Mergulhando em Minas de Extração na Europa

O mergulho em mina de extração se tornou um tipo de mergulho comum entre os mergulhadores de caverna, não só por ser um bom local para realizar treinamentos de mergulho sob teto, como também, pelo interesse dos mergulhadores em querer conhecer cada mina e suas histórias.

Na Europa, é muito comum os mergulhadores europeus saírem aos finais de semana e viajarem até um país vizinho, para mergulhar em uma dessas minas, por exemplo.

Veja abaixo uma relação de países com algumas das principais minas visitadas por lá:

 

Foto: Scapehander

 

Alemanha

Christine

É uma mina de ardósia em Sauerland. Em geral, apenas são aceites certificações da IANTD, GUE, NSS-CDS e NACD. Os mergulhadores com rebreather precisam ter um certificado de caverna CCR e o certificado da unidade usada.

Temperatura média da água: 8ºC

Período de mergulho: Todo o ano

Site: www.scapehander.de

 

Miltitz-Roitzschen

A mina em Miltitz-Roitzschen é uma antiga mina de cal e também um pouco de minério de prata. A extração ocorreu até o ano de 1924. Durante a Segunda Guerra Mundial, a mina serviu como localização para uma fábrica de combustíveis. Normalmente ocorrem visitas guiadas.

Para poder mergulhar na mina, o equipamento deve primeiro ser trazido para a montanha a pé, de preferência com carrinho adequado. Na própria mina existem mesas para mergulhadores onde os equipamentos podem ser montados, além de uma bela plataforma para facilitar a entrada e saída da área alagada.

Há vários lugares com áreas mais profundas, sendo 18m a profundidade média, mas alcança os 62m em uma determinada área. Ainda há muitas coisas para ver do período da mineração. Escadas, carroças, ferramentas, uma bicicleta velha, inscrições antigas e muitos outros, tornam o mergulho interessante e variado.

Período de mergulho: Novembro a abril

Site: www.kalkbergwerk.de

 

Nuttlar

É uma de ardósia na região de Sauerland, diretamente nas margens do rio Ruhr.

Em 1878, aproximadamente 200 mineiros começaram a construir o primeiro túnel, onde estiveram envolvidos na extração e processamento de ardósia para telhados. Foram mais de 100 anos de operação, criado um labirinto de minas gigantesco, com corredores de quilômetros de extensão e enormes salões com cinco níveis e uma extensão de aproximadamente 20 Km. Galerias inclinadas chamadas “montanhas de freio”, conectam os diferentes níveis e seções.

Com o fechamento da mina em 1985, a eletricidade foi desligada, juntamente com as bombas que bombeavam a água que penetravam os condutos constantemente provenientes do rio Ruhr. Após sete anos, o nível da água atingiu a altura máxima, alagando dois dos cinco níveis, numa extensão de aproximada de 12 Km. A profundidade média gira em torno dos 14m e a máxima aos 30m.

Você verá longos corredores e paredes de montanhas artisticamente empilhadas, cruzando pedreiras tão grandes que parecem catedrais. Há vários artefatos da época da extração abandonados pelos mineiros.

Um dos percursos leva o mergulhador por corredores estreitos com partes altas, grandes salões e por alguns vagões no seu caminho. Uma atração certamente é a carregadeira suspensa movida a ar comprimido, bem como uma antiga cabine de pausa, na qual as jaquetas dos mineiros ainda se encontram penduradas na parede.

Período de mergulho: Abril a novembro

Site: www.bergwerktauchen.de

 

Foto: Bjorn Dorstewitz

 

Felicitas

A mina de ardósia Felicitas está localizada a 2 Km a noroeste de Bad Fredeburg, parte da cidade Schmallenberg. A região é conhecida pelas caminhadas (Montanhas Rothaar), mas também existem vários reservatórios adequados para mergulho em águas abertas nas proximidades.

Em 1863, a mina foi inaugurada e passou a ser propriedade da empresa Hesse & Schneider KG até 1990, quando o atual proprietário Magog GmbH & Co. KG, adquiriu o local e assumiu a mineração. Embora a empresa ainda tenha negócios de mineração em funcionamento na área próxima, as operações na mina Felicitas foram encerradas e as bombas de água foram desligadas no início de 2000, levando à inundação dos túneis com água subterrânea fria a 9°C.

Os primeiros mergulhos de exploração na mina foram realizados em janeiro de 2017 e o local de mergulho foi inaugurado publicamente em julho de 2018, operado pela Bergwerktauchen Felicitas UG.

Iniciando o mergulho, você desce um poço de 130m de comprimento que leva ao primeiro nível, a cerca de 30m de profundidade, onde se espalha a maior parte da mina. No fundo deste poço, após 7 minutos de natação, aproximadamente, você alcançará o primeiro T de onde poderá começar a explorar a mina. Se você virar à esquerda, entrará na parte mais “moderna”, onde a mineração era realizada com grandes máquinas e veículos a diesel para transporte, enquanto à direita, estará entrando no trecho onde era feita a mineração com explosivos e onde os túneis são menores e mais parecidos com cavernas.

Embora a maior parte da mina tenha a profundidade média entre 24 e 30m, você também pode pular para uma seção menor, com aproximadamente 150m de comprimento, que é mais profunda, onde a profundidade chega a alcançar os 48m.

No total, a mina possui mais de 2 Km de cabo permanente e você pode explorar os túneis principais com navegação simples ao longo da linha ou realizar alguns “jumps” para outros circuitos e exploração própria, com sua carretilha. Ela fica aberta durante todo o ano.

