Frequentemente, os mergulhadores chegam com perguntas importantes, trazendo dúvidas que são bem comuns entre os mergulhadores. Vejamos algumas abaixo:
Tenho um aluno que tem um neuroestimulador para dor nas costas. O que exatamente é um neuroestimulador e isso implica em algo no mergulho ?
Neuroestimuladores são dispositivos implantados cirurgicamente e que possuem alguma semelhança com marcapassos cardíacos. Usados para dor crônica, bem como outras condições que variam de problemas gastrointestinais à doença de Parkinson, eles são implantados sob a pele e têm fios que vão do dispositivo para as áreas que precisam de estimulação.
Os Neuroestimuladores usados para dor crônica nas costas são frequentemente colocados no abdômen ou na parte superior das nádegas, e os fios são colocados no espaço epidural próximo da medula espinhal. Assim como em outros dispositivos elétricos implantados, existem algumas questões que os mergulhadores devem considerar em relação ao dispositivo em si e a condição médica subjacente.
Uma consideração importante em relação ao dispositivo é a classificação de pressão. Esses dispositivos específicos geralmente são classificados apenas para uma pressão ambiente de 2 atmosferas (10m de profundidade no mar).
A fabricante Medtronic, afirma que exceder essa pressão pode levar à degradação do produto. Além disso, exceder a pressão máxima recomendada pode levar a alterações na maneira como o dispositivo funciona ou causar sua falha, o que exigiria uma remoção cirúrgica e reimplante.
Pessoas com neuroestimuladores podem determinar a classificação de pressão de seu sistema, revisando na literatura fornecida a elas as seções que abordam esportes e outras atividades. Eles também podem obter informações ligando para o número gratuito no cartão de identificação do dispositivo e fornecendo o número de série.
Outra consideração que não deve ser ignorada é a razão subjacente para o dispositivo. Essa condição deve ser avaliada com relação a quaisquer problemas potenciais com mergulho.
Vou consultar um cirurgião-dentista na semana que vem para colocar implantes dentários. Isso pode interferir no meu mergulho ?
Um implante dentário é um pino ou estrutura de titânio que é colocado cirurgicamente no maxilar. Um implante substitui uma raiz dentária natural e fornece uma base para a montagem de dentes de substituição ou uma ponte.
Existem várias etapas no processo de implante dentário, e cada etapa tem suas próprias restrições ao mergulho. As etapas podem ser concluídas simultaneamente como um implante no mesmo dia ou estendidas ao longo do tempo. Seu dentista ou cirurgião oral é seu melhor recurso. Geralmente, o mergulho não é recomendado até que toda a cicatrização esteja completa e o implante tenha tido o tempo adequado de integração e a restauração dentária apropriada esteja no lugar.
O passo inicial é a extração de um dente danificado, e nesse momento, alguns aspectos podem ocorrer. Uma matriz óssea (enxerto ósseo) pode ser colocada no alvéolo para fornecer um local adequado para o futuro implante. A colocação do material de enxerto dependerá do local na mandíbula e da densidade e espessura do osso circundante.
Alternativamente, o dente pode ser extraído e o alvéolo pode ser deixado para curar naturalmente. Ou, o implante pode ser colocado no momento da extração.
A colocação do implante é o passo mais crítico. Seu especialista em implantes irá perfurar precisamente o osso e vai parafusar um pino de titânio rosqueável. Após esse procedimento, você precisará evitar mergulhar por um longo período para permitir a osseointegração do implante, que é a fusão do implante de titânio e do osso circundante é crucial para o sucesso.
Qualquer coisa que interfira nessa osseointegração, incluindo algum movimento do implante, infecção, e etc, pode causar a falha do implante. Não há pesquisas específicas sobre implantes dentários e o mergulho, e as opiniões dos dentistas sobre o tempo fora da água variam. Alguns sugerem um mínimo de três meses, enquanto outros aconselham de seis a 12 meses antes de retomar o mergulho. Siga as recomendações do seu dentista sobre o tempo de cicatrização, apesar de alguns dentistas não saberem nada sobre os aspectos fisiológicos relacionados com o mergulho, eles devem ter uma recomendação sobre quanto tempo evitar o estresse dentário.
As etapas finais são relativamente simples e não afetarão o mergulho. O implante de titânio inserido é coberto com um pequeno pino. Pode ser uma coroa, um ponto de ancoragem para uma ponte ou uma reconstrução semelhante. Se a osseointegração já tiver ocorrido, o mergulho geralmente pode ser retomado após algumas semanas, pois isso já permitiria que as gengivas se curem.
Uma vez que o dispositivo final ou coroa esteja no lugar, o implante pode ser tratado como qualquer outro dente. Mantenha-o escovado e com fio dental, ele deverá atender bem você. Considere um teste em uma piscina para ver como a mordida do bocal do seu regulador se encaixa com a reconstrução final.

