A foto rara na abertura deste artigo foi encontrada em um antigo arquivo de imagens, e permite ter uma ideia do tamanho que o naufrágio possuía.
O Rosalinda era um cargueiro fabricado em 1913 na Alemanha, possuía 102m de comprimento e acabou naufragando nos recifes dos Abrolhos no ano de 1955.
Durante muitos anos ele fora chamado de “Rosalina”, até que algumas pesquisas em antigos jornais comprovaram que na verdade ele se chamava “Rosalinda”.
Na ocasião no acidente, ele tinha como carga principal cimento e cerveja em seus porões, e que podem ser ainda visualizados em seus porões. Hoje o navio encontra-se desmantelado sob os maravilhosos recifes daquela localidade, e sem dúvida, se tornou um dos naufrágios mais visitados pelos mergulhadores brasileiros em razão das facilidades de mergulho naquele local.
Apesar do seu atual estado, naufrágio continua grande e com boa parte da carga ainda visível. Muitos objetos podem ser observados durante o mergulho, como antigas privadas, lâmpadas e até lindas escotilhas, que em alguns casos, encontram-se abertas.

Por estar no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e aliado ao monitoramento dos operadores de mergulho, o naufrágio encontra-se bem íntegro no que diz respeito aos artefatos, e caso algum mergulhador venha retirar algo, ele poder ser penalizado. Com isso, o naufrágio vem permitindo aos mergulhadores poderem apreciar as belezas originais do contexto.
Saindo da área de fundeio na ilha principal dos Abrolhos, a Ilha de Santa Bárbara, o naufrágio pode ser alcançado rapidamente pela embarcação de mergulho, pois encontra-se apenas 5Km de distância, e como o Rosalinda surge na superfície e segue até os 20m de profundidade, é um mergulho fácil de ser realizado pela baixa da baixa profundidade.
Logo no início da descida sob o naufrágio, é possível perceber suas grandes dimensões.
O local é ótimo para treinar o “olhar” no que diz respeito as “peças e partes de naufrágios”, pois o mergulhador consegue encontrar muita coisa e perceber tudo aquilo que vemos nos cursos de mergulho em naufrágios.
Um aspecto que deve ser analisado por aqueles que pretendem visitar o naufrágio é quanto às penetrações. Este naufrágio possui inúmeras penetrações e sendo ótimo para este tipo de mergulho, contudo, é preciso ter treinamento para tal, possuir os equipamentos necessários e realmente ter a habilidade para adentrar em algumas áreas mais restritas. O mergulho é seguro, mas obviamente as penetrações criam mais riscos que devem ser bem gerenciados.
A vida marinha sob o naufrágio é exuberante e formada por espécies comuns da região, tornando o naufrágio bem colorido com a iluminação artificial. Por causa da baixa profundidade e ação do mar e dos ventos, a visibilidade pode variar bastante, indo dos 2 aos 20m.
Entre dezembro e abril as águas são mais quentes e oferecem mais visibilidade, sendo o melhor período para os mergulhos.
De junho a novembro, o principal atrativo é a observação das baleias jubarte, sendo o pico de aparições entre julho e outubro.
Durante todo o ano é possível observar diversas espécies de aves marinhas no Parque, sendo que algumas usam as ilhas para se reproduzir e cuidar dos seus filhotes, enquanto outras estão só de passagem.
Agradecimentos ao Thomas da Apecatu Expedições, por todo o apoio durante nossa visitação ao arquipélago, que sem dúvidas, é uma das grandes joias que o Brasil possui.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



