O navio de guerra HMS Tiger entrou em serviço na Marinha Real Britânica em 1901 como um contratorpedeiro e, uma de suas funções, incluía proteger outras embarcações contra ameaças e projéteis, sendo utilizado em patrulhas e escoltas britânicas.
Sua história foi marcada por tragédias, pois em 1907, ele encalhou no porto da Ilha de Portland, na Inglaterra. A quilha ficou danificada. Após os reparos, ele voltou a operar.
Em 2 de abril de 1908, o navio participava de um treinamento noturno quando colidiu com outra embarcação britânica, o HMS Berwick, enquanto estavam próximos à Ilha de Wight, no Canal da Mancha.
O Tiger pesava cerca de 400 toneladas, enquanto o Berwick tinha aproximadamente 10 mil toneladas. O impacto foi tão forte que o Tiger se partiu ao meio. A proa afundou imediatamente e a outra metade afundou aos poucos e em menos de três minutos. Cerca de 26 pessoas morreram e outras 22 foram resgatadas.
A marinha britânica estava tentando localizar os destroços, mas sem sucesso. Nos últimos anos, uma nova sequência de buscas através do Project Xplore, reuniu uma equipe de historiadores e mergulhadores, e nesta semana, 118 anos após o naufrágio, finalmente localizaram os destroços do Tiger no Canal da Mancha.
A equipe passou cinco anos pesquisando arquivos e dados históricos para delimitar uma área de busca em que o navio provavelmente estaria. Posteriormente os mergulhadores partiram para a exploração da região até encontrarem os destroços.
Entre os objetos identificados, está o sino do navio e diversas partes da embarcação. Em homenagem às vítimas do acidente, os mergulhadores colocaram uma coroa de flores no naufrágio.
A descoberta ocorre em um momento particularmente importante, pois o Parlamento britânico está discutindo sobre a reformulação da Lei de Proteção de Restos Militares (1986) com o Projeto de Lei das Forças Armadas (2026).
A proposta é aumentar ainda mais a proteção concedida às embarcações militares inglesas naufragadas, pois atualmente, apenas as embarcações naufragadas nos últimos 200 anos estão protegidas.
Uma das mudanças prevê tornar crime a remoção de objetos e pedaços dos naufrágios ou interferir de alguma forma sua integridade.
Os mergulhos continuariam permitidos, mas retirar objetos das embarcações ou interferir nos destroços não está autorizado.
Caso a proposta seja aprovada, o Tiger e todos os outros naufrágios, ficarão sujeitos imediatamente às novas regras de proteção.

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