Data: 04/07/1945
GPS:
Localização: Proximidades dos penedos de São Pedro e São Paulo.
Profundidade (m):
Visibilidade (m):
Motivo: Explosão
Estado: Desmantelado
Carga: Material bélico
Tipo: Cruzador de guerra
Nacionalidade: Brasil
Dimensões (m): 122.38 / 11.89 / 3.81
Deslocamento (t): 3.150
Armador: Marinha do Brasil
Estaleiro: Armstrong, Newcastle-on-Tyne, Reino Unido.
Propulsão: Vapor com 3 caldeiras Yarrow, acopladas a 3 turbinas Parsons à vapor, gerando 18.000 hp, acoplados a três eixos com hélices de três pás.
Fabricação: 20/01/1909
Notas: Cruzador-ligeiro (idêntico ao Cruzador Rio Grande do Sul), construído nos Estaleiros Armstrong, Newcastle-on-Tyne, Reino Unido, lançado ao mar em 20 de janeiro de 1909, chegando ao Brasil no dia 06 de maio de 1910 (Recife). Foi incorporado à Esquadra pelo Aviso Ministerial nº 2.343 de 21 de maio de 1910 com indicativo visual B1.
Quarto navio da Marinha do Brasil a ostentar o nome Bahia, homenageia o Estado da Federação do mesmo nome.
O navio foi construído em chapa de aço, tipo “saia e camisa”, rebitado, dividido em 12 compartimentos estanques, duplo fundo, convés corrido, borda alta, protegido por couraça de 19mm de espessura, estendendo-se por todo o seu comprimento, e por uma couraça de 38mm, nas partes inclinadas, recobrindo as caldeiras, máquinas e paióis de munição. Os paióis eram protegidos adicionalmente por anteparas longitudinais afastadas do costado. A torre de comando era protegida por chapas de aço Krupp de três polegadas de espessura.
Deslocava 3.100t e suas dimensões eram: 122,38m de comprimento total; 115,82m de comprimento entre perpendiculares; 11,89m de boca moldada; 11,91m de boca máxima; 7,16m de pontal moldado; 3,81m de calado máximo, à vante; 4,75m de calado a meia nau e 4,42m de calado, à ré.
Era movido a turbina, como o seu irmão gêmeo, o Cruzador Rio Grande do Sul, sendo esses dois os primeiro navios de guerra do Brasil a serem dotados com tal gênero de propulsão.
Originalmente o navio era equipado com grupo propulsor formado por cinco turbinas Parsons, uma acionando o eixo central, duas acionando o eixo de bombordo, com turbina de reversão de marcha na mesma caixa; duas acionando o eixo de boreste, com turbinas de reversão de marcha na mesma caixa; potência total de 20.101HP; três hélices de bronze manganês com três pás; dez caldeiras Yarrow, tubo fino, distribuídas em dois compartimentos, quatro seções, descarregando para duas chaminés; dois condensadores; vinte e três carvoeiras com capacidade total de 650t métricas de carvão. Desenvolvia 27,016 nós de velocidade máxima, 25 nós de velocidade em plena carga e 10,743 nós de velocidade econômica; raio de ação em velocidade econômica 5.500 milhas.
Originalmente, seu armamento era composto por dez canhões de 120mm, 50 calibres, Armstrong, obturação plástica, montados em reparos de pedestal, com aparelho de conteira e elevação independentes, disparo por percussão e elétrico, alças telescópicas iluminativas; seis canhões de 47mm, 50 calibres, semiautomáticos, Armstrong, alças telescópicas, montados em reparos de pedestal, dispostos, quatro sobre a borda e dois no passadiço; dois tubos para lançamento de torpedos Armstrong, 450mm, montados no convés a boreste e a bombordo, cuja pontaria e disparo podiam ser efetuados da torre de comando, ou nos próprios tubos, onde existia um suporte para aparelhos de pontaria.
A manobra do navio era feita com leme servo-assistido por máquina a vapor de dois cilindros invertidos, manobrado do passadiço e da torre de comando, e a mão, do compartimento à ré, no fundo do navio.
Os paióis de projetis e de pólvora de salva eram ventilados pelo sistema tradicional com admissão de ar atmosférico. Os paióis de munição de 120mm (pólvora) e de 47mm eram ventilados, tanto pelo sistema tradicional como pelo sistema de ar frio circulatório fornecido por termo-tanques e máquinas frigoríficas J.C. Hall.
A energia elétrica era fornecida por dois grupos montados nas praças de turbinas. Cada grupo consistia da associação direta de um motor a vapor Peter Brotherhood, dois cilindros, com um dínamo Eslwick, excitação compound, 400rpm, 220/230 volts. Os circuitos de baixa tensão eram alimentados por um pequeno transformador e por baterias, destinados ao serviço de artilharia e disparo de torpedos.
A água potável era produzida por dois vaporizadores e um destilador Kircaldy com capacidade de 70t por dia. Dispunha também de uma câmara frigorífica Hall instalada à ré, com capacidade para 1.380 k de gêneros alimentícios e dois compressores Whitehead para os serviços de torpedos.
As comunicações internas e externas eram feitas por meio de seis telefones Sauter Harlé e por estação telegráfica Marconi, 1,5 Kw, alcance máximo de 150 milhas. Dispunha ainda de semáforo, lâmpada Scott e dois holofotes, 40.000 velas Sauter Harlé.
