Câmeras DSLR oferecem excelente qualidade de vídeo pelo preço e são uma solução útil de viagem com uma câmera, contudo, o mergulhador que pretende em gravar vídeos, devem estar ciente de alguns aspectos e desafios para captura de imagens em movimento, quando se utiliza esse tipo de equipamento.
Cada câmera possuía um formato com capacidade limitada para capturar foto ou vídeo. Em 1998, a famosa filmadora mini-DV Sony TRV900 estava entre as primeiras câmeras mais desejadas na época, pois ela permitia a captura de imagens estáticas digitais. Mais recentemente, a filmadora Sony PJ760 captura não apenas imagens de vídeo de alta definição (HD) em mídia flash, como também, fotos com 24 megapixels, e ao mesmo tempo. Muitas câmeras digitais de hoje ostentam recursos de vídeo integrados com taxas de quadros e resolução impressionantes.
A introdução da câmera Canon EOS 5D Mark II em 2008 trouxe à tona a confluência contínua da tecnologia de foto e vídeo. Vejamos alguns motivos para a sua popularidade e os fatores que você deve considerar ao decidir se um sistema DSLR é o equipamento certo para seus objetivos.
Uma boa produção com orçamento limitado
Os grandes estúdios foram rápidos o benefício significativo da 5D Mark II, pois ela permitia a captura de imagens com profundidade de campo e semelhante a um filme, por uma fração do custo de outras opções de cinema digital. Por muito menos que US$ 10.000 (equipada com vários acessórios de vídeo), a 5D tinha um custo muito mais baixo que as ofertas da época, que começavam na faixa dos US$ 30.000, como a EPIC, Canon C500 ou Sony F55.
A plataforma DSLR permite o uso de uma vasta gama de lentes para qualquer situação de produção, o que contribuía muito, pois as lentes de cinema chegam a começar a custar entre 5.000 e US$ 25.000, uma simples unidade.
A disponibilidade das câmeras DSLR’s ajudou muito aspirantes a cineastas, permitindo a distribuição de uma infinidade de longas-metragens premiados e criados com orçamentos apertados. Like Crazy, por exemplo, foi produzido por US$ 250.000 e posteriormente comprado pela Paramount por US$ 4 milhões, após ter ganho o Prêmio do Grande Júri do Festival de Cinema de Sundance em 2011. Produções de televisão também passaram a aceitar as DSLR’s. O episódio final de House foi filmado inteiramente em câmeras 5DMII, por exemplo.
Outro aspecto importante, era a capacidade de gravar com pouca luz, visivelmente comprovado na produção de Vincent Laforet em Nocturne, que foi gravado à noite e inteiramente com iluminação natural.
Não demorou muito para que os mergulhadores adotassem as DSLR’s para uma ampla gama de aplicações, incluindo, produções comerciais e de transmissão, história natural e vídeos pessoais subaquáticos para mídias sociais, e até produções para o Discovery Channel, onde muitas produções chegaram a usar câmeras Canon EOS 7D com caixa estanque,

Pontos positivos das câmeras DSLR no mergulho
Luz é um dos aspectos muitos importantes, quando falamos em vídeo subaquático, e as câmeras DSLR’s são mu9ito boas nesse ponto. O fotógrafo subaquático Eric Cheng foi pioneiro em fotografar no extremo da pouca luz, capturando peixes com lanterna à noite enquanto fluíam de sua toca diurna. Anteriormente, não era possível registrar esse comportamento notável sem um equipamento de câmera que custava a partir de seis dígitos.
Um exemplo mais convencional é filmar animais grandes, como baleias jubarte ou mantas, cujo imenso tamanho e mobilidade, normalmente impedem o uso de luzes subaquáticas. A capacidade em gravar com pouca luz usando as DSLR’s, que não só torna possível o ajuste de exposições adequadas, como também, permite f-stops mais altos e melhor profundidade de campo.
Quando falamos em viajar, o uso de uma DSLR é difícil de superar. Os modelos mais recentes com todos os recursos da Canon e Nikon produzem fotos e vídeos em alta definição. Em nosso mundo de viagens desafiadoras e com restrição de peso, essa é uma consideração importante.
Aspectos negativos
Profundidade de Campo
Câmeras DSLR’s possuem sensores grandes, como os Full-Frame de 35 mm (36mm X 24mm) ou sensores recortados (23mm X 15mm). Quanto maior o sensor, menor sua profundidade de campo (DOF) em uma determinada abertura.
Os estúdios de Hollywood adotou as câmeras DSLR’s porque era uma evolução natural das câmeras de topo Panavision, que também têm trabalham com sensores de 35mm. Uma profundidade de campo inferior, pode ser útil para certas fotos subaquáticas, mas geralmente, tornam as coisas mais difíceis.
