Cientistas identificam o causador da morte de 5 bilhões de estrelas do mar

Cientistas afirmam ter finalmente resolvido o mistério por trás da morte de mais de 5 bilhões de estrelas do mar ao longo da costa do Pacífico da América do Norte durante uma epidemia que durou uma década.

As estrelas do mar normalmente têm cinco braços, mas algumas espécies podem ter até 24. Suas cores variam do laranja sólido a misturas vibrantes de laranja, roxo, marrom e verde.

“É realmente horrível”, disse a ecologista marinha Alyssa Gehman, do Hakai Institute, no Canadá, que ajudou a identificar a causa. Segundo ela, estrelas saudáveis têm “braços gordinhos e esticados”, mas a doença faz com que desenvolvam lesões e, eventualmente, percam os braços.

Agora, os cientistas dizem ter identificado o culpado: uma bactéria que também infecta mariscos, segundo estudo publicado na revista “Nature Ecology and Evolution”.

O processo de descoberta levou mais de uma década, com diversos caminhos falsos e reviravoltas. Pesquisas iniciais sugeriram que o causador seria um vírus, mas o densovírus — foco inicial dos cientistas — acabou sendo apenas um residente comum nas estrelas do mar saudáveis, sem relação com a doença, explicou Melanie Prentice, também do Hakai Institute e coautora do estudo.

Outros estudos falharam por analisarem tecidos de animais já mortos, que não continham mais o fluido corporal responsável por envolver os órgãos. Foi esse fluido, chamado fluido celômico, que finalmente revelou a presença da bactéria Vibrio pectenicida.

Agora que a causa foi identificada, os cientistas têm mais chances de intervir para ajudar as populações de estrelas do mar. Prentice explicou que será possível testar quais indivíduos ainda estão saudáveis e considerar estratégias como relocação ou reprodução em cativeiro para reintrodução em áreas severamente afetadas.

Os pesquisadores também pretendem investigar se há populações naturalmente imunes e se tratamentos, como probióticos, poderiam aumentar a resistência à doença.

Segundo os cientistas, esse esforço de recuperação é vital não só para as estrelas do mar, mas para todo o ecossistema do Pacífico. Estrelas girassol saudáveis se alimentam de ouriços do mar, cuja população explodiu com a redução dos predadores.

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