Baofeng BF-T1 – Funciona como um rádio Nautilus ?

Pra quem não conhece, a Baofeng é uma empresa chinesa que fabrica rádios de comunicação  dos mais variados tipos.

Algum tempo atrás cheguei a escrever um artigo sobre o modelo BF-T1 da Baofeng, um pequeno rádio UHF com 14 canais e que poderia ser uma alternativa ao Nautilus Lifeline.

Vale lembrar que principal frequência usada pelas embarcações é o VHF, sendo o mesmo tipo de frequência usada pelo o Nautilus, diferentemente do BF-T1 da Baofeng, que na verdade atua na frequência de UHF.

Como o Baofeng é incapaz de se comunicar com o VHF das embarcações, você vai precisar ter um rádio UHF na embarcação, para que que tenhamos dois rádios compatíveis.

 

Mas porquê eu teria um rádio que só atue em UHF ?

Como havia mencionado no artigo anterior, o Baofeng BF-T1 pode ser uma “alternativa” ao Nautilus Lifeline, e explico.

Muitos mergulhadores tiveram problemas com o Nautilus, assim como eu, e ficaram sem a possibilidade em ter um rádio que permitisse a comunicação com a embarcação, no caso de uma eventual situação emergencial. Cheguei a enviar o meu Nautilus ao fabricante, pagando um custo altíssimo, recebendo o produto meses depois com um serviço péssimo e apresentando defeito novamente, o que me fez desistir do produto, assim como ocorreu com vários outros usuários.

É possível reaproveitar a caixa estanque do Nautilus para utilizá-la com o rádio da Baofeng, bastando realizar alguns pequenos recortes no plástico que acomoda a placa eletrônica do Nautilus, mas que não tem função com o rádio da Baofeng.

Mesmo ciente de que este modelo da Baofeng não consiga falar com outros rádios utilizados pelas embarcações, pelo menos, você consegue falar com um rádio UHF da sua embarcação.

Cheguei a modificar alguns parâmetros do Baofeng BF-T1 para ser usado como VHF, mas em razão do tipo de antena que ele usa, o alcance não ultrapassou os 100m de distância. O Nautilus tem um comprimento de antena fabricada especificamente para as frequências em que ele atua, sendo projetado especificamente para tal. O BF-T1 tem outros propósitos.

Como não temos outro rádio disponível no mercado com características e dimensões reduzidas e próximas ao do Nautilus, o uso do BF-T1 é na verdade, uma adaptação.

Não cheguei a testar o BF-T1 no mar, mas em campo aberto na cidade, o alcance do sinal ultrapassou facilmente 1Km de distância e mostrando uma transmissão bem forte, incicando que ele chega mais longe.

 

Vale a pena investir nesse equipamento ?

Quem me conhece sabe que tento ser precavido, e dependendo do mergulho a ser realizado, acho que ter mais uma opção em segurança nunca é demais.

Se você tem um Nautilus Lifeline parado em casa e pode usar a caixa estanque dele, dependendo do tipo de mergulho que irá realizar e das circunstâncias, talvez seja um pequeno investimento que poderá lhe trazer benefícios. É analisar os custos e as necessidades.

Enquanto os EPIRBs não tiverem os custos de manutenção mais baixo, o jeito é partir para algumas alternativas que possam trazer mais segurança.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Mas e o AIS ?

Há no mercado um Nautilus que trabalha com AIS, particularmente acho o Nautilus bonito, mas levando em consideração a péssima qualidade e do atendimento pós-venda, não recomendo este produto.

Pra piorar, o uso do sistema AIS não é tão comum no Brasil. Há sim, embarcações utilizando o sistema, mas ainda assim, estamos num cenário muito distante do que vemos nos Estados Unidos, então, a eficácia de um Nautilus Rescue no Brasil é muito baixa e questionável.

Vale lembrar que o fabricante do Nautilus iria deixar de consertar os antigos rádios, e mesmo que continuem, os serviços são caríssimos, para forçar a substituição pelo novo modelo de rádio que não fala, ele apenas emite um sinal com pedido de socorro.

No meu caso, gastei o equivalente a US$ 120 num produto que custou 195, aguardando 6 meses entre ir e retornar, para apresentar defeito poucos meses depois. Sem contar, com uma troca de mensagens com duas pessoas que pareciam que não se falavam na empresa e por pouco, não enviam o produto para um endereço errado.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

Publicidade

Veja também:

Você sabe a diferença entre PLB e EPIRB ?

Eles chegaram para tornar as atividades mais seguras, mas possuem aspectos diferentes em relação ao Nautilus Marine Rescue GPS.

Novo sinalizador Garmin InReach v2

Novo sinalizador por satélite sofreu melhorias e agora, com bateria que pode durar até 14 ias ininterruptos.

iPhone 14 será um concorrente para o localizador Garmin inReach ?

Com o lançamento do novo modelo de telefone da Apple, a função de resgate com envio de mensagens por satélite chamou a atenção do mercado.

Desmontando o rádio Nautilus Lifeline

Desmontá-lo era um segredo até então. Veja como é o Nautilus Lifeline por dentro e como é o rádio desmontado.
Saiba quando publicamos

Compartilhe

Publicidade