Foco
Nas gravações de Hollywood, sempre á o que chamamos de “foquista”, um profissional que tem como única tarefa, estabelecer e rastrear o foco de um assunto parado ou em movimento. Esse trabalho existe porque o foco crítico (a pequena e nítida janela de foco) costuma ser tão desafiador que requer uma grande atenção de uma única pessoa.
Atualmente muitas DSLR’s já empregam o rastreamento de foco automático, o que ajudou muito, pois no passado esse sistema não existia ficando bastante complicada a questão de foco durante o mergulho.
A imagem macro é mais desafiadora. A física ótica de pequenos meios, literalmente, uma profundidade de campo fina como papel. Altos ISO’s e enormes quantidades de luz são necessários para obter uma profundidade de campo razoável. Por outro lado, sensores de câmeras de vídeo são geralmente muito menores, como por exemplo, a famosa Sony PMW-EX1R, um sistema HD de trabalho pesado em TV aberta com sensor 6.4mm X 4.8mm, muito usada anos atrás.
O sensor menor se traduz em uma profundidade de campo substancialmente maior e foco crítico direto. Com uma grande profundidade de campo, o foco de rastreamento pode ser desnecessário se o objeto permanecer dentro de uma determinada área de captura. Se você pretende adquirir uma DSLR para filmar, é de grande valia, comprar uma câmera com foco com rastreamento automático.

Ergonomia
As DSLRs foram projetadas para uma coisa: fotografias estáticas. Isso significa que a ergonomia quanto ao manuseio delas não é necessariamente projetada ou otimizada para produções em vídeo. Um aspecto frequentemente esquecido das câmeras é a interação do usuário com elas, como elas são seguradas, acesso aos botões de acionamento, como balanço de branco ou íris) e como o enquadramento é feito (por meio do visor ocular ou LCD).
Autoexposição
A maioria das DSLR’s não tem a capacidade de ajustar automaticamente a exposição no meio do plano. Com a mudança de iluminação, uma filmadora se ajustará de forma suave e mais rápido entre uma condição e outra.
Isso pode ser muito importante em sequências de ação rápida, como alimentação de peixes ou mantas em uma estação de limpeza, por exemplo.
Ótica e portas
Essa é facilmente a diferença e consideração mais importante. As DSLR’s possuem flexibilidade ótica com uma ampla gama de possibilidades entre lentes no mercado. Antes de mergulhar, você escolhe uma lente para imagens amplas, médias ou macro, selecionando se a porta será plana ou um domo simples, conforme a interação ótica com a lente.
Já as câmera de vídeo são diferentes. Com suas lentes integradas, elas cobrem a maioria dos cenários de imagens, de macro a grande angular. Dessa forma, você pode frequentemente obter uma única porta para acomodar todas as necessidades e uma que seja idealmente combinada com a ótica da filmadora.
É importante observar que os sistemas de qualidade cinematográfica, incluindo certas câmeras Canon e aquelas feitas pela RED, compartilham as mesmas limitações óticas das DSLR’s. Essas câmeras empregam uma grande variedade de lentes que incluem opções ddas próprias câmeras DSLR’s, bem como lentes de bloqueio positivo (PL) com qualidade cinematográfica e que chegam a custar US$ 40.000.
Mas há uma diferença significativa: Esses sistemas capturam resolução 4K e 8K, um atributo necessário na aquisição de cinema digital. Para atingir essa resolução, os sensores são grandes e as profundidades de campo correspondentemente pequenas.
Embora o objetivo deste artigo seja revisar a capacidade de gravação em vídeo, a qualidade das capturas de quadros individuais dessas câmeras de cinema digital 4K de ponta não pode ser ignorada.
Resumindo
Tudo isso deve levar você a uma conclusão: use a ferramenta certa para o trabalho.
As câmeras DSLR’s são muito diferentes dos equipamentos de vídeo. Cada uma tem propósitos e recursos que contribuem para o sucesso do fotógrafo ou cinegrafista, respectivamente. Para o fotógrafo que deseja capturar vídeos oportunistas de assuntos melhor transmitidos com movimento, uma caixa DSLR pode funcionar brilhantemente. No entanto, para um cinegrafista dedicado, as vantagens de uma câmera de vídeo em uma caixa estanque são indiscutíveis.
O fotógrafo com uma DSLR pode capturar vídeos atraentes e o cinegrafista com um sistema RED EPIC ou similar, poderá produzir imagens estáticas de qualidade profissional a partir de capturas de quadros de vídeo. Estes são tempos emocionantes para fazer imagens digitais, e os avanços em fotos e vídeos sem dúvida, confundirão os limites cada vez mais no futuro.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



