A técnica do sidemount evoluiu bastante e, hoje, frequentemente vemos mergulhadores utilizando esta configuração nas operações de mergulho recreativo.
Muitos fabricantes buscam mais simplicidade e equipamentos menores, mas quando falamos em mergulhar com a configuração sidemount, a coisa muda de figura, pois o mergulhador acaba descendo com dois conjuntos de cilindros e reguladores. Claro, ele pode até mergulhar com um cilindro simples na técnica do sidemount, mas não é o mais comum de se ver.
A grande questão é… Vale à pena realizar dois mergulhos com a configuração sidemount em uma operação normal de mergulho recreativo, sem que seja um único mergulho longo ?
Sinceramente não vejo lógica nisso.
Imagine o seguinte cenário… durante uma operação de mergulho serão realizados dois mergulhos de 45 minutos de duração aproximadamente. Se você não pretende ou não a situação não permite a realização de um único mergulho mais longo, não faz o menor sentido descer com toda configuração sidemount. Mais peso, mais itens para apresentar algum tipo de problema e mais itens para carregar e esquecer.
Recentemente estive em uma operação onde todos estavam mergulhando com configuração sidemount, realizando os dois mergulhos com os mesmos cilindros. Realizei os mesmos mergulhos com single mount (cilindro simples), trocando o cilindro entre um mergulho e outro.
Aí alguém levanta a mão e diz… haaa, mas eles estavam treinando…
Isso me remete ao artigo sobre o treinar, treinar e treinar, como ocorre com muitos mergulhadores que saem para mergulhar e só treinam treinam e treinam…
E onde está o momento de prazer ? A curtição do mergulho ?
É o famoso “modismo”, onde alguns lojistas e instrutores empurram cursos e equipamentos para seus clientes, deixando distante, os momentos de prazer só com treinos em cima de treinos… a pessoa só treina e efetivamente não mergulha para curtir as belezas submarinas.
Na minha opinião, o mergulho com a configuração sidemount precisa ter um propósito, uma necessidade onde se obtenha alguma vantagem em mergulhar com essa configuração.
Se você já possui a habilidade e pretende fazer os mesmos mergulhos que os demais mergulhadores irão realizar com cilindro “simples”, não faz sentido você descer com praticamente o dobro de equipamentos, mas infelizmente esse modismo é o que temos visto muito por aí, e enquanto muitos buscam a simplicidade, alguns “sidemonsters” sem objetivo, chegam nas operações de mergulho, incomodando os demais mergulhadores com uma quantidade desnecessária de equipamentos atrapalhando a vida dos demais.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



