Mergulhando em profundidades que superam os 800 metros, os tubarões-martelo se alimentam com iguarias, como a lulas do fundo do mar.
As águas geladas e que podem chegar aos 5°C, deveriam ser perigosas para os tubarões de sangue frio que vivem nos trópicos, no entanto, os predadores descem várias vezes por noite, invadindo a geladeira no fundo do oceano em busca de comida sem problemas.
O truque pode estar em prender a respiração, relatam hoje pesquisadores da Science. Os tubarões-martelo (Sphyrna lewini) fecham as guelras e a boca enquanto mergulham, acredita a equipe. A manobra interrompe a ingestão de oxigênio e também evita que o calor corporal escape para a água.
Se a descoberta for confirmada, “seria uma nova técnica até então desconhecida”, diz Julia Spaet, ecologista da Universidade de Cambridge que não esteve envolvida no trabalho.
Alguns peixes de águas profundas, como o atum e os tubarões lamnídeos, uma família de tubarões grandes e velozes, têm parcialmente sangue quente. Eles podem desviar o calor do corpo para alguns órgãos específicos, mesmo em temperaturas geladas. Mas o tubarão-martelo, não tem essa característica.
O mergulho no azul profundo, seu gera uma queda tão extrema de temperatura, especialmente para um animal que não consegue se aquecer, que em tese, deveria enfraquecer a visão e a função cerebral do tubarão, podendo até ser fatal, fazendo com que os músculos do predador se contraiam, impedindo-o de avançar e empurrar a água oxigenada para as guelras.
Para descobrir como é esses tubarões se mantêm, Mark Royer, biólogo marinho da Universidade do Havaí e seus colegas, anexaram um conjunto de sensores aos animais, durante uma pesquisa ao largo da costa da ilha havaiana de Oahu. Isso incluía um acelerômetro, monitorando o movimento, o vigor das batidas da cauda e a orientação do corpo. O sistema também registra a profundidade e a temperatura da água, bem como a temperatura corporal do tubarão.
Os tubarões nadaram com este conjunto de sensores durante 23 dias, se separando e alcançando a superfície do oceano e transmitindo a localização e informações obtidas aos cientistas. Os dados foram surpreendentes.
Os tubarões mantiveram a temperatura corporal com uma variação apenas de de 0.1°C durante todo o mergulho e durante a maior parte do caminho de volta à superfície. Nos 300 metros finais da subida, a temperatura corporal dos tubarões caiu cerca de apenas 2°C.
A explicação mais forte é que os tubarões estavam fechando as guelras além da boca, e mergulhando até o fundo do oceano, conclui a equipe. Essa estratégia permitiria que eles permanecessem aquecidos enquanto procuravam comida.
A queda na temperatura durante a parte final da subida provavelmente se deveu ao fato dos tubarões terem aberto as guelras para respirar novamente à medida que se aproximavam de águas superficiais confortáveis. No total, os tubarões prenderam a respiração em média 17 minutos por mergulho.
O estudo faz do tubarão-martelo o primeiro animal de mergulho profundo conhecido por prender a respiração, diz Royer.
No futuro, diz Royer, a equipe espera examinar o metabolismo dos tubarões para descobrir como eles são capazes de realizar seus mergulhos em águas profundas.
Fonte base: Revista Sciense
Colaboração: Ricardo Bahia
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