Site: bergwerktauchen-felicitas.de

 

Rabenstein

Felsendome Rabenstein na Saxônia é uma pequena mina com dois andares, tudo para ver em um mergulho mais longo. O mergulho é mais complicado, porque é lamacento / lodoso, tendo o mergulhador que redobrar a atenção.

Profundidade máxima de 18m e aberta durante todo o ano.

Site: http://sachsenluft.de/hoehlentauchen/

 

Schwalefeld

É uma mina de ardósia em Sauerland, Alemanha. A profundidade mínima é 39m, chegando aos 71. Fica aberta durante todo o ano.

Site: www.scapehander.de

 

Foto: Divulgação

 

Bélgica

Rhisnes

É uma mina na Bélgica com profundidade máxima de 40m.

Sua entrada ocorre por um lago em frente e as condições no lago podem ser muito ruins, inicialmente. Após entrar no conduto principal da mina, a visibilidade melhora.

Site: www.cp-rhisnes.be

 

Finlândia

Ojamo

É uma mina de cal ao sul da Finlândia. Com profundidade mínima de 28m e máxima superando os 100. Fica aberta durante todo o ano.

Site: ojamodive.fi

 

França

Saint Meme les carrieres

Você pode visitar a mina enquanto estiver a caminho de Lot. Ela é uma pedreira de calcário na região de Grande Champagne. Profundidade máxima de 20m e aberta durante todo o ano.

Site: www.aquatek.fr

 

Hungria

Kobanya

A mina está localizada em Budapeste, Hungria, ficando aberta durante todo o ano.

As condições de mergulho não mudam, e aos finais de semana, costuma ficar lotada de mergulhadores, sendo o ideal, mergulhar durante a semana, e sendo recomendável reservar os seus mergulhos com pelo menos 4 semanas antes da chegada.

O local possui quatro entradas diferentes, sendo necessário mergulhador dois dias, para poder conhecer todos os pontos. A profundidade máxima são de 36m, sendo a média em torno dos 15m, com a temperatura da água em torno dos 10 e 12ºC e aberta durante todo ano.

O endereço é 1105 Budapeste, Bánya utca 37. O código postal é importante, porque há mais ruas em Budapeste com o mesmo nome.

Site: facebook.com/minediving/

 

Itália

Mina-de-Olgiate Molgora

Essa mina está localizada em Olgiate Molgora, proximidades com a cidade de Milão, na bela região da Lombardia.

Profundidade mínima de 10m e máxima de 65m, ficando aberta durante todo o ano.

Instagram: @mineolgiatemolgora

 

Lituânia

Eighth Fort (Oitavo Forte)

A construção do Eighth Fort começou em 1889, depois dos primeiros sete fortes da Fortaleza de Kaunas já terem sido concebidos e construídos. Os fortes anteriores não formavam um anel defensivo totalmente fechado ao redor da cidade de Kaunas e, portanto, o Oitavo Forte foi construído para proteger contra ataques do noroeste. Embora os primeiros fortes tenham sido construídos em tijolo vermelho, o Oitavo Forte é feito de concreto e coberto de solo. Foi também o primeiro forte da Fortaleza de Kaunas a ser equipado com eletricidade, que era fornecida através de um gerador movido a óleo. Restos dele ainda estão localizados sob a água.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a tripulação do forte detonou a munição restante no armazenamento antes de recuar. A explosão danificou gravemente o forte e seu sistema de drenagem, resultando na inundação de grande parte da estrutura, mas criando um local de mergulho dentro da cidade.

A melhor época para visitar é de abril a dezembro, mas acessível durante todo o ano. O final do inverno poderá ficar coberto de gelo e, na primavera, a visibilidade poderá ser menor devido às inundações sazonais.

A profundidade máxima é de 5.5 metros, sendo a média entre 2 a 3 metros. Não há possibilidade de reabastecer os cilindros no local, mas pode ser feita a recarga em Kaunas, e normalmente um mergulho já é o suficiente para conhecer bem o local.

Site: www.cavediving.it

 

Polônia

Mina de Urânio Kowary

A mina de urânio fica no distrito de Podgórze e tem profundidade máxima de 242 metros.

Os pisos estão na profundidade de 30m, 70m, 110m e 150m. É difícil trazer o equipamento até o nível da água, mas a equipe da mina apoia você como pode.

Site: www.kopalniapodgorze.pl

 

República Tcheca

Hraničná

É uma mina de minério de ferro próxima a Skorošice, a aproximadamente 4 km de distância.

Não há possibilidade de encher os cilindros na mina, sendo necessário levar tudo até o local.

A entrada é de aproximadamente 300 metros em piso plano, a mina fica aberta durante todo o ano, com profundidade mínima de 45 e alcançando os 120m.

O primeiro nível começa aos 45 metros, mas na descida há um pequeno corredor a 12m, com espaço suficiente para realizar a descompressão. Nos 9 e 12 m existem suportes para colocação de stages de descompressão. Pisos adicionais a 75 e 120m.

Site: www.hpdiving.cz/clanky/sachta/

 

Suécia

Tuna Hästberg

Oferecem mergulho em partes com águas abertas. Os equipamento de mergulho são transportados para dentro da mina pela ferrovia existente desde a época em que a mina estava em operação. Após o transporte de 300m até ao local de mergulho, são oferecidos café e petiscos na sala de aquecimento enquanto os cilindros são recarregados.

A temperatura da água gira em torno dos 5°C durante todo o ano e a profundidade chega a alcançar os 400m de profundidade, fora do alcance de mergulhadores, mas excelente para para explorar na parte rasa.

Site: aventyrsgruvan.se

 

Foto: Divulgação

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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