Recentemente passei um aperto com o alagamento da minha caixa estanque que já possuo há anos e nunca havia dado problema. Na verdade não foi culpa dela, mas minha, pela falta de atenção em dado momento.
Havia chegado de uma viagem de mergulho, eram 3 horas da manhã de uma segunda-feira quando resolvi colocar meus equipamentos de molho num tanque com água doce, e na sequência, também minha caixa estanque.
Abri a caixa para remover o cartão de memória para já baixas as imagens, fechei novamente e coloquei a caixa na água, e logo surgiu o alarme sonoro e luminoso indicando alagamento.
Rapidamente puxei a caixa estanque para fora d’água, mas ainda assim, entrou água doce na caixa.
A primeira medida a ser feita é deixar tudo desligado e jamais tentar testar a câmera, pois havendo água no interior da câmera ou da lente, essa água poderá curto-circuitar as placas eletrônicas.
Por ter um conhecimento técnico, peguei algumas ferramentas e removi a tampa traseira da minha câmera e o soquete de encaixe da lente, deixando ambos abertos até o dia seguinte, pegando ar. Pela manhã, coloquei-os expostos diretamente no sol para tentar acelerar o processo de secagem da água no interior dos equipamentos.
No fim do dia refiz a montagem e felizmente deu certo, câmera e lente funcionando perfeitamente. O alarme ajudou a salvá-los, pois com o alerta, rapidamente puxei a caixa para fora d’água, e se não fosse ele, as chances seriam mínimas de salvar esses itens.
Com tudo funcionando, precisava me certificar de que a caixa estanque estava com a vedação perfeita, e para isso, ao invés de levar para um mergulho e testá-la, o que demoraria e demandaria um tempo desnecessário, fui até a Scuba Repair, em São Paulo, para realizar um teste na câmera hiperbárica deles. Em poucos minutos o teste foi realizado e a caixa não apresentou problemas.
Lição aprendida
O que se tira dessa lição é não colocar equipamentos sensíveis à água num momento em que estamos cansados. Procure deixar para o dia seguinte.
Na ocasião acabei indo dormir às 4:40h da manhã e certamente o cansaço excessivo, não me permitiu perceber que a caixa não estava fechada adequadamente, mesmo eu tendo a impressão de que estava, antes mesmo de colocá-la na água.
Com cansaço, a pessoa tende a estar mais descuidada e a não perceber pequenos indicativos de que há algo errado. Felizmente dei sorte e aprendi a lição.
Então, chegando em casa após um dia cansativo de mergulho, deixe para lavar os equipamentos mais sensíveis como câmera, computador ou algo que não possa alagar, pra depois.
Veja como é o teste em Câmara Hiperbárica

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



