Um tema interessante e pouco comentado, é a fadiga do maxilar, uma queixa comum entre os mergulhadores, especialmente entre os novatos.
Isso ocorre com frequência durante o mergulho e logo nos primeiros 15min de imersão.
Mordendo o bocal com força e por um determinado tempo, alguns mergulhadores simplesmente se queixam que o 2º estágio sai de sua boca e dores. Em outras circunstâncias, o mergulhador reclama de uma leve dormência.
Não estamos habituados a ficar com um regulador na boca por um período prolongado, e mantê-lo seguro na boca, faz com que o maxilar comece a doer após algum tempo, devido esforço do maxilar para segurar o bocal do regulador.
Muitas vezes, mergulhadores novos acreditam que para manter o bocal do regulador na boca, é preciso morder com força, o que é um erro. Relaxar é o suficiente para segurar o bocal na medida certa, sem que haja um incômodo.
Para alguns mergulhadores, mesmo os experientes, este problema provocar uma constante dor no pescoço e um mergulho muitas vezes desagradável.
Pior ainda, quando o mergulhador possui problemas de alinhamento dos dentes, onde em alguns casos, o regulador chega a ficar saindo mais facilmente da boca, forçando o mergulhador a morder ainda mais.
Para chegar a uma solução, a primeira coisa a ser feita é olhar para o posicionamento do colete equilibrador.
Se o primeiro estágio do seu regulador estiver muito alto ou muito baixo em relação à você, isto pode facilitar a saída do segundo estágio de sua boca quando você virar a cabeça, e para evitar isso, você instintivamente morde com mais força o bocal, trazendo as dores em seu maxilar com o transcorrer do mergulho.

Se a posição do cilindro em relação à você estiver correta e você se sentir relaxado, substitua o bocal.
Por exemplo, procure por um bocal ortodôntico, pois ele trará o benefício de reduzir a fadiga do maxilar, tendo em vista que o seu formato, distribui melhor o peso do segundo estágio do regulador, além de permitir uma mordida muito mais confortável e sem desconforto.
Antes da compra, busque por um bocal de fabricantes reconhecidos e de qualidade, pois existem bocais com desenho ortodôntico, porém moles (com fina espessura de silicone), que ao invés de minimizar a fadiga, este irá contribuir para outros eventos relacionados a mordida no bocal. Normalmente nos bocais de qualidade, encontramos a patente estampada no mesmo.
Uma solução interessante, são os bocais da SeaCure.
A SeaCure é uma empresa que desenvolveu um bocal muito parecido com um bocal de futebol.
Após a compra, o mergulhador ferve a água em uma panela, e coloca o bocal SeaCure de molho por alguns instantes. Feito isso, coloca-se o bocal na sua própria boca e morda-o. O bocal irá se moldar à estrutura e alinhamento de seus dentes e guardar o posicionamento dos mesmos. Isso fará com que o bocal esteja 100% adequado ao posicionamento de seus dentes, trazendo um esforço muito menor ao mergulhador.
Este tipo de bocal não deve ser usado por outra pessoa, para evitar que o mesmo perca o molde.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



