Um naufrágio em Ubatuba – SP ?

Ao longo dos anos, pesquisando informações sobre naufrágios, é comum me deparar com muita informação antiga relatando naufrágios na costa brasileira.

Além disso, não é raro acabar recebendo mensagens enviados por nossos leitores, contendo informações sobre parentes que pereceram ou fizeram parte de algum naufrágio ocorrido no em nossa costa.

Muitas vezes essas informações contribuem nas pesquisas, ajudando a encontrar dados até antes inimagináveis.

Numa dessas ocasiões, recebi uma mensagem do João Bacelar, um mergulhador de Portugal, que relatara o encontro de um antigo diário de um parente que estava em um pequeno navio e que acabou naufragando na costa da cidade de Ubatuba, localizada na área norte do Estado de São Paulo, por volta do ano de 1860.

A mensagem no continha o seguinte:

“O ancoradouro de Ubatuba é ruim (…) A barra tem em frente o norte; tem ao poente toda a costa que se estende até o Rio de Janeiro; a leste tem uma ponta de terra que entra pelo mar dentro, rumo de norte, que se chama ponta Grossa, que abriga dos ventos e correntes de sul e sueste.

A sumaca Mangaratiba de propriedade de Albino Martins Guerra, carregou e dispunha-se a sair numa quinta-feira (…) A sumaca deslizava serenamente sobre as águas, não só porque o vento soprava brandamente, mas também porque era a hora da enchente.

Transpunha-se o ponto externo da Ponta Grossa (…) foi rodando o sudoeste e de repente desencadeava pela proa violenta ventania (…) Da Prainha tinham acompanhado e calculado o sinistro (…) se viam correr archotes e brilhar fogueiras em grande extensão da Praia do Itaguá (…) A sumaca ficou a desconcertar-se em convulsões terríveis, cavando ela mesma na areia a sepultura de mil e quatrocentas sacas de café, cerca de 5.600 arrobas de café.

 

Analisando os dados

A Praia de Itaguá é uma praia localizada bem no centro da cidade de Ubatuba e, tentando encontrar alguma informação sobre esse naufrágio, me deparei com o nome “Albino Martins Guerra”, citado em diversos jornais da época, exatamente entre 1860 e 1863, com sendo proprietário de várias embarcações e bem conhecido no meio náutico da época.

Durante as pesquisas, infelizmente não encontrei menção quanto a esse naufrágio, até porque era uma época em que nem todos os fatos eram comunicados nos jornais, mas acabei esbarrando na citação de outro naufrágio na mesma praia, o da embarcação Athina’s, de propriedade de Mirtes Inês Serantes, ocorrido em 16/07/2001.

Segundo o documento encontrado no Tribunal Marítimo (Processo 19.795/2002), a embarcação se encontrava fundeada na Praia do Itaguá, e acabou naufragando em razão de alagamento em seu casco.

Ainda tentou-se realizar a reflutuação da embarcação para uma profundidade menor, porém, sem sucesso.

Logo, havendo alguma descoberta de algum naufrágio nessa região, será preciso verificar se o mesmo tem relação com um desses dois naufrágios, na tentativa de identificação do mesmo.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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Ubatuba

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