Em diversas ocasiões vemos mergulhadores técnicos com 2, 3 ou 4 cilindros pendurados como se fossem árvores de natal.
Tal quantidade de cilindros conduzidos pelo mergulhador, está relacionada ao perfil de mergulho a ser realizado, havendo misturas diferenciadas para serem usadas em diferentes profundidades durante um mergulho planejado.

Tendo em vista a possibilidade de inalação de gás inadequado para a profundidade em que o mergulhador se encontra, por causa de uma distração ou uma situação de emergência, os cilindros devem receber uma marcação contendo a profundidade máxima para a mistura e os percentuais da mesma.
É primordial que se tenha também um planejamento adequado e um “time” ciente dos procedimentos a serem realizados durante o mergulho técnico a ser feito.
Cada integrante deve observar o companheiro na troca de gases, para ter a certeza de que ele está trocando por o gás adequado em relação a profundidade correta, evitando um possível acidente.
Marcações
Para uma marcação adequada você deve utilizar os adesivos padronizados e disponíveis no mercado. Não havendo a disponibilidade, pode utilizar um pedaço de fita silver tape e uma caneta Pilot na cor preta.
Os números e letras devem ser grandes e com escrita clara, para que qualquer pessoa possa visualizar à distância.
Jamais utilize marcações fora de padrão. Isto pode confundir o outro mergulhador e provocar um acidente de mergulho.
Em águas mais escuras, há mais chances desse tipo de erro ocorrer.
Quase um acidente…
Recentemente um caso onde um mergulhador fez a marcação com o número “20” (vide fotos), onde esse número “20” se referia a “20 metros” de profundidade máxima para a mistura em sua stage com EAN 50, na cabeça do mergulhador.
Terminado o tempo de descompressão, um amigo pediu o gás de stage e pegou o cilindro. Este por sua vez, ao visualizar o stage com a posição invertida, entendeu que era um stage com O2 100% (Oxigênio) ao invés do número “20”, e completou sua descompressão acreditando que estava respirando oxigênio puro.

Felizmente não o segundo mergulhador não teve problemas com a descompressão irregular, mas poderia ter tido problema de doença descompressiva.
Para evitar esse tipo de problema, bastava realizar a marcação com o padrão de tabela, neste caso, marcando “21M”, ao invés de “20” somente, além de adicionar o “M” de metros.
Se o padrão “EAN 50” fosse utilizado, também evitaria erros de leitura.
Exemplo: 21M / EAN 50

Falhas simples como esta, podem acabar com um bom final de semana ensolarado por um simples descuido e/ou falta de informação.
Lembre-se a cada mergulho que você não está sozinho, e que os outros mergulhadores podem não adivinhar o que você tem em mente, principalmente embaixo d’água.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.