Era equipado com onze embarcações miúdas, a saber: uma lancha a vapor, uma lanchas a remos, seis escaleres, duas canoas e uma chalana.
Sua lotação era de 20 oficiais e 355 praças.
Durante o período em que esteve no serviço ativo da Marinha do Brasil, o Cruzador Bahia desempenhou inúmeras missões relevantes, a saber:
– Primeira Guerra Mundial – após o torpedeamento por submarino alemão, sem aviso prévio, a 4 de abril de 1917, do Navio Mercante Paraná, de 6.000t, da Companhia Comércio e Navegação, na costa ocidental da França, o Brasil rompeu relações diplomáticas e comerciais com a Alemanha. Em 20 de maio de 1917 foi torpedeado nas proximidades do Porto de Brest, França. o segundo navio brasileiro, o Tijuca. A seguir, os mercantes Lapa e Macau, sendo este último, torpedeado próximo a Costa da Espanha, em 18 de outubro de 1917. Em 26 de outubro do mesmo ano, o Brasil declarou Guerra a Alemanha.
Em 30 de janeiro de 1918 foi criada pelo Aviso Ministerial nº501, a Divisão Naval de Operações de Guerra (DNOG), para atuar no teatro de operações europeu, formada pelos Cruzadores Bahia (navio capitânia), Rio Grande do Sul, Contratorpedeiros Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, além do Tender Belmonte e Rebocador Laurindo Pita.
Na noite de 25 de agosto de 1918, durante a travessia de Freetown (Serra Leoa) para Dakar, um submarino inimigo , com a torreta de comando a descoberto lançou um torpedo, que, passando pela proa do Rio Grande do Norte dirigiu-se para a popa do Belmonte, errando entretanto o alvo. Submarino e esteira do torpedo foram avistados pelos tripulantes do Bahia, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Laurindo Pita, os três primeiros tendo aberto fogo.
A façanha do afundamento desse submarino, reconhecido e constatado pelo Almirantado Britânico, foi atribuída ao Contratorpedeiro Rio Grande do Norte, que alvejou a torreta, enquanto visível, com vários disparos e investiu velozmente sobre o alvo, lançando grande número de bombas de profundidade. A DNOG atuou até sua dissolução em 25 de agosto de 1919.
Durante a Segunda Guerra Mundial, integrado à Força Naval do Nordeste, prestou serviços relevantes ao participar de diversos comboios (67) e escoltas, além de patrulhamentos vários (15), navegando 101.971 milhas em 357,5 dias de mar; realizou 106 cruzeiros e protegeu mais de 700 navios mercantes desde 1942, quando iniciou suas operações de guerra.
03/06/1943 – Durante a escolta do comboio BT-12 detecta a presença de submarino e lançadas bombas de profundidade. Foi localizada, a deriva, mina submarina nas proximidades do comboio que foi destruída pelo Bahia com emprego das metralhadoras Madsen.
10/07/1943 – o navio obteve contato sonar e lançou bombas de profundidade na posição
Em novembro de 1944, o Bahia, juntamente com o Cruzador Americano Omaha e o Gustafon, escoltou o Navio-Transporte norte-americano General Meigs, que transportou o 4º Escalão da FEB para o teatro de operações na Europa.
– Durante a Revolução de 1930, sob o comando do Contra-Almirante Heráclito Belford Gomes que tinha sob seu comando mais seis contratorpedeiros, o Bahia atuou no litoral de Santa Catarina
Durante a Revolução Constitucionalista de São Paulo, em 1932, sob comando do Capitão-de-Fragata Lucas Alexandre Boiteux, realizou, juntamente com outros navios, o Bloqueio do Porto de Santos
“Justamente no desempenho de sua última missão, quando era parte de uma ,ponte de apoio a uma linha de aviões militares que, procedentes da Europa com destino aos Estados Unidos, atravessavam o Atlântico da África para o nosso Nordeste, conduzindo tropas que haviam combatido em terras europeias, foi que o Bahia afundou, em consequência de uma explosão. Tão dolorosa ocorrência aconteceu às 09 horas e 10 minutos do dia 04 de julho de 1945, em pleno oceano, nas proximidades dos rochedos de São Pedro em São Paulo.
O suboficial Vivaldo Vaz, um dos poucos sobreviventes da tragédia, assistiu o afundamento do navio a bordo de uma balsa salva-vidas, relatando: “Sentando-me a borda, vi o nosso cruzador, com grande estrondo, ficar em pé, parecendo que tudo o que havia no seu interior corria para baixo, e em seguida começou a afundar. Vi também marinheiros que lutavam contra as ondas em busca das balsas, e se voltavam para o navio gritando VIVA O BAHIA! E mais alguns minutos depois , desaparecia o nosso Cruzador, que, como os grandes vultos da história, foi sepultado de pé” (Subsídios para a História Marítima do Brasil – SDM, vol. VI, 1948, p. 27).
Na ocasião, morreram 336 tripulantes, sendo 17 oficiais e 04 marinheiros americanos. Salvaram-se: um oficial (na época Primeiro-Tenente Lúcio Torres Dias, hoje Almirante, autor de detalhado relato sobre os dramáticos fatos), um suboficial, quatro sargentos, 29 cabos e marinheiros e um taifeiro, num total de 36 sobreviventes. O seu último comandante, Capitão-de-Fragata Garcia D’avila Pires de Carvalho e Albuquerque, no cumprimento do código de honra da Marinha, morreu com o navio.



