Após décadas de mistério, finalmente o naufrágio da Parnaioca foi identificado.
O pesquisador de naufrágios, Fábio Conti, vinha realizando um estudo sobre o naufrágio localizado na Parnaioca, Ilha Grande – RJ, há anos. O misterioso naufrágio era coberto de histórias e algumas lendas, porém, nunca os pesquisadores chegavam numa conclusão.
Ao longo do tempo, as pesquisas começaram a indicar as possibilidades, até que recentemente, as informações apontavam para o Vapor Iguassú. Foram realizadas algumas pesquisas junto alguns museus e universidades na Alemanha, onde foram colhidos alguns dados sobre o navio suspeito no Lloyd alemão, Germanischer Lloyd, o antigo nome.
Um dos pontos mais importantes, era realizar algumas medições do naufrágio da Parnaioca, para verificar se elas batiam com o navio Iguassú, contudo, o mergulho na Parnaioca depende muito das condições de mar, tendo em vista que o local está virado para o mar aberto, o que dificulta muito a realização do mergulho.
“Tentei por minha conta e com o apoio do Ziba organizar um mergulho naquele naufrágio, mas devido à falta de tempo, condições climáticas, compromissos familiares, etc a coisa não andou para a frente. Então, recentemente, surgiu uma ótima oportunidade de resolver esse mistério. A equipe da operadora Atlantis Divers, iria sair no catamarã Enterprise para mais um liveaboard na região da Ilha Grande no feriado de finados. Após alguns dias de espera por condições favoráveis a um mergulho na ponta da Parnaioca, no lado externo da Ilha, hoje pela manhã a oportunidade surgiu.
Com equipamentos de medição, foi possível provar que minhas suspeitas tinham realmente fundamento: Além de diversos aspectos da estrutura e motorização do navio, as medidas obtidas coincidiam com os dados enviados da Alemanha.
Acho que depois disso, podemos concluir que um mistério de 75 anos foi resolvido.
O naufrágio da Parnaioca agora tem nome: é o vapor Iguassú do Lloyd Brasileiro”, disse Fábio Conti.
Alguns resultados das pesquisas
- De acordo com o NdB, boatos de moradores da Ilha Grande dizem que o naufrágio teria ocorrido nos anos 50 do século XX;
- Acórdão n. 2104 do Tribunal Marítimo informa que o Pontão Iguassú, a reboque do navio Guarassú, se soltou do reboque e desapareceu durante a noite no dia 15 de abril de 1951 nas proximidades da Ilha Grande;
- O vapor Iguassú era originalmente o vapor alemão Santa Rosa da armadora Hamburg-Süd. O navio foi apreendido pelo governo brasileiro durante a Primeira Guerra mundial e repassado para o Lloyd Brasileiro, recebendo o nome de Iguassú;
- O comprimento do naufrágio, de acordo com o NdB é de 103 m;
- O comprimento do vapor Iguassú, de acordo com o Lloyd’s Register era de 351 pés, ou 106,98 metros. As características técnicas do vapor Santa Rosa eram as seguintes:

- De acordo com artigo do jornal Correio da Manhã, do dia 1 de junho de 1941 – Página 5, o vapor Iguassú estava imprestável mesmo para a cabotagem, tendo sido impedido pela Capitania de fazer uma viagem para a África do Sul;
- Até 1950 o Iguassú estava registrado no Lloyd’s Register com navio de carga, e some dos registros em 1952.
- Devido à escassez de recursos, até os anos 60 do século XX, as armadoras aproveitavam os navios encostados devido ao mau estado de conservação, para serem empregados como “pontão”, como foi o caso do vapor Taubaté, naufragado em Recife em 1954.
Correio da Manhã, Domingo, 01 de junho de 1941
“O vapor “Iguassú”, do Lloyd Brasileiro, estava de saída marcada para os portos da África do Sul, para onde seguiria hoje, devendo escalar em Santos, Paranaguá e Rio Grande, onde receberia um grande carregamento para os portos africanos.
Ontem, o referido navio foi submetido a uma vistoria pelos peritos da Capitania do Porto desta capital, sendo constatada a sua absoluta inavegabilidade, até mesmo para a costa do Brasil.
A travessia do Atlântico Sul apresenta nesta época grandes perigos, requerendo que os navios que a empreendem tenham velocidade média de xx milhas além de outros aparelhamentos que poucos navios nacionais possuem, especialmente os velhos cargueiros ex-alemães, como o “Iguassú”.”
Dados do Miramar Ship Index
- SANTA ANNA (Maceió – torpedeado no cabo Ortegal em 1918)
- SANTA BARBARA (Bisco 8 – desmantelado na Inglaterra em 1950)
- SANTA THERESA (desmantelado em Hamburg em 1933 – não mudou de nome)
- SANTA URSULA (Michalios – torpedeado em 1943)
- SANTA ROSA (Iguassú – desmantelado no RJ em 1950)
Possui algum conteúdo relacionado ao mergulho e acha que pode ser interessante dividir com outros mergulhadores ?
Envie um conteúdo para a principal revista eletrônica sobre mergulho do Brasil.