Tenho 48 anos e tenho hipertensão moderada. Fui diagnosticado com estenose pulmonar, que foi corrigida cirurgicamente. A válvula pulmonar, no entanto, está permitindo que algum sangue vaze, permitindo o refluxo. Isso é um desqualificador para o mergulho ?
Quais riscos de curto e longo prazo envolvidos no mergulho com esse problema médico ?
Se uma condição médica desqualifica ou não uma pessoa para mergulhar, isso dependerá de vários fatores, incluindo a gravidade da doença e a presença de condições médicas associadas.
O mergulhador deve passar por uma avaliação completa por um médico, e a aptidão para mergulhar deve ser considerada conforme cada caso. Meu comentário aqui, fornecem informações básicas sobre insuficiência da válvula pulmonar e alguns dos problemas cardíacos associados, que influenciam nas decisões sobre a aptidão para o mergulho.
O sangue desoxigenado que retorna do corpo entra no coração antes de seguir para os pulmões para a reoxigenação. A insuficiência da válvula pulmonar pode resultar no fluxo reverso de sangue (regurgitação) para o ventrículo direito do coração. A insuficiência pulmonar mínima ou leve, é comum em muitas pessoas com corações saudáveis e raramente requer intervenção médica.
Embora a insuficiência pulmonar leve possa não se manifestar com sintomas, indivíduos com uma condição mais grave, podem sentir fadiga, falta de ar (especialmente durante esforço físico), intolerância ao exercício, desmaios, palpitações ou dor no peito. O refluxo pode resultar de uma série de condições médicas, incluindo malformação congênita, hipertensão pulmonar e estenose pulmonar.
A Estenose Pulmonar é um estreitamento entre o ventrículo direito e a artéria pulmonar, resultando em uma obstrução no fluxo de sangue pobre em oxigênio do coração para os pulmões. Mesmo sendo corrigida, a insuficiência pulmonar ainda pode estar presente. Se a regurgitação desqualifica ou não alguém para o mergulho, isso dependerá da gravidade da regurgitação, da existência de doença miocárdica subjacente e, especialmente, da saúde e função do ventrículo direito.
Fatores como idade e hipertensão crônica podem resultar em espessamento das paredes do ventrículo (Hipertrofia) e perda de elasticidade cardíaca que reduzem a capacidade do coração de se adaptar ao estresse fisiológico. Vários fatores, como a imersão, exercícios e água fria, deslocam o fluido da periferia do corpo para o núcleo e aumentam a carga de trabalho cardíaca. Se o músculo do ventrículo direito estiver comprometido de alguma forma, o coração pode não ser capaz de lidar com essas mudanças de fluido associadas ao mergulho.
Se o vazamento for leve o suficiente para que os sintomas não sejam aparentes e o ventrículo direito tiver tamanho e função normais, é provável que o mergulho possa ser realizado com segurança. A incompetência valvular pode resultar em aumento do estresse ventricular direito e resultar em hipertrofia (independente de elevações sistêmicas na pressão arterial).
Como o músculo cardíaco responde a essa sobrecarga, isso dependerá da gravidade da condição e de quanto tempo ela está presente. A sobrecarga crônica pode resultar em hipertrofia, o que reduz a eficiência cardíaca e requer aumento do fluxo sanguíneo para o próprio músculo cardíaco.
Durante estados fisiologicamente estressantes, como imersão, exercícios e temperaturas extremas, o coração pode não ser capaz de atender às demandas do músculo cardíaco. A doença hipertrófica também aumenta o risco de batimentos cardíacos irregulares (arritmia), o que pode levar à insuficiência cardíaca ou ritmos cardíacos instáveis. Os ventrículos hipertróficos também são menos capazes de acomodar mudanças significativas de fluidos.
O reparo de válvula pode exigir terapia anticoagulante vitalícia, embora isso seja mais comum com as válvulas aórtica e mitral. Embora o uso de anticoagulantes por si só não seja necessariamente um desqualificador absoluto do mergulho recreativo, ele deve ser considerado em uma decisão geral sobre a aptidão médica para mergulhar.
É importante procurar avaliação médica antes de mergulhar, e seria prudente consultar um cardiologista, que pode solicitar um teste de estresse cardiovascular ou outros testes para determinar a função cardíaca e sua capacidade de executar nos níveis mais altos de atividade necessários para o mergulho.
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Ernest S. Campbell
Médico cirurgião com anos de experiência, possuindo diversas especialidades médicas, sendo uma grande referência no mercado internacional do mergulho.
Membro de várias entidades norte americanas como a Undersea & Hyperbaric Medical Society (UHMS), e foi responsável pela área de educação e treinamento da DAN nos Estados Unidos.



