No mergulho técnico acabamos por levar muito mais equipamentos que no mergulho convencional e, dependendo do tipo de operação de mergulho, levamos literalmente uma caçamba de uma pick-up lotada de equipamentos, agora, e quando a viagem envolve um voo ?
Algumas pessoas me questionam como faço para levar todos os equipamentos, e ainda levar meu equipamento fotográfico e o conjunto de drone e acessórios. É realmente muita coisa. A outra pergunta também frequente, é se eu alugo algum equipamento, e a resposta é é: depende.
Tudo irá variar com o tipo de objetivo em questão.
O mergulho técnico será profundo ?
Será em caverna ?
Precisa de imagens ?
Foto ou vídeo ? Os dois ?
Requer alta resolução ?
Se o mergulho é técnico e requer imagens de excelente qualidade, a viagem pode virar um transtorno, e a saída pode ser o aluguel de equipamentos.
Particularmente não gosto disso, e adotei pra mim, que sendo mergulho técnico ou caverna, não alugo mais equipamentos, pois tive duas experiências péssimas.
Numa ocasião em que estive no DEMA Show de Orlando, na Flórida, logo após alguns dias do evento, eu e alguns amigos subimos para a região das cavernas. Na ocasião, decidi mergulhar com cilindros duplos e, como já estava levando vários equipamentos com o adicional dos equipamentos fotográficos, acabei alugando uma asa em uma das principais operadoras de mergulho em caverna daquela região.
Pra minha surpresa, no meio do mergulho a asa começou a vazar e simplesmente criou um enorme problema, pois levando em consideração meu porte, que não é grande, estar mergulhando em uma caverna com uma dupla de cilindros de aço pressed steel, super pesados, e ter que finalizar o mergulho retornando de uma grande distância percorrida com equipamento fotográfico nas mãos, não foi fácil. Pra piorar, não estava de roupa seca, que poderia me ajudar na flutuabilidade enchendo um pouco ela.
Em outra ocasião, acabei alugando um regulador em uma operadora conhecida e, outra surpresa… quando passei a respirar por um stage com o regulador alugado, vinha água juntamente com o gás, me obrigando a inspirar bem devagar, para que não viesse água e acabar me afogando de vez.
Após essas duas experiências, decidi que não devo alugar mais equipamentos, independente de ser uma viagem só de mergulho ou em família, onde normalmente se aproveita um ou dois dias de mergulho.

Mas como resolver a questão do peso ?
Normalmente todo material fotográfico acaba sendo levado na mochila e, por motivos óbvios. Primeiro, pelo cuidado, pois estando em mãos, conseguimos tomar todos os cuidados necessários com o equipamento, diferentemente de fazer o despacho na mala.
A segunda razão, é pelo do alto custo do material e risco de furtos.
Uma tática que venho utilizando, é levar meus dois reguladores principais desmontados, deixando o primeiro e segundo estágio em uma pochete. Sim, uma pochete dessas bem grandes usadas em trilhas. É ridículo, é arcaico, é coisa de velho, mas ganho mais esse espaço e viro praticamente uma árvore de Natal, mas resolve e muito ! Acaba indo por baixo do casaco e não me perturbam com isso.
Em relação ao restante dos equipamentos, não tem o que fazer. O negócio é despachá-los na mala grande e rezar pra que ela chegue ao destino final inteira.
Um cuidado que você pode ter, é não levar roupa demais, pois acaba criando um volume extra e ocupando demasiadamente a mala. Dependendo do destino, é comum acabar comprando mais roupas, então, pra quê levar tudo isso de casa ?
Dependendo do destino, você pode lavar a roupa na lavandeira do hotel ou em alguma loja na rua, e assim, você leva menos roupas. Brasileiros normalmente acabam exagerando na quantidade de roupas, mas com tantos problemas ultimamente com as bagagens nos aeroportos, o jeito é ir se adaptando e pegar o jeito europeu com pouca bagagem mesmo.
Atualmente, a bagagem despachada geralmente está sendo limitada em 23kg, ou seja, quase nada. Se você juntar só os mosquetões de inox das spools e deco marker, facilmente já chega a meio quilo. Pegue isso e leve no bolso, pois de pouquinho em pouquinho, dão os 23Kg fácil fácil.
Mas voltando ao tema principal, na minha opinião, o aluguel de equipamentos não é uma boa, porque você nunca sabe o que acabarão lhe entregando, e as chances de receber algum equipamento com problema ou com gambiarra, é grande. Podendo levar o seu, ainda é a melhor coisa a ser feita.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



