de árvore aos 28m de profundidade, e serviu como referência e ponto de início do mergulho. Nadando um pouco mais, sabe-se que a profundidade chega a alcançar a faixa dos 60m.
Mergulhadores prontos, fomos até a boia e iniciamos o mergulho.
Apesar de poucas chuvas no período quando este mergulho foi realizado, a visibilidade não estava boa. Nos primeiros metros, ela era inferior a 1m, e durante a descida chegou a 1 ou 1 e meio. No fundo consegui visualizar no máximo uns 2 a 3m a frente.
Segundo relatos, eventualmente pega-se uma visibilidade melhor, e em razão da baixa visibilidade, não recomendaria o mergulho para mergulhadores recreativos, sendo um local voltando para mergulhadores experientes ou que estejam realizando seus treinos para mergulho avançados.
De toda a forma, vejo o local com o um bom ponto de treino, porque ao se acostumar a mergulhar com água de baixa visibilidade como foi o caso, certamente o mergulhador conseguirá mergulhar em qualquer local com variação de visibilidade, porque a eficiência muda e ajuda a trabalhar o lado psicológico, principalmente nos casos dos mergulhadores mais tensos.
Dicas
No local há apenas um trailer bem simples comercializando pastéis e algumas bebidas, sendo o recomendável levar comida e bebida e não esperar um local com muitas opções.
Devido a baixa visibilidade, bússola, carretilha e lanternas são mais que necessários para uma boa e segura navegação durante o mergulho.
Outro aspecto importante, é que por se tratar de água doce, o mergulhador deve estar mais atento a flutuabilidade, porque ganha-se profundidade mais rapidamente que o mergulho em mar e por causa do risco de siltar (sujar) a água. Como há galhos de árvores no fundo, deve-se tomar cuidado para não se enroscar neles.
Maus agradecimentos ao Vagner Marretti da Scuba Repair, pela oportunidade em conhecer o local.
GPS: 23° 23,480 S / 45° 37,443 W


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



