Estava me programando para uma viagem com mergulhos em caverna, me deparei com um problema na lanterna HID… a bateria.
O modelo de bateria utilizada pela minha lanterna é a de Níquel Metal Hidreto (NiMh), um tipo de bateria mais avançada que as antigas fabricadas em níquel cádmio.
No meu caso, a bateria de fábrica vinha com 4.5 amperes X 12 volts, gerando uma autonomia média de 4:30h. O suficiente para um mergulho longo ou dois com tempo inferior. Com o passar dos tempos, a bateria passou a não segurar mais carga, havendo a necessidade de substituição por uma nova.
Quando temos esse tipo de coisa, o primeiro problema é encontrar a bateria, pois infelizmente um pack novo de bateria original não existe para compra no Brasil. Comprando direto nos Estados Unidos, país onde a lanterna foi fabricada, um pack novo original custa US$ 175 + taxa local + IOF. Ao dólar de R$ 3.80, podemos dizer que esse pack novo sairia em torno dos R$ 800… valor surreal.
Conversando com um amigo meu também do mergulho, decidi ir até uma famosa loja no centro de São Paulo e pedir para montarem um pack de baterias pra mim.
Um pack de baterias compatível com o canister da minha HID, requer a compra de 10 células de baterias. Cada uma custa R$ 40/45, o que daria uns R$ 400/450 o pack montado no Brasil.
Até aí, tudo bem, mas começaram algumas pegadinhas que tornaram a experiência desagradável…
Características e Marca
As células originais tinham 4.5 amperes, e no Brasil, é muito difícil encontrar células com essa amperagem (capacidade de carga). Normalmente só encontramos células com valores próximos aos 4 amperes. De cara, menos uns 30min de autonomia de luz.
Pack montado, e lá fui levar o pack pra casa para testá-lo.
Toda bateria de Níquel Metal Hidreto requer algumas recargas e descargas para que ela passe a funcionar com 100% da capacidade, sendo assim, foram várias recargas com horas de espera e várias descargas deixando a lanterna acessa, a fim de medir o tempo que ela permaneceria ligada.
Nessa brincadeira, se passou uma semana até chegar à conclusão de que a lanterna não conseguia ter uma autonomia além das 2:30/2:40h, e a decepção era grande.
Conversando com outros mergulhadores e um engenheiro eletrônico, fico sabendo que no mercado, só há duas marcas de qualidade (Sanyo e Panasonic) em relação ao modelo de bateria que eu precisava, e dificilmente seriam encontradas no Brasil. A baixa performance do pack montado no Brasil, estava ligada diretamente à baixa qualidade das células adquiridas aqui, pois são feitas na China.
Diante do problema, regressei até a loja responsável pela venda do pack de bateria, expliquei o problema, e lá se foi mais 1h perdida tentando explicar todos os aspectos para que o lojista e técnico, entendessem a situação.
Depois de longas conversas, decidiram que iriam trocar o pack montado por um pack de baterias com 4.5 amperes, mas precisariam de tempo para encontrá-las junto aos fornecedores, e com isso, mais uma semana se passou e nada.
Lá fui eu novamente até à loja, mais 1h falando sobre o problema, e me ofereceram um pack de baterias e carregador de lítio sem custos extras, e foi preciso explicar que as baterias de lítio poderiam danificar minha lanterna, uma vez que, a voltagem das células de lítio, iria gerar um valor em voltagem diferente do conceito original, e isso poderia queimar a lâmpada HID ou o ballast (ignitor), informação confirmada posteriormente junto ao fabricante.
Mais uma semana se passa, e tive que regressar até a loja para desfazer o negócio.
Nesse vai e vêm, é certo que um pack adquirido no Brasil sairia pela metade do preço, mas os transtornos, perda de tempo e a possibilidade da coisa dar errada, não fez valer à pena a compra de baterias não originais, e no final das contas, acabei comprando a bateria original.
O objetivo desse relato, é mostrar que nem toda alternativa econômica, é de fato, uma “boa alternativa”. A economia pode gerar outros problemas e transtornos que não faz valer à pena a gambiarra ou uso de peças não do mercado paralelo.
Se você passar por uma situação dessas, pense bastante e avalie se realmente vale a pena.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



