A fotografia subaquática cada vez mais ganha seu espaço, com tantos modelos de equipamentos disponíveis aos mergulhadores.
Hoje é possível fotografar e filmar com câmeras do tipo GoPro, até os modelos profissionais de câmeras DSLR ou mirrorless.
Mas, um tipo de câmera anda ganhando seu mercado em razão da facilidade em uso e disponibilidade… as câmeras de telefone celular.
Ao longo dos anos, os telefones ganharam câmeras aprimoradas que aumentaram exponencialmente a qualidade na geração das imagens em foto ou vídeo, onde alguns modelos de telefone, chegam a produzir imagens de altíssima qualidade, comparáveis as câmeras profissionais.
Mas como tudo na vida, sempre haverão aspectos à serem considerados na hora da compra.
Atualmente encontramos diversos modelos de caixas estanques disponíveis nas grandes lojas, havendo grandes diferenças entre elas, principalmente, quanto ao manuseio e qualidade na geração das imagens.
Uma das grandes vantagens dessas caixas, é que elas permitem a utilização por diferentes modelos de telefones, diferentemente das tradicionais caixas estanques, onde normalmente o mergulhador só consegue utilizar para um determinado modelo de câmera específico.
Mas nem tudo são flores, e o mergulhador deve estar atento ao tipo de imagem desejada, utilizando um telefone de boa qualidade e performance, para se obter boas imagens subaquáticas.
Ao longo do tempo, testei alguns modelos de caixa estanque para telefone celular e percebi alguns pontos que podem fazer a diferença na hora da captação de imagens. Um dos pontos principais, é a qualidade do sensor ótico utilizado pelo celular. Levando-se em consideração que embaixo d’água temos menos luz, um sensor com alto desempenho na captação de imagens com baixa quantidade de luz, pode fazer uma boa diferença.
Telefones com sensores de desempenho inferior, tendem a gerar imagens mais granuladas e com ruído pela falta de luz e, por causa disso, acabam utilizando configurações de ISO mais altas, diminuindo consideravelmente a qualidade de imagem captada.
Outro aspecto que também notei, é que, com a baixa quantidade de luz, muitas vezes a imagem acaba não ficando tão nítida, sendo perceptível quando observamos a imagem gravada.
Um aspecto muito comum, é a dificuldade no manuseio do equipamento pelo mergulhador. Diante de tantas configurações disponíveis e com a falta dos “botões” de acionamento, muitas vezes o mergulhador se perde para conseguir configurar a câmera do celular com seleções mais adequadas para as condições em que a imagem será gerada, sendo imprescindível conhecer bem o equipamento que se têm em mãos, para não perder aquele momento tão desejado para fotografar, ou até mesmo, o próprio tempo de mergulho.
Outro ponto que o mergulhador deve considerar, é a utilização de lente grande angular, pois como todas as outras câmeras, ao submergirmos, o ângulo de cobertura do sensor diminui consideravelmente, então, a utilização de uma lente grande angular fará com que o mergulhador amplie o campo de cobertura pela câmera do telefone celular e, consequentemente, melhorando a qualidade da imagem em si.
Muitos fotógrafos mergulhadores afirmam que a produção de vídeos com telefone celular, obtém-se uma qualidade melhor de imagem, e concordo com eles. Assim como as câmeras do tipo GoPro, a geração de vídeos acaba tendo uma qualidade melhor da imagem captada, e sinceramente não dizer o motivo disso.
Aliás, é importante relembrar que os últimos modelos da GoPro não geram fotos no tamanho 16:9 (widescreen), somente o formato 4:3 ou 8:9. Também não sei o motivo disso, e acho esse aspecto muito ruim em termos de fotografia, onde normalmente queremos captar imagens bem ampliadas, para dar a dimensão do espaço observado embaixo d’água.
Um ponto muito bom para quem pretende mergulhar e captar imagens com o celular, é a diminuição de equipamentos necessários para tal. Como o próprio celular já é a câmera, acabamos levando menos volume durante a viagem, o que é muito bom, ainda mais levando em consideração que as companhias aéreas estão cada vez mais dificultando a vida dos viajantes, com limitações cada vez maiores quanto ao transporte de bagagens.
Um aspecto importante que também vale ressaltar, é o consumo de bateria do telefone. Como normalmente mergulhamos usando o telefone com o LCD ligado durante todo o mergulho, isso gera um alto consumo de bateria e, onde muitas vezes, chegamos retornar do mergulho com a bateria zerada ou próximo disso, sendo muito importante e, viável, ter um power bank disponível na embarcação, para dar uma carga no telefone, entre um mergulho e outro.
A qualidade da caixa estanque também faz toda a diferença. Telefone celular de alta performance normalmente tem um custo bem mais elevado, e ninguém quer ter a chance de perdê-lo por algum alagamento da caixa durante o mergulho.
Procure sempre utilizar uma caixa estanque de excelente qualidade e bem reconhecida no mercado. Particularmente dentre todas as caixas que utilizei, posso afirmar que um dos melhores modelos disponíveis são as caixas da marca DiveVolk, pois são muito resistentes, com excelente acabamento e a tela traseira que permite o manuseio e seleção das configurações facilmente pelo mergulhador, que aliás, nunca vi igual.
Uma boa vantagem deste modelo em relação as demais encontradas no mercado, é que por não ter a necessidade da utilização da conexão bluetooth para o acionamento dos controles, isso ajuda a economizar muita a bateria do celular e, consequentemente, mais tempo de uso durante o mergulho.
O mergulhador também deve dar atenção ao formato da imagem gerada. A maioria dos telefones geram imagens no formato JPEG, porém, telefones com qualidade superior permitem a geração de imagens no formato RAW, e isso ajuda muito na hora da edição das imagens, permitindo ao mergulhador realizar grandes alterações na imagem, intervindo nas camadas de cores como um todo, sem a perda na qualidade da imagem final gerada.
Conclusão
O telefone celular permite a geração de boas imagens em foto e vídeo pelo mergulhador, mas é importante estar ciente que até o momento, nenhum deles conseguirá trazer um desempenho tão profissional como as câmeras profissionais, contudo, se você deseja apenas trazer as boas lembranças do mergulho, levar menos equipamentos e ter muitas facilidades, certamente essa possibilidade em termos de câmera, possibilitará a geração de imagens subaquáticas que poderão atender as expectativas.
Agradecimentos: Michele Brito


